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Antídoto - Comuninade na área

Os moradores de Paraisópolis apresentam sua produção artística em dois dias de espetáculos. Confira a programação

_boxO poder das iniciativas culturais frente aos diversos tipos de violência - social, étnica ou religiosa - é o mote do Antídoto - Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito, produzido pelo Itaú Cultural em parceria com o Grupo Cultural AfroReggae, do Rio de Janeiro. Em sua quarta edição, o evento promove lançamento de documentários, espetáculos teatrais, shows e debates, que contam com convidados do Afeganistão, do Brasil, do Canadá, do Líbano, da Nigéria, da Palestina e do Sudão.

O lançamento dos documentários Ferréz - Literatura e Resistência (sobre a trajetória deste escritor do Capão Redondo, na capital paulista) e Selva de Pedra - A Fortaleza Noiada (sobre o consumo de crack na capital do Ceará) abrem as atividades do Antídoto, nos dias 4 e 5 de junho.

Na sequência, o grupo de teatro do instituto Pombas Urbanas, de Cidade Tiradentes (bairro do extremo leste de São Paulo), encena as peças Histórias para Serem Contadas e Os Tronconenses.

Na segunda semana de junho, o palco é tomado pela música com shows da banda AfroReggae e seus convidados: Leandro Sapucahy, Mauricio Tizumba, Jards Macalé, Arnaldo Antunes e o moçambicano Stewart Sukuma. Os quatro dias de shows têm transmissão ao vivo pela internet.
 
O teatro volta a entrar em cena na terceira semana da programação com um diálogo entre a África e o sertão. Será apresentado o monólogo Mercadorias & Futuro, do músico e escritor pernambucano Lirinha, e a peça A Mulher Asfalto, com a moçambicana Lucrécia Paco. Os espetáculos são precedidos pela leitura do manifesto África e Sertão, da poetisa pernambucana Micheliny Verunschk.

O seminário internacional acontece entre 24 e 26 de junho e também tem transmissão ao vivo. Os debates reúnem jornalistas, escritores, artistas e líderes sociais e religiosos de diferentes países para trocar experiências de como a cultura pode servir como um  antídoto à violência.

O último final de semana de junho conta com a presença de artistas e educadores da comunidade de Paraisópolis (bairro da periferia de São Paulo), que compartilham a experiência da criação da Escola do Povo e apresentam uma parte de sua produção musical.


Confira a programação completa:
 
SEMANA DE ABERTURA

quinta 4

20h
lançamento e exibição do documentário Ferréz - Literatura e Resistência
A obra mostra a trajetória do escritor paulistano Ferréz, autor de, entre outras obras, Capão Pecado (Objetiva, 2005), romance sobre o cotidiano violento do Capão Redondo, bairro da periferia de São Paulo. A exibição é seguida de debate com o escritor.


sexta 5

20h
lançamento e exibição do documentário Selva de Pedra - A Fortaleza Noiada
Um mergulho no circuito do crack em Fortaleza, mostrando a estrutura do mercado da droga, seus códigos e leis internos e as pessoas que dele participam. O trabalho foi realizado por Francisco José Pereira de Lima, ou Preto Zezé - coordenador geral da Central Única das Favelas (Cufa) de Fortaleza -, que participa de debate após a exibição do documentário.


sábado 6

16h
apresentação do espetáculo Histórias para Serem Contadas
com o grupo de teatro Pombas Urbanas
Com texto do dramaturgo Osvaldo Dragun e direção de Hugo Villavicenzio, o espetáculo utiliza uma linguagem divertida e direta para tratar de assuntos comuns a todos os moradores de São Paulo - e, mais especificamente, aos habitantes de Cidade Tiradentes, bairro localizado na zona leste da cidade e considerado o maior complexo habitacional da América Latina. Por meio da história de três trabalhadores, a peça coloca em cena situações absurdas e violentas que ocorrem no dia a dia da cidade de São Paulo.


domingo 7

17h
debate com os integrantes do grupo de teatro Pombas Urbanas
Criada em 1989, visando intensificar a produção artística de São Miguel Paulista - bairro da zona leste de São Paulo -, a companhia Pombas Urbanas realiza espetáculos em diferentes linguagens: de rua, para palco, voltada para o público infantil e adulto etc. Além da produção das peças - escritas por Lino Rojas, com base em pesquisas coletivas feitas pelo grupo - o coletivo desenvolve ações que inserem o teatro no cotidiano das populações mais marginalizadas da cidade. Nesta conversa, seus integrantes falam sobre os conceitos e os projetos que marcaram os 20 anos de atuação do grupo.


