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Bom de balançar

Com suingue e muita classe, o Clube do Balanço e seus convidados mostram a cara do samba-rock. Venha se divertir!


Clube do Balanço − Toca Brasil Festa


quinta 2 20h
Clube do Balanço convida Bebeto
participação da equipe de dança do professor Moskito e equipe de baile Transa Chic

sexta 3 20h
Clube do Balanço convida Fabiana Cozza
participação da equipe de dança do professor Moskito e equipe de baile Mistura Fina

sábado 4 20h
Clube do Balanço convida Os Opalas
participação da equipe de dança do professor Moskito e equipe de baile Five Special

domingo 5 20h
Clube do Balanço convida Simoninha
participação da equipe de dança do professor Moskito, equipe de baile Soft Fest e DJ Gran Master Ney

entrada franca - senha distribuída com meia hora de antecedência. Para garantir a ordem da fila, será distribuída pré-senha com duas horas de antecedência

Sala Itaú Cultural [247 lugares] | Avenida Paulista 149 - Paraíso - São Paulo SP [próximo à estação Brigadeiro do metrô]

informações 11 2168 1776 ou ramal 1777 

Por Lara Alcadipani

Noite de sábado, quase decadente. Bêbados a cantar em volta da mesa de um bar de esquina, moradores de rua espalhados pela praça, passantes distraídos pelas mulheres que por ali ganhavam seu sustento e um pouco de prazer. Em frente a um daqueles edifícios imponentes do centro velho de São Paulo, uma longa fila quebrava a monotonia e anunciava que a disputa pelo metro quadrado de salão seria grande. Os penteados das mulheres - com tranças e miçangas - se misturavam aos melhores trajes dos homens de todas as idades que, no burburinho, aguardavam. Como lembra o professor Moskito, "baile é elegância. Antigamente, tênis e camiseta eram proibidos, só entrava na estica". A festa era boa, o baile prometia e a fila só aumentava.

Cida, produtora do Clube do Balanço foi quem nos recebeu e providenciou nossas entradas. Depois de uma breve conversa com ela, observamos o espaço. André Seiti, o fotógrafo escalado para a noite, arriscou os primeiros ângulos. De camisa branca e calça preta, o par de sapatos combinando com o conjunto, Moskito - de passagem pelo salão - explicou: "Estou adorando fazer isto aqui hoje. Antes do show, vamos contar um pouco da história da dança negra no Brasil, desde o lundu e a umbigada. No meio disso tudo, a gente tira uma morena e outra branquinha para dançar", riu. Como todo malandro que se preza, Moskito é de papo fácil e traz aquela ginga ao se movimentar. Enquanto ele se apressava em resolver os últimos detalhes da noite, o público foi tomando o salão. No microfone, o professor, que em 2000 abandonou a vida de metalúrgico para se dedicar à dança − sua grande paixão −, dava início ao evento: "Minha gente, o que é esse tal de samba-rock?".

Se a resposta fosse fácil, essa não teria sido uma das perguntas mais respondidas pelo próprio professor e pelos músicos do Clube do Balanço nos últimos dez anos. Mas, com a simplicidade de quem sente que tudo é movimento, Moskito emendou: "Para mim, gente, é a dança. Para o Mattoli, é a música". O guitarrista e vocalista do Clube aceitou a idéia e acrescentou: "Não dá pra definir um fenômeno cultural desses só por uma via. É o conjunto destas coisas − o baile, a música, a dança" e, enfático, concluiu: "É cultura". Mas, para não pecar na omissão das influências, acabaram por resgatar o lundu, o maxixe, o samba e, até mesmo, o rockabilly norte-americano para, entre um passo e outro, mostrar que o samba-rock é um mosaico de experiências musicais. "Você pega uma música do Paul McCartney e vê que o pessoal tirava para dançar samba-rock. As influências do rock'n'roll vieram numa época em que o negro estava precisando se mostrar. E ele misturou o rock, que era moda nos Estados Unidos, com o samba brasileiro. Nasceu o samba-rock, que é mesmo coisa de brasileiro, né?!", concluiu Moskito.

