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Rumos 2013-2014: Seis artistas e uma vontade em comum de partilhar conhecimentos

8 de setembro de 2014

obra: Aisthesis
selecionados: Édi Oliveira, Francis Wilker, Giselle Rodrigues, Glauber Coradesqui, Jonathan Andrade e Kênia Dias

Francis Wilker é ator e diretor. Giselle Rodrigues é coreógrafa, mestra em arte contemporânea e professora. Kênia Dias é atriz e bailarina. Édi Oliveira é diretor, coreógrafo e bailarino. Jonathan Andrade é ator e dramaturgo. Glauber Coradesqui é pesquisador e professor de teatro. Em comum, os seis possuem a vontade de trabalhar juntos, de dividir e trocar experiências e conhecimentos. Agora, isso será concretizado com a realização do projeto Aisthesis, contemplado no Rumos.

Atualmente, Kênia mora e trabalha em São Paulo, mas ela e os outros cinco autores da proposta se conheceram no cenário cultural de Brasília, cidade em que cada um consolidou a sua carreira profissional. Porém, na capital federal, eles sentem que ainda há uma lacuna que impede a instrumentalização da troca de ideias e parcerias entre profissionais de diferentes áreas artísticas.

“Nós já tínhamos um desejo de trabalhar juntos. Tentamos alguns temas específicos, mas nunca dava certo”, relata Giselle. Na verdade, era difícil para o grupo categorizar o que gostaria de fazer. É teatro? É dança? É performance? “Nós queríamos algo diferente, que não assumisse uma categoria, porque o que desejávamos mesmo era promover o encontro”, conta ela, acrescentando que isso dificultava a obtenção de patrocínio.

Até que eles enxergaram a oportunidade de viabilizar o projeto com o edital do Rumos lançado no ano passado, que apresentava mudanças justamente no intuito de dar maior liberdade aos autores. “Nós percebemos que era a nossa chance de buscar esse espaço, de ter um suporte para nos apoiar, para dar vazão a esse encontro, a essa troca”, revela a coreógrafa.

Aisthesis é exatamente isto: a possibilidade de esses artistas criarem, de partilharem conhecimentos e serem provocados pelo olhar crítico do pesquisador Glauber, mas sem que esse trabalho tenha a obrigatoriedade de virar um espetáculo.

“Os meios, o processo, a pesquisa, os caminhos percorridos e descobertos serão um ‘fim’ em si. Correr o risco de não se fixar em modelos segundo expectativas do mercado e abrir espaço para a liberdade criativa”, propõe ele.

Além do que pode surgir da troca entre os criadores, Aisthesis também prevê a participação do público. “O que se pretende com estes encontros abertos é estabelecer um diálogo direto com o público, considerando-o não apenas contemplador do experimento, mas também força fomentadora real daquilo que se passa em cena […]”. A ideia, portanto, é gerar um contato mais ativo com os espectadores.

Todo o trabalho deverá ser registrado em um blog interativo, que funcionará também como um espaço de discussão e reflexão sobre temas ligados à criação colaborativa e coletiva.

“O projeto parte, então, de uma real necessidade de novo fôlego, de renovar, reciclar e, por fim, trocar modos de criação, de construções processuais, de reflexão e compreensão dos fundamentos do fazer artístico no âmbito das artes cênicas – o que pode resultar em novas formas de se compreender a criação na arte e, até mesmo, em novos resultados estéticos ou conceituais”, resume o pesquisador.

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