20h
apresentação do espetáculo Os Tronconenses
com o grupo de teatro Núcleo Teatral Filhos da Dita
A peça narra a história dos habitantes de Tronconé - uma cidadezinha imaginária que, por sinal, poderia ser qualquer cidade brasileira. Por meio de brincadeiras num playground abandonado, crianças do local representam situações vividas pelos adultos. O imaginário e o real se misturam revelando um mundo em crise, onde loucura e lucidez muitas vezes se confundem.

Sala Itaú Cultural − 247 lugares
[ingresso distribuído com meia hora de antecedência]



ESPETÁCULOS MUSICAIS
[Na semana musical do Antídoto, a banda AfroReggae recebe convidados no palco da Sala Itaú Cultural.]

quinta 11

20h
AfroReggae, Stewart Sukuma e Leandro Sapucahy

Stewart Sukuma
é moçambicano. Seu trabalho combina a música tradicional e contemporânea de seu país com uma instrumentação diferenciada, criando um som dançante.

Leandro Sapucahy une, em sua obra, elementos do samba, do hip-hop e do rap. Seu primeiro disco, Cotidiano, de 2006, conta com a participação de músicos como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Marcelo D2.


sexta 12

20h
AfroReggae, Stewart Sukuma e Mauricio Tizumba

Stewart Sukuma
é moçambicano. Seu trabalho combina a música tradicional e contemporânea de seu país com uma instrumentação diferenciada, criando um som dançante.

Mauricio Tizumba, músico e ator, incorpora em seu trabalho as tradições da cultura negra. No espetáculo, o artista é acompanhado pelo trio com o qual se apresenta há cerca de 10 anos - formado pelas cantoras e percussionistas Beth Leivas, Danuza Menezes e Raquel Coutinho.


sábado 13

20h
AfroReggae, Stewart Sukuma e Jards Macalé

Stewart Sukuma
é moçambicano. Seu trabalho combina a música tradicional e contemporânea de seu país com uma instrumentação diferenciada, criando um som dançante.

Jards Macalé é cantor, compositor, violonista, arranjador e ator. Em seu álbum Real Grandeza, gravado em 2005, interpreta, ao lado de músicos como Maria Bethânia e Luiz Melodia, composições realizadas em parceria com Waly Salomão.


domingo 14

20h AfroReggae, Stewart Sukuma e Arnaldo Antunes

Stewart Sukuma
é moçambicano. Seu trabalho combina a música tradicional e contemporânea de seu país com uma instrumentação diferenciada, criando um som dançante.

Arnaldo Antunes é músico, poeta e artista visual. Seu último disco, Ao Vivo no Estúdio, de 2007, foi indicado ao Grammy Latino, como Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro, e recebeu o Prêmio Tim de melhor álbum de pop/rock.

Sala Itaú Cultural - 220 lugares
[para os shows, serão entregues controles de fila (pré-senhas) com duas horas de antecedência]



ESPETÁCULOS TEATRAIS
[Antes de cada apresentação, a poeta pernambucana Micheliny Verunschk realiza a leitura de seu texto África e Sertão - À Maneira de um Manifesto]

quarta 17 quinta 18

20h
apresentação do monólogo Mercadorias & Futuro
Solo redigido e atuado pelo músico e escritor pernambucano José Paes de Lira, ou Lirinha, do grupo Cordel do Fogo Encantado. Personagem condutor do espetáculo, Lirovsky é mais do que um vendedor de livros: é um comerciante de registros poéticos, mercador, rastreador de pistas, pesquisador, inventor de máquinas e possuidor do dom de estudar, decifrar e narrar as mensagens que prenunciam o futuro.


sexta 19 a domingo 21

20h
apresentação da peça A Mulher Asfalto
A atriz e diretora moçambicana Lucrécia Paco, cofundadora do grupo de teatro Mutumbela Gogo, dá voz às mulheres excluídas e caladas pela sociedade. Aqui, uma prostituta rompe o silêncio e fala sobre a comercialização de seu corpo, denunciando os maus-tratos inerentes à sua profissão. O espetáculo conta com trilha sonora de Cheny Wa Gune, músico e cofundador do Timbila Muzimba, uma das bandas mais ativas de Moçambique.

