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Em sua quinta edição, o Rumos Música expandiu sua ação, estabelecendo contato com os cenários musicais de quatro outros países da América do Sul: Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Uma série de programas especiais, apresentados pela cantora e compositora Natalia Mallo, divulga o resultado do garimpo realizado por curadores locais.

Mauricio Ubal, curador das músicas do Uruguai − representando a Ediciones Ayuí/Tacuabé −, foi buscar a transformação das danças europeias em milongas, cielitos, vidalitas, cifras e chamarritas; o candombe levado ao país pelos escravos africanos; o tango nascido em Montevidéu e Buenos Aires; as murgas; e também o rock e o pop.

Aqui, você pode conhecer artistas e músicas selecionados, divididos em quatro programas especiais, apresentados por Natalia Mallo.


Programa 1 | Programa 2 | Programa 3 | Programa 4


Abaixo, você confere a apresentação dos curadores e pode conhecer, um a um, os selecionados, suas músicas e fichas técnicas.

Música popular uruguaia: uma fotografia possível

Esta seleção não se limita a modelos de geração ou a períodos históricos, tampouco a determinados tipos musicais. Aqui convivem sons gravados recentemente com registros de anos atrás, músicas do campo ao lado de expressões urbanas, ritmos antigos com obras que exploram novos caminhos, notas puras de violão com notas computadorizadas, e artistas e gêneros de diferentes épocas. Esse é o espírito desta mostra, uma foto sonora, uma leitura possível, que tenta englobar a pluralidade do fenômeno e suas diferentes linguagens.

Brevíssimo olhar sobre as raízes e as características:

Sem lembrança de uma possível vertente indígena e tentando identificar raízes, destacamos:

- um tronco folclórico em que danças europeias de salão foram aculturadas (polcas, valsecitos, rancheras, habaneras, xotes) e que deu origem a novos tipos (milongas, cielitos, vidalitas, cifras, chamarritas), todas elas vivas atualmente; 
- uma vertente africana trazida pelos escravos negros (o ritmo do candombe); 
- o tango (nascido em Montevidéu e em Buenos Aires); 
- as murgas (grupos multidisciplinares do Carnaval montevideano) e, em particular, seu ritmo marcha camión; 
- várias manifestações provenientes do exterior, especialmente o rock e o pop anglo-saxões e os ritmos afro-americanos (cúmbia, plena, son, reggae, salsa e samba, entre outros), que são amplamente consumidos, recriados e mixados pelos músicos uruguaios.

Os traços diferenciadores encontram-se no predomínio do formato "canção", assim como o cuidado especial na elaboração de seus textos, nos quais prevalece um espírito crítico, rebelde, poético (herança possivelmente da tradição do pajador ou repentista) e de exploração, a despeito de épocas e gêneros.

Chama também a atenção a popularidade histórica do violão como instrumento base de interpretação.

Identidade:

Nestes tempos em que a globalização pretende uniformizar e apagar a diversidade de culturas e povos, a defesa de patrimônios intangíveis, como suas músicas populares, e, em particular, daqueles gestos e conteúdos que as tornam únicas, acaba sendo quase um "resgate" ecológico.

Para o Uruguai, pequeno em território e população, a valorização e a projeção da música de seus filhos constituem, mais do que nunca, uma afirmação de sua identidade como país.

Maurício Ubal
Músico e diretor da Ediciones Ayuí/Tacuabé



Conheça também os selecionados da Argentina, do Brasil, do Chile e do Paraguay.

Alfredo Zitarrosa

Seu singular timbre de voz, grave e aveludado, a riqueza de suas melodias e sua profunda poética escrita de forma simples deram a Alfredo Zitarrosa (1936-1989) uma imensa popularidade no Uruguai e na Argentina. Seu compromisso político e social, refletido em muitas de suas canções, valeu-lhe a perseguição da ditadura militar que governou o Uruguai entre 1973 e 1984, motivo pelo qual teve de permanecer no exílio durante vários anos. Compôs a maioria de suas obras utilizando (e resgatando) formas folclóricas próprias de ambos os países, mas é no ritmo da milonga que desenvolve suas maiores descobertas criativas. A que aparece aqui está misturada com um toque de huella(música folclórica argentina muito popular no século IX), experimentação frequente em sua obra.

