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Rumos 2013-2014: Grupo explora acontecimentos reais por meio da subjetividade do teatro

6 de agosto de 2015

obra: Real – uma revista política
selecionado: espanca!

Em setembro de 2013, o grupo de teatro Espanca! criou um trabalho a convite do Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto. O projeto apresentado ganhou o nome de Onde Está o Amarildo? e teve inspiração na notícia do desaparecimento do pedreiro Amarildo em julho daquele ano, na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Com base no acontecimento real, os artistas do grupo criaram uma história que discute as esferas de poder e a violência institucional.


 

No mesmo ano, o grupo enviou o projeto de Real – uma Revista Política, selecionado pelo Rumos 2013-2014 e que teve a sua origem na cena apresentada no festival. “A cena curta Onde Está o Amarildo? foi mesmo o embrião desse projeto, mas atualmente estamos lidando com os fatos reais de uma maneira muito mais complexa”, explicou Marcelo Castro, que, junto com Aline Vila Real e Gustavo Bones, toca o grupo mineiro de teatro.

O processo de criação de Real partiu de uma premissa inovadora: foram enviadas notícias de fatos políticos marcantes a cinco dramaturgos diferentes, que deveriam, com base nos fatos, elaborar textos teatrais curtos. Os textos foram reunidos numa espécie de revista-encenação das cinco propostas dramatúrgicas distintas. Os dramaturgos escolhidos para participar foram: Márcio Abreu (Companhia Brasileira de Teatro), Diogo Liberano (Teatro Inominável), Roberto Alvim (Club Noir), Leonardo Moreira (Cia. Hiato) e Byron O’Neill (Cia. Cinco Cabeças). Vindos de diferentes localidades, puderam dessa forma imprimir diferentes visões aos textos de cada parte do espetáculo.

De acordo com Marcelo, que em parceria com Gustavo Bones dirige o espetáculo, a ideia não é representar o “real”, e sim criar a partir dele uma nova realidade em cena. “O projeto aborda cada fato por meio de uma poética completamente distinta, criando uma revista de fatos políticos e ao mesmo tempo uma revista de novas dramaturgias brasileiras.”

Os acontecimentos selecionados para semear as criações de Real foram bastante variados, indo desde a carta de suicídio dos índios guarani-caiová em 2012 até a greve dos garis do Rio de Janeiro no Carnaval de 2014. A variedade de temas e as polêmicas neles envolvidas exigiram que o grupo fosse maleável nas suas criações, provocando reflexões que fugissem ao óbvio. “A dificuldade é não cair num maniqueísmo, no lugar-comum de julgar os personagens dos fatos. E também tentar ‘representar’ esses fatos que julgamos irrepresentáveis, como uma chacina, um linchamento, uma greve”, explicou o diretor.

O grupo irá apresentar a peça em novembro de 2015 no Itaú Cultural, e posteriormente a temporada passará a ser apresentada no seu espaço, o Teatro Espanca!, em Belo Horizonte. “Temos um papel muito importante no cenário de BH, principalmente pelas atividades que desenvolvemos no nosso centro cultural”, disse Marcelo, que também contou que o próximo trabalho do grupo irá homenagear o entorno da sede e os moradores que habitam o local. “Estamos atualmente montando quatro peças ao mesmo tempo. É um desafio que beira a loucura!”

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