Sala Itaú Cultural − 247 lugares
[ingresso distribuído com meia hora de antecedência]



DEBATES
[Convidados do Afeganistão, do Brasil, do Canadá, do Líbano, da Nigéria, da Palestina e do Sudão falam sobre suas experiências no desenvolvimento de projetos culturais em ambientes de violência]


quarta 24

17h A Cultura das Ruas - Histórias, Aprendizados e Preconceitos
com Chinaider Pinheiro (Brasil) e Marina Maggessi (Brasil) - mediação de Edson Natale (Brasil)
As vivências de duas pessoas (um ex-traficante e uma policial civil) nas ruas do Rio de Janeiro. Quais as histórias, os preconceitos e os aprendizados do cotidiano?

Chinaider Pinheiro é agente de projetos do Grupo Cultural AfroReggae e um dos coordenadores do Projeto Empregabilidade, que tem o objetivo de inserir jovens envolvidos com o crime e ex-detentos no mercado de trabalho.

Marina Maggessi chefiou durante seis anos a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) do Estado do Rio de Janeiro e, em seguida, tornou-se a primeira inspetora a comandar a Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Especialista no combate ao tráfico de drogas, ficou conhecida quando, junto com sua equipe, levou à prisão grandes chefes de facções criminosas, como, entre outros, Marcinho VP (chefe do Comando Vermelho) e Elias Maluco (assassino do jornalista Tim Lopes). Atualmente é deputada federal no Rio de Janeiro.

Edson Natale é gerente do Núcleo de Música do Itaú Cultural.


20h A Tolerância das Diferenças, as Diferenças da Tolerância
com pastor James Movel Wuye (Nigéria) e Imam Muhammad Nurayn Ashafa (Nigéria) - mediação de Renata Bittencourt (Brasil)
Como o exercício da tolerância transformou dois inimigos em líderes e ativistas civis que, juntos, trabalham em busca da paz e da reconstrução da Nigéria.

James Movel Wuye e Imam Muhammad Nurayn Ashafa desempenharam papel de destaque na crise religiosa de Zango/Kataf, no estado de Kaduna, Nigéria. Ambos atuavam em grupos inimigos que encabeçaram movimento armado em defesa de sua religião e acabaram promovendo mortes e mutilações. O ódio entre estes dois religiosos, no entanto, se transformou em parceria para promover a paz em seu país. Em 1995, criaram o Centro de Medição Interfé, por meio do qual têm atuado, com sucesso, na mediação entre cristãos e muçulmanos em toda a Nigéria.

Renata Bittencourt é gerente do Núcleo de Educação do Itaú Cultural.


quinta 25

17h Distorções, Informações e Realidades
com Diana Allan (Líbano) e Farhad Peikar (Afeganistão) - mediação de Adriana Carranca (Brasil)
As imagens da guerra no Líbano e no Afeganistão. As notícias sobre os conflitos são capazes de ocultar ou deturpar informações sobre a cultura e as tradições dos povos envolvidos?

Diana Allan fundou a Lens on Lebanon (LOL), iniciativa internacional de produção de documentários criada após o bombardeio israelense de 2006. Doutora em antropologia e cinema pela Universidade de Harvard, Estados Unidos, é fundadora e codiretora do Nakba Archive, projeto com testemunhos sobre a guerra de 1948, para o qual foram gravadas 500 entrevistas com a primeira geração de refugiados palestinos no Líbano.

