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Parcerias não faltam a Guinga: com Paulo César Pinheiro, compôs “Noturna”; com Aldir Blanc, “Exasperada”; junto a José Miguel Wisnik, “Canção Necessária”; e, ao lado de Chico Buarque, “Você, Você”. Esses são alguns dos títulos que dão corpo ao show Guinga e Mônica Salmaso, com repertório fincado em composições do violonista. No palco, mais sinergias se mostram sem timidez: Mônica, que é para Guinga uma das maiores cantoras do mundo, pessoa que se quer sempre por perto; Nailor Proveta, clarinetista, e Teco Cardoso, responsável pelo sax e pela flauta, completam o círculo de admiração mútua. O quarteto, no fundo, celebra a arte do encontro, a arte que vem do encontro – entre eles e entre eles e outros.

O todo do espetáculo foi erguido em grupo, claro. A seleção de faixas, por exemplo, contou com opiniões dos quatro, além da visão do produtor Pavan. Engana-se, no entanto, quem acredita que a escolha foi fácil: “A minha identidade com a música do Guinga é total. Gosto muito de tudo e quero cantar todas as músicas que ele faz, de verdade”, salienta Mônica com veemência.

A intérprete, aliás, bem sabe o que é se apaixonar por obras. Os seus primeiros amores, por assim dizer, foram os LPs Eu Não Tenho Onde Morar (1960), de Dorival Caymmi, e Construção (1971), de Chico Buarque. Tais discos, tidos como “para adultos”, eram ouvidos, sorvidos, abraçados pela menina de então com o mesmo maravilhamento com que se punha a escutar Disquinhos Coloridos, coleção voltada para crianças com letras de Braguinha e arranjos de Radamés Gnattali. Anos depois, ela se deparou novamente com esse fascínio empolgante ao frequentar aulas de canto e musicalização – época em que reverteu a infelicidade sentida em um cursinho pré-vestibular à decisão maior: tornar-se cantora profissional.

Um passo à frente no tempo, no início de sua carreira, encantou-se uma vez mais: ao assistir a um show de Guinga em São Paulo. “Entendi, imediatamente, a grandeza dele, um artista de densidade. Fiquei tomada de emoção. Nada ali era gratuito, nenhuma nota estava ali por acaso. Tudo era fruto de sabedoria, busca da beleza e trabalho”, recorda.

De lá para cá, Mônica participou de apresentações do amigo, gravou Corpo de Baile (2014), CD com canções de Guinga e Paulo César Pinheiro, e, volta e meia, reúne-se ao mestre.

Guinga, por seu turno, relembra que a audição sensível é antiga: na infância, mergulhava em Dilermando Reis, Francisco Alves, Luiz Gonzaga. Adora “Menino de Braçanã”, de Luiz Vieira. Ópera italiana, standards americanos e jazz também integravam as opções do menino. “Com 13 anos, já sonhava em ser um compositor brasileiro. Ouvia Chico Buarque, que estava despontando, e, na minha inocência, imaginava que poderia ser igual a ele”, diz.

Hoje, aos 68 anos, Guinga fez-se ele próprio: é parte de uma confluência de reuniões, de gente que se inspira em conjunto. A arte do encontro, a arte que vem do encontro – entre eles e entre eles e outros, vigas que dão a Mônica a certeza de que o show será bom e bonito.

Guinga e Mônica Salmaso [com interpretação em Libras] | INGRESSOS ESGOTADOS
domingo 5 de agosto de 2018 
às 19h
[duração aproximada: 80 minutos]

ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)

[livre para todos os públicos]

abertura da casa: 90 minutos antes do espetáculo

 

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