A prosa estava boa, o público estava empolgado e alguns casais já arriscavam uma dança a dois no centro do salão. Mas foi o Clube do Balanço aparecer completo no palco, que a euforia dominou do ambiente. Fred Prince na percussão, Tiquinho e Reginaldo 16 nos metais, Gringo no baixo, Juliano nos teclados, Bruninho na bateria - substituindo Edu "Peixe" −, Marco Mattoli na guitarra e vocal. Mas faltava ela. Do fundo do salão − roupa preta, sapato vermelho de salto fino e flor no cabelo cor de fogo esvoaçado − veio Tereza Gama, a musa do Clube do Balanço. "A Tereza é boa quando a gente precisa cobrar dinheiro de alguém, a gente manda ela bater na porta", brincou Mattoli, não sem emendar: "Ela é iluminada. É uma grande amiga e é fundamental para o Clube".

Daí para frente quem dançava tomou conta do salão, quem não dançava ao menos abria espaço, requebrava a cintura discretamente e arrastava os pés no chão. O cabelo estilo black power dominava a cena, salpicada também aqui e ali pelos olhos miúdos dos orientais presentes. Loiras mostravam que o gingado ali não era privilégio de poucas, crianças balançavam de um colo para outro e até o time da melhor idade mostrava suingue − chapéu e sapato lustrado − traçando movimentos sem medo. Professor Moskito, que entre uma parceira e outra dava um espetáculo à parte, explicou que "o samba-rock, essa música que especialmente o Clube do Balanço toca, é um samba classudo, é um samba gostoso de ouvir. Tem gente que não dança, mas fica pelo menos balançando o pezinho. Não tem jeito, mexe com o coração! Você vai num baile, aí vê um cara tirando uma mulher para dançar, vê aqueles passos e pensa 'como é que ele aprendeu a dançar assim?'. É a música que mexe com as pessoas e cria essa vontade de dançar". Mattoli conta que "a raiz do Clube está no baile. A banda toda curte muito o baile, a reunião e as músicas especiais que os DJs tocam nesses ambientes". E, a primeira vez que o Clube do Balanço tocou junto foi numa festa dessas, na Cohab-Itaquera, numa reunião de amigos.

A brincadeira virou coisa séria, mas sem perder o clima de festa e a descontração do ambiente entre amigos, que já virou uma marca da banda. A cada novo baile, o grupo vem conquistando maturidade e autonomia. As vésperas de lançar seu terceiro disco, totalmente autoral, a banda apresentou em palco algumas das músicas que estarão no novo trabalho. Mattoli explicou que "foi um desafio, já que com essa história de retomada do samba-rock, se toca muita música já consagrada. Mas a gente acha importante propor um repertório novo. A gente fez o disco explorando alguns limites, tentando chegar mais longe". Mas, é claro que ainda existe espaço para puxar um Jorge Ben Jor. Em tom de reverência, Mattoli não deixa de ostentar as referências do Clube: "Bebeto, Branca de Neve, Jorge Ben, Luiz Vagner, Trio Mocotó, Originais do Samba. Muitos deles, inclusive, já fizeram participações com a gente e vão repetir a dose nos shows do Itaú Cultural".

No show daquele sábado à noite, inclusive, quem acompanhou o Clube foi Barba, surdista que toca com o Fundo de Quintal e já tocou com Almir Guineto. Mas, a receita do sucesso do Clube do Balanço não está só nos palcos − o público fiel garante a alegria dos bailes. Durante o show, o calor humano foi tanto que faltou janela no recinto que aliviasse as marcas do suor na camisa. E, mesmo com as últimas músicas da noite, o clima não foi de fim de festa. Os dançarinos exibiram coreografias até o último acorde e, na hora da despedida, a prosa voltou a tomar conta do ambiente. Assim como havia começado - salão repleto em pouco tempo - terminou: o grande salão vazio denunciava o fim do baile.

Ficou interessado? Quer conferir? As apresentações do Clube do Balanço têm sempre aquele ar de que "cabe mais um". Então é só chegar! Entre os dias 2 e 5 de abril a banda se apresenta no Itaú Cultural, acompanhada de convidados especiais e um corpo de dança comandado pelo professor Moskito.

Confira a programação completa e compareça!

Galeria de fotos do show do Clube do Balanço


E, na Rádio Itaú Cultural, você pode conferir uma entrevista com Cláudio Mattoli, vocalista e guitarrista do Clube do Balanço. Ouça aqui.
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