La Canción del Cantor
(Alfredo Zitarrosa)
UY-C12-000059 / (p) Sob licença da Bizarro Records
Voz: Alfredo Zitarrosa
Primeiro violão: Mario Nuñez
Violão: Nelson Olivera
Violão: Gualberto López
Contrabaixo: Néstor Casco


Popo Romano

Depois de uma longa trajetória como baixista acompanhando vários artistas e participando de projetos de grupos próprios, Popo Romano inaugura, no início deste século, sua carreira como solista instrumental. Sua sensibilidade e destreza musical permitem-lhe explorar, muito à vontade, diferentes gêneros e, em especial, trabalhar na fusão de estilos, como aparece aqui. Partindo de um ritmo de marchacamión, próprio das murgas montevideanas, adota uma postura de improvisação próxima ao jazz-rock, conservando um ar local que confere originalidade à sua proposta.

Rápido por la Rambra
(Popo Romano)
UY-A130000030 / (p) Sob licença da de Ediciones Ayuí/Tacuabé
Baixo e chamada: Popo Romano
Baixo, assobio e voz: Walter Venencio
Baixo e voz: Martín Buscaglia
Teclados: Horacio Di Yorio
Bateria: Miguel Romano
Percussao: Edú Lombardo


Eduardo Darnauchans

Eduardo Darnauchans (1953-2007) representa a consolidação de uma estrutura específica de influências para onde convergem a tradição do trovadorismo medieval, o folk norte-americano, o cancioneiro francês dos anos 1950, o folclore uruguaio e o pop inglês dos anos 1960. Seu talento como melodista e seu tom poético (tanto ao inventar seus textos como ao musicalizar outros) tornaram possível a conjugação dessas vertentes em uma proposta única, original e apuradíssima dentro da música uruguaia. Sua expressividade como cantor e sua voz transformaram-no em uma referência para seus colegas.

Final
(Eduardo Darnauchans/Víctor Cunha/E. Darnauchans)
UY-S05-08-00313/(p) Sob licença da Sondor
Voz: Eduardo Darnauchans
Violões: Jorge Galemire


Los Olimareños

Los Olimareños ("Pepe" Guerra e Braulio López) formaram a dupla musical de maior projeção artística e popularidade na história da música uruguaia. Vinculados a criadores como Rubén Lena e Víctor Lima (responsáveis por boa parte do melhor cancioneiro folclórico composto no país), ao longo de sua carreira abordaram as raízes musicais do campo com sons e estéticas próprias do carnaval montevideano, sendo pioneiros na valorização da riqueza dos ritmos do candombe e da murga. Comprometidos com reivindicações sociais e políticas, da mesma forma que outros colegas de sua geração, ficaram exilados durante a ditadura uruguaia. La Ariscona é um exemplo de milonga de ritmo acelerado, próxima da chamarrita e frequente no Norte uruguaio que faz fronteira com o Brasil.

La Ariscona
(Rubén Lena)
UY-C12-08-00146/(p) Sob licença da Bizarro Records
Voz, violão: José Luis "Pepe" Guerra
Voz, violão: Braulio López


Martín Buscaglia

Entre as últimas gerações de músicos uruguaios, Martín Buscaglia, principalmente a partir de seu disco El Evangelio Según Mi Jardinero, estabelece-se como um inteligente e sereno alquimista de todo tipo de corrente, timbre e contraste musical. Sons de jogos eletrônicos, samplers e programações circulam com agilidade junto com manifestações do folclore uruguaio, rap ou referências ao funky, tudo em formatos desestruturados de canção.

Cerebro Orgasmo Envidia y Sofía
(Martín Buscaglia - Gonzalo Brown)
ES-738-06-00151/(p) Sob licença da Lovemonk
Voz, baixo, banjo, violão elétrico, kalimba,chamadores, vaca, turbina, warner custom, coro, palmas, sampler: Martín Buscaglia
Voz: Arnaldo Antunes
Chimbal, redoblante, palmas, coro e kalimba: Nicolás Ibarburu
Sax de bambú, sax barítono, risa, caixa de música: Xavi Lozano
Bombo e coro: Campi Campón
Cabaça: Pablo Martín Jones
Coro: Jesús Carrasco, Mariana Pais, Ángel Carmona, Javier Espada, Bérénice Micharo, Alessio Bonatti, Noelia Campo, Raquel Torres


Eduardo Mateo

A obra de Eduardo Mateo (1940-1990) é reconhecida como uma das mais significativas, experimentais e renovadoras da música uruguaia, sobretudo pelo peso e pela influência que exerce sobre boa parte de seus colegas criadores. Foi protagonista das primeiras mixagens (no fim dos anos 1960) entre a música negra afro-uruguaia e as manifestações do pop e do rock de então, que se conhece como candombe-beat. Violonista e percussionista de enorme primor, ampliou o conceito do formato canção no Uruguai, tanto no plano rigorosamente musical como no trabalho literário.