Farhad Peikar, jornalista afegão, é correspondente da agência alemã DPA e repórter da ARD, rádio pública da Alemanha. Formado em ciências políticas pela Universidade de Cabul, já trabalhou, além da Alemanha, no Japão.

Adriana Carranca é repórter do jornal O Estado de S. Paulo e mestre em políticas sociais para países em desenvolvimento pela Universidade de Londres. Como jornalista, viajou para países como Afeganistão, Irã, México, Egito, Inglaterra e Estados Unidos, entre outros.


20h Cultura e Resistência e as Arenas da Educação
com Adnan Nagnagie (Palestina) e Tião Rocha (Brasil) - mediação de Renata Bittencourt
Um ator palestino e um educador popular brasileiro indicam quais "arenas" podem ser utilizadas como alternativa para a educação e a produção cultural.

Adnan Nagnagie integra o grupo de teatro The Freedom Theatre, que realiza trabalhos no campo de refugiados de Jenin, Palestina.

Tião Rocha, educador popular, antropólogo e folclorista, é fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento - organização não governamental sem fins lucrativos criada em 1984, em Belo Horizonte, Minas Gerais, que promove educação popular e desenvolvimento comunitário por meio de brincadeiras, bibliotecas ambulantes, cursos e apresentações de teatro e música em comunidades de baixa renda.


sexta 26

17h Duas Comunidades Brasileiras
com Joselito Crispim (Brasil) e Geronino Barbosa de Souza (Brasil) - mediação de Edson Natale
As experiências de lideranças transformadoras nas comunidades de Alagados (Salvador) e Heliópolis (São Paulo).

Joselito Crispim fundou o Movimento de Bandas de Lata, que reúne jovens carentes da comunidade de Alagados (em Salvador, Bahia) em conjuntos de percussão. O grupo, que já se apresentou em países da Europa, da África e da América do Norte, conta com uma filial na comunidade de Catembe, em Moçambique, e com um núcleo na Ilha de Itaparica, no Recôncavo da Bahia.

Geronino Barbosa de Souza é coordenador e fundador da Rádio Heliópolis e diretor de comunicação da União de Núcleos, Associações e Sociedades (Unas) de Heliópolis e São João Clímaco.


20h Cultura e Ação
com Catherine Pappas (Canadá) e Daoud Hari (Sudão) - mediação de Adriana Carranca e Edson Natale
Iniciativas individuais ou ações organizadas em conjunto e articuladas com a sociedade civil: o importante é agir.

Catherine Pappas, cineasta e fotógrafa, integra a diretoria da ONG de solidariedade internacional Alternatives, onde realiza projetos voltados aos conflitos do Oriente Médio.

Daoud Hari atuou, após escapar de um ataque em seu vilarejo natal (na região sudanesa de Darfur), como intérprete e guia para repórteres de grandes organizações jornalísticas, como New York Times, NBC e BBC. Em 2006, Hari e o jornalista Paul Salopek, vencedor do prêmio Pulitzer, foram acusados de espionagem pelo governo do Sudão, onde permaneceram sob custódia. O episódio é relatado em seu livro, O Tradutor - Memórias de um Homem que Desafiou a Guerra (Editora Rocco, 2008).

Sala Itaú Cultural − 247 lugares
[ingresso distribuído com meia hora de antecedência]



[O encerramento da quarta edição do Antídoto é marcado por atrações ligadas à comunidade de Paraisópolis, da zona sul de São Paulo.]

sábado 27

15h
apresentação do Programa Escola do Povo
com Gilson Rodriguez
Criado em 2007, pela União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, o Programa Escola do Povo tem como objetivo erradicar o analfabetismo de adolescentes e adultos da comunidade, localizada na zona sul paulistana. A iniciativa promove o acesso dos participantes à cultura e trabalha com eles conceitos de cidadania e participação social.

Gilson Rodriguez é presidente da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis.

Sala Vermelha - 75 lugares


20h apresentação musical com grupos de Paraisópolis

Sala Itaú Cultural − 247 lugares


sábado 28

20h apresentação musical com grupos de Paraisópolis

Sala Itaú Cultural − 247 lugares
[ingresso distribuído com meia hora de antecedência]

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