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Rumos 2013-2014: Moviola, um Mundo que se Monta e Desmonta

14 de agosto de 2015

obra: Moviola
selecionado: Marcio Ambrosio 

Quando criança, Marcio Ambrosio queria uma nave para se lançar ao espaço, ao desconhecido. Essa atração pela descoberta é um dos sentimentos que o fizeram criar o Moviola, projeto selecionado pelo Rumos 2013-2014. Imerso na instalação, o público tem o poder de construir e fazer parte de um filme, em tempo real. Por meio de engrenagens e sensores eletrônicos, é possível escolher entre sequências de animações, criando narrativas diversas.

“É uma experiência de imersão – corporal, pelo fato de mexer no dispositivo, e sensitiva, pois ele se encontra numa cenografia e num universo audiovisual que o envolve”, diz Marcio. O artista é graduado em design industrial, design gráfico e animação e criador do coletivo zzzmutations em 2004. “Eu gostaria que o visitante se desconectasse do mundo real e viajasse no Moviola”, afirma.

A outra realidade apresentada na obra, segundo ele, traz mundos flutuantes, sem gravidade – não podemos distinguir se estamos no espaço ou no fundo do mar – e onde encontramos criaturas insólitas. Nesse ambiente, os visitantes dispõem cenas, passeiam pelos lugares, escolhem acompanhar de perto ou de longe os personagens. Marcio quis “criar um quebra-cabeça: tudo se monta e desmonta”.

Também influenciou na criação da obra o fascínio que Marcio sente pela mesa de edição do cinema antigo – “moviola” era o dispositivo usado pelos montadores para mover, visualizar e selecionar trechos de película. Em Moviola, o público se coloca frente a um domo, onde manipula manivelas correspondentes a intervalos pré-divididos do filme. Segundo a velocidade de rotação, som e imagem na tela são exibidos de forma diferente. Além disso, há três dispositivos que permitem deslocar a perspectiva, simulando movimentos de câmera.

“O que me fascina é o objeto todo, a engenhoca, sua manivela e as engrenagens por onde passa o filme, o fato de o editor tocar a matéria-prima, cortar e colar os pedacinhos. Tenho uma certa nostalgia desse contato ‘orgânico’”, diz Marcio.

Nesse sentido, é relevante a escolha do material com que foi feita a instalação. O artista recolheu madeira de demolição de vários tipos e regiões brasileiras – entre elas, jatobá, muirapiranga, canela, peroba-rosa e guarapeira. “Nomes tão bonitos e diferentes, como as cores, texturas e cheiros. Dei uma nova vida para essa madeira, que em troca trouxe muita energia à obra.”

Sobre o processo de criação, Marcio conta que teve de desenvolver metodologias e estudar novas técnicas, “e isso se torna conhecimento adquirido para as futuras produções artísticas”. Ainda comenta que “foram vários desafios, e com certeza a dificuldade maior foi o tempo. Ter um tempo de produção definido, com objetivo e resultado esperado, é estimulante, mas o tempo corre demais e isso obriga a seguir um cronograma, para não se perder – e, às vezes, a fazer compromissos ou mudanças no processo criativo”.

Moviola, por fim, continua uma pesquisa anterior. De acordo com o artista, “O que quis transmitir é a contemplação do movimento. A interpretação do movimento e a análise da imagem estão sempre presentes nos meus trabalhos”.

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