Nombre de Bienes
(Eduardo Mateo)
UY-S05-08-00278/(p) Sob licença da Sondor
Voz, violão: Eduardo Mateo
Baixo: Urbano Moraes
Congas: Walter "Nego" Haedo


No Te Va Gustar

Surgida em 1994, é uma das bandas de maior impacto entre os jovens do Uruguai e começa a ganhar também o público jovem argentino. Com uma excelente e penetrante base rítmica, transita por vários gêneros e faz fusão com eles, sendo o reggae um dos seus pontos de referência, com suas melodias cíclicas, de notas longas e bons arranjos de sopros.

Verte Reír
(Emiliano Brancciari)
UY-B14-07-00103/(p) Sob licença da Bizarro Records
Voz, violão: Emiliano Brancciari
Baixo, coros: Mateo Moreno
Bateria: Pablo Abdala
Percussão: Gonzalo Castex
Trompete: Martín Gil
Trombone: Denis Ramos
Sax tenor: Mauricio Ortiz
Teclados: Marcel Curuchet


Edu Lombardo e Pinocho Routin

Aqui aparece outra variável do uso da milonga, que se baseia em violões típicos do tango e se combina com os instrumentos, o ritmo e as vozes de uma murga. A melodia de poucas frases envolve-se e repete-se em si mesma, sugerindo a sensação hipnótica de algo infindável. Edu Lombardo e "Pinocho" Routin são duas figuras importantes que surgiram do carnaval e que agora seguem a carreira como músicos e cantores solos.

Murga Madre
(Edu Lombardo - Pinocho Routin)
UY-M12-09-00001/(p) Sob licença da Montevideo Music Group
Voz solo, violão, arranjo de coros: Edú Lombardo
Voz solista, presentador de tablado: "Pinocho" Routin
Violãos, arranjo de violões: Ney Perazza
Baixo: Popo Romano
Redoblante: Ronald Arismendi
Pratos: Iván Bentancourt
Bombo: Pablo Iribarne
Vocais (Primos): Marcel Keoroglián, Marcelo Iribarne, Edú Lomabrdo,
Pinocho Routin
Vocais (Sobreprimos): Antonio "Picho" López, Benjamín Medina
vocais (Segundos): Juan Ayusto, Enrique Rivero, Ney Perazza


Dino y Montevideo Blues

Esta é a versão original gravada em 1971 deste clássico da música uruguaia, fotografia do "estado de ânimo" de uma geração e de um momento crítico do país, canção com nova versão e querida do público e dos músicos. Gastón Ciarlo "Dino" é outro dos pioneiros que fundou o candombe-beat, cantor de estilo extremamente pessoal e excelente cancionista. Boa parte de sua obra foi construída sobre o ritmo da milonga, mas, ao contrário de Zitarrosa, a sua se abre e se mistura mais com o som do rock, do blues e do pop dos anos 1960.

Milonga de Pelo Largo
(Gastón Ciarlo (Dino))
UY-S05-08-00277/(p) Sob licença da Sondor
Voz, violão: Gastón Ciarlo ?Dino?
Primero violão: Eduardo Dittamo
Violão: Néstor Barnada
Percussão: Julio César Surraco
Bateria: José Martínez Díaz
Baixo: Horacio Costa


Rubén Olivera

O drama das pessoas desaparecidas durante as ditaduras militares que assolaram a América Latina é abordado aqui sem alarde nem instruções, desde a aflição íntima e a angústia surda e permanente dos sobreviventes próximos. Rubén Olivera é uma das figuras de destaque de sua geração. Violonista primoroso e cantor de grande sutileza, é um incansável explorador de novas formas e recursos para abordar a canção. Visitas desenvolve uma melodia cíclica, envolvente, atravessada pela presença do ausente.

Visitas
(Rubén Olivera)
UY-A13-95-00043/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz, violão: Rubén Olivera


Numa Moraes

Prolífico compositor e violonista perfeito, a voz potente e denunciadora de Numa Moraes também lhe trouxe perseguição e exílio. Uma das veias mais significativas de sua obra musical está relacionada com a recriação dos ritmos do Norte uruguaio, veia que penetra profundamente no Sul do Brasil. Polcas, chamarritas, xotes e milongas de passo rápido povoam sua paisagem sonora, para o qual Numa sempre contou com a contribuição do poeta Washington Benavides, figura símbolo das letras uruguaias, criador de um extenso e rico repertório de poemas e textos que foram musicalizados por diferentes gerações de músicos.

