por Jullyanna Salles

A banda paulista Garotas Suecas foi formada em 2005 e, atualmente, se apresenta no formato de um quarteto. Após a saída do então vocalista e compositor do grupo, Guilherme Saldanha, os outros integrantes dividem o vocal, colocando em prática o conceito de horizontalidade com o qual simpatizam.

Garotas Suecas
foto: Fausto Chermont

 

 

Um dos destaques da banda são os clipes com produção cuidadosa. Atualmente formada por Tomaz Paoliello, Fernando Freire, Irina Bertolucci e Nico Paoliello, a Garotas Suecas está em processo de desenvolvimento do seu terceiro disco e se apresenta no Itaú Cultural em 25 de maio. O guitarrista Tomaz conversou com o Fala com Arte sobre a nova dinâmica e o amadurecimento do grupo, além de aspectos preciosos para o processo de criação do quarteto.

Vocês já trabalharam com muita gente ao longo da carreira. Há alguém que vocês gostam de destacar como fundamental para a banda?

Tivemos muitos excelentes parceiros, sem os quais não teríamos feito tudo o que fizemos. Para encarar esse formato de banda é necessário gostar de trabalhar junto e compartilhar. Nesse caminho tivemos produtores, técnicos de som, de luz, figurinistas, diretores, músicos convidados, bandas parceiras, assessores de imprensa, empresários, todos que nos ajudaram e ajudam muito.

Como foi a reformulação da banda? Ela trouxe alguma mudança na dinâmica do grupo?

A banda é um sistema que funciona de certa maneira, é uma conversa constante. A saída de um membro sempre traz mudanças na forma como interagimos nessa conversa. Musicalmente mudamos, principalmente porque agora todos nós cantamos. Resolvemos radicalizar essa ideia de horizontalidade, de ausência de protagonismo, que já era importante para a banda. Agora todos nós somos cantores principais e de apoio, e instrumentistas base e solo.

Como está sendo o processo criativo do novo disco?

Está sendo o mais tranquilo dos nossos discos até agora. É o nosso trabalho menos referente, nos baseamos muito na nossa própria experiência como instrumentistas e compositores. Sempre trabalhamos muito "estudando" outros artistas e sons. Agora resolvemos deixar que todo esse repertório flua mais naturalmente. Nós mesmos estamos produzindo o disco e gravando no Estúdio Freak, do Nico Paoliello, membro da banda. Isso dá também uma tranquilidade para criarmos muito mais em estúdio. Essa tranquilidade de processo contrasta com a fase difícil que estamos vivendo no Brasil e no mundo. Alguns dos temas que chamam nossa atenção aparecem nas músicas, certamente mais políticas que as outras. Acho que esses dois lados vão aparecer de forma bem clara no disco.

Uma das marcas registradas do grupo são os clipes, sempre bem produzidos. Por que vocês consideram importante essa valorização do trabalho audiovisual?

O rock, e a música pop de maneira mais geral, é baseado em mais do que a camada sonora. O que dizemos, o que vestimos, tudo que mostramos faz parte do trabalho artístico. Nós todos [membros da banda] nos formamos descobrindo músicas pelos clipes na TV. Desde o começo valorizamos esse formato exatamente porque foi importante para nós. Tivemos a sorte também de encontrar excelentes parceiros para fazer nossos clipes, amigos que compartilhavam da nossa visão. Gostamos de pensar representações visuais para o que fazemos junto com essas pessoas, e o clipe é um veículo excelente para isso. Finalmente, sempre gostamos de atuar, mesmo não tendo nenhum preparo para isso. A gravação é sempre divertida.

Há algum fator além da música que o grupo goste de acompanhar? Como redes sociais e cenografia do palco?

Como disse, o processo artístico e conceitual de uma banda vai além da execução das músicas. Gostamos de controlar todas as partes do processo. O legal de ser uma banda independente é ter controle total sobre tudo, chamar apenas as pessoas de que gostamos para trabalhar conosco e mexer em tudo. Figurino, luz, cenografia, som, clipe etc.

Como vocês se enxergam hoje em comparação ao início da carreira?

Muito mais seguros do que queremos fazer. Quando começamos, éramos muito despretensiosos, também por ingenuidade. Ficávamos felizes em conseguir marcar um show e tocar bem nele. Conforme a banda cresceu, o nível das nossas próprias expectativas também cresceu, o que logicamente gera tensão e ansiedade. Hoje sabemos muito bem o que queremos e do que somos capazes, o que nos devolveu um pouco daquela despretensão sem a dose de ingenuidade. Estamos tocando e cantando melhor do que nunca por causa disso. Acho que também temos nossas melhores composições, adultas pero sin perder la ternura.

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