Flor del Bañado
(Washington Benavides - Guillermo Duré - Numa Moraes)
UY-A13-88-00001/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz, violão: Héctor Numa Moraes
Acordeón: Beto Caetano
Contrabaixo: Milton Masciadri


Leo Maslíah

Eis aqui uma das personalidades mais surpreendentes e talentosas da cultura uruguaia das últimas décadas. Músico intérprete e compositor popular, mas também escritor de contos e romancista, dramaturgo, ator, humorista e compositor de música culta contemporânea, entre outras atividades, Leo Maslíah é um permanente provocador, aquele que quebra as formas e as estruturas. Seu olhar inteligente, irônico e incômodo sobre qualquer objeto ou temática descobre sempre algo inesperado. Sua música não se parece à de ninguém e seu humor não remete exclusivamente ao texto, como se pode apreciar na maravilhosa construção desta "sonata", em que também brilha a sua versatilidade ao piano.

Sonata del Perro de Mozart
(Leo Maslíah)
UY-A13-87-00001/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz, piano: Leo Maslíah


Murga Contrafarsa

As murgas são coros multidisciplinares (música, dança, mímica, teatro, poesia, plástica) próprios do carnaval montevideano. Sua contribuição para a cultura uruguaia não se restringe somente a suas letras e melodias, mas principalmente ao ritmo marcha camión, hoje muito utilizado. Renovam seu repertório anualmente e seus roteiros, especialmente nos cuplés, refletem com humor ou dramatismo os feitos de destaque do ano ou qualquer assunto atemporal. Aqui, são as habitantes "vulgares" do bairro que passam a ser as personagens centrais. A Murga Contrafarsa (dirigida por Edu Lombardo) foi destaque nos anos 1990 pela sua musicalidade e poética.

Cuplé Las Chusmetas
(Tabaré Cardozo/M. Papavero/Rubén Lena/Marcos Velásquez/Eduardo Mateo)
UY-A13-99-00001/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Direção cênica e arranjo de corais: Edú Lombardo.
Vocais (Primos): Luis Ortiz, Fernando Iraola, Marcel Keoroglián, Diego Berardi.
Vocais (Sobreprimos): Carlos Melgarejo, Miguel Trabal.
Vocais (Segundos): Gabriel Melgarejo, Gerardo Reyes, Daniel Morán.
Vocais (Baixos): Marcelo Pallarés, Eduardo Rabelino.
Bateria: Raúl García (redoblante), Pablo Iribarne (bombo), Schubert Giossa (pratos).


Canario Luna e Jaime Roos com Murga Falta y Resto

Jaime Roos é uma figura essencial na música uruguaia, principalmente pela projeção e qualidade de sua obra composta nos anos 1980. Suas canções redefiniram o papel dos tambores do candombe e, em particular, o som da murga, que, a partir de suas gravações, passaram a fazer parte definitivamente da identidade musical dos uruguaios. Brindis por Pierrot foi a canção mais popular da década mencionada no Uruguai e, com ela, Roos deu mais importância também à voz e à figura de Washington "Canario" Luna, notável artista de murgas que inaugurou, com esta canção, seu trabalho solo, em que se destacam seu típico registro agudo e a forma de emissão, característica do gênero.

Brindis por Pierrot
(Jaime Roos)
UY-B14-07-07312/(p) Sob licença da Bizarro Records
Violão, tololoche (tipo de contrabaixo), segunda voz: Jaime Roos
Murga Falta y Resto
Voz solo: Washington "Canario" Luna
Vocais (Primos): Carlos González, Pablo ?Pinocho? Routin, Amado Hernández, Pedro Panaro, Hugo Brocos, Jorge Todeschini, Antonio López, Benjamín Medina  
Vocais (Segundos): Jorge Calleros, Raúl Castro, Juan Enrique Rivero, Orlando Dacosta
Bateria: Jorge Garrido: bombo,
Ronald Arismendi: redoblante
Pratos: Edú Lombardo
Direção: Julio Julián e Jaime Roos


Fernando Cabrera

Artesão de timbres, palavras e ambientes frequentemente minimalistas, notável arranjador e letrista, Fernando Cabrera vem desenvolvendo uma longa carreira musical que influi notadamente as novas gerações de músicos de seu país. Sem se associar a nenhum gênero em particular, suas canções podem insinuar vertentes diversas (tango, pop, bossa nova, folclore), mas essas são incorporadas e traduzidas ao seu estilo bem pessoal, que navega do geral à contracorrente de sons e conceitos musicais em voga.

La Casa de al Lado
(Fernando Cabrera)
UY-A13-91-0001/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz, teclado: Mariana Ingold
Bateria: Osvaldo Fattoruso
Oboé: Mariana Berta
Flauta: Irene Kaufman
Violoncelos: Fernando Rodríguez
Violão, voz, arranjos: Fernando Cabrera


Rubén Rada

Dono de uma voz privilegiada, um suingue invejável e uma personalidade marcada pelo humor e pelo carisma, Rubén Rada, ou simplesmente o "Negro Rada", é outra referência das origens da música uruguaia. Foi gestor (com Mateo e Dino, entre outros) do candombe-beat no fim dos anos 1960. Ao longo de sua carreira, fez parte de grupos que hoje são mitos (El Kinto, Tótem, Opa), gravou dezenas de discos, compôs e cantou centenas de canções (muitas de enorme popularidade em seu país), mantendo-se sempre ligado às manifestações de raízes afro-americanas de todo o continente. Nesta canção, soam os tambores clássicos (chico, repique e piano) do candombe.

Dame um Besho
Rubén Rada
UY-A13-980013/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz: Ruben Rada
Teclados: Andrés Arnicho
Baixo: Urbano Moraes
Violão: Tato Moraes
Violão rítmico: Carlos Quintana
Bateria: Nelson Cedrés
Piano: Fernando "Lobo" Nuñez
Chico: Jorge "Foqué" Gómez
Repique: Pablo "Piraña" Silva
Coros: Elena Mañosa
Coros: Lea Bensassón
Arranjos: Rubén Rada e Andrés Arnicho
Produção musical: Rubén Rada


Larbanois e Carrero

Firmados no folclore e na vertente do tango, Eduardo Larbanois e Mario Carrero, juntos há 30 anos, conquistaram uma posição de privilégio no sentimento popular dos uruguaios. Seus textos poéticos atentos ao devir social e político de sua região, seus recursos melódicos e os arranjos inteligentes de vozes e instrumentos são os fundamentos que conferem qualidade à sua proposta. Prova disso é esta excelente versão de Santamarta, na qual a inspirada sanfona de Hugo Fattoruso brinca e dialoga com o clima descritivo do texto.

Santamarta
(Mario Carrero)
UY-A13-01-00001/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz, violão, arranjos: Eduardo Larbanois
Voz, guitarrón (tipo de violão): Mario Carrero
Contrabaixo: Popo Romano
Acordeón: Hugo Fattoruso


La Trampa

Na última década, o rock criollo uruguaio, em todas as variáveis de suas manifestações, alcançou projeção e desenvolvimento excepcionais no Uruguai. La Trampa, banda que surgiu no início dos anos 1990, sempre manteve um alto nível de exigência na hora da criação, trabalhando seus textos com rigor poético e qualidade nos conteúdos, sem perder a força expressiva e a rigorosa simplicidade característica de sua proposta musical.

Las Cruces del Corazón
(Garo Arakelián)
UY-A13-97-00001/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz: Alejandro Spuntone
Violão e coros: Garo Arakelián
Teclados e coros: Sergio Schellemberg
Baixo: Carlos Ráfols
Bateria: Álvaro Pintos


Pepe Guerra e Aníbal Sampayo

As canções de Aníbal Sampayo (1926-2007) começaram a construir, em meados dos anos 1950, o moderno cancioneiro folclórico uruguaio e antecedem, com as de Osiris Rodríguez Castillos (1925-1996), a explosão criativa da década seguinte. Sampayo aparece aqui fazendo dupla circunstancial com "Pepe" Guerra, que, depois da dissolução da banda Los Olimareños, se transformou na figura máxima do folclore de seu país em carreira solo. Este ritmo de chamarrita (ou chimarrita ou chamarra) é outra das formas mais difundidas e festivas da música regional.

La Cañera
(Aníbal Sampayo)
UY-A13-94-00069/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz, violão: Pepe Guerra
Voz: Anibal Sampayo
Acordeon, recitado: Antonio Tarragó Ros


Mariana Ingold

Mariana Ingold, talentosa na composição e excelente intérprete, concentrou sua música nos ritmos afro-americanos e, particularmente, no candombe. Seu voo melódico fez uma incursão com beleza também nos repertórios de murgas e, muito especialmente, no cancioneiro infantil. Nesta canção que apresentamos, o candombe soa estilizado, às vezes sugerido ou sustentado levemente pelo seu piano e pela percussão sutil e impecável de Osvaldo Fattoruso, com quem trabalhou em dupla durante muitos anos.

El Gran Misterio
(Mariana Ingold)
UY-A13-99-00001/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz, teclado, apitos: Mariana Ingold
Bateria, percussão, apitos: Osvaldo Fattoruso
Baixo: Federico Righi
Violões: Nicolás Mora


La Orquesta del Beat Invisible

A busca de fontes de identidade locais por parte de artistas voltados à música eletrônica provocou, no Uruguai, a mistura e a redescoberta (por parte das novas gerações) de obras de referência de décadas anteriores. Assim, entre outras experiências, surgiu um álbum de caráter coletivo (Remezclación) dedicado a reformular as canções de Eduardo Mateo e apresentá-las sob uma nova proposta, com um claro espírito de homenagem. Dali provém esta sugestiva Vieja Amiga, construída sobre "samplers" de La Mama Vieja, clássico de Mateo.

Vieja Amiga
(Eduardo Mateo/Ian Lampel)
UY-S05-08-00279/(p) Sob licença da Sondor
Baixo, produção: Ian Lampel
Sintetizador: Manuel Contreras
Produção adicional: Francisco Nasser
Contém samples de La mama vieja, de Eduardo Mateo


Cristina Fernandez e Washington Carrasco

Cristina Fernandez e Washington Carrasco escapam, não só devido a uma canção de gênero, da tradicional fórmula de duplas masculinas que Los Olimareños impuseram no Uruguai desde muito cedo. Com uma decidida aposta no repertório folclórico latino-americano, a incursão no cancioneiro de origem galego-português deu-lhes um perfil estético próprio. Esta milonga, homenagem aos imigrantes galegos, permite a Cristina soltar a sua expressividade como intérprete e o privilegiado registro de sua voz.

Para Manolo
(Alfredo Zitarrosa)
UY-A13-02-00001/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz: Cristina Fernández
Violão: Washington Carrasco
Violão: Ana Inés Zeballos
Bateria, percussao: Sergio Tulbovitz
Teclados, arranjos: Fernando Goicoechea


El Cuarteto

El Cuarteto foi, na sua origem e com integrantes diferentes, o grupo que acompanhava Alfredo Zitarrosa. Com a morte deste, começaram a trilhar uma carreira própria como grupo instrumental, mantendo o som característico dos violonistas de tango, que pulsam com plectro (ou palheta) as cordas de seu instrumento (três violões e um guitarrón), obtendo um som potente e pungente. Aqui soa um milongón, expressão musical que combina a milonga com o candombe.

Romance de las Llamadas
(Marchel Chaves - Luis Santana)
UY-A13-04-00001/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Violão: Fredy Pérez
Guitarrón (tipo de violão): Marcel Chaves
Violão: Silvio Ortega
Violão: Osvaldo Lagos


El Cuarteto de Nos

Trata-se possivelmente da banda mais original e pessoal do panorama do rock uruguaio. De longa trajetória, manteve o amargor, o "despreconceito" e um permanente estado de abertura em relação a todo tipo de corrente e moda musical, sem deixar de se parecer com eles mesmos. Chacota mordaz, humor negro ou ironia inteligente são os ingredientes que temperam suas melhores canções. Aqui simulam um ar punk, mas seus discos sempre são uma caixa de surpresas.

El Primer Oriental Desertor
(Roberto Musso)
UY-A13-94-00070/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz, violão: Roberto Musso
Violão: Riki Musso
Baixo: Santiago Tavella
Bateria: Álvaro Pintos


José Carbajal

Perfeito narrador, cronista de lugares e costumes, nostálgico e detalhista, José Carbajal "El Sabalero" revitalizou, no Uruguai, a chamarrita como forma musical, além de ser outro pioneiro na utilização de ritmos carnavalescos (marcha camión, candombe) na canção popular. Esta versão "ao vivo" é mostrada em pleno domínio de sua capacidade de comunicação com o público, prendendo-o com sua profunda meia-voz e a administração pausada e calma do "tempo" para desenvolver o relato e a canção.

Grillo Cebollero
(José Carbajal)
UY-C12-08-00081/(p) Sob licença da Bizarro Records
Voz, violão: José Carbajal "El Sabalero"
Piano: Fernando Goicoechea
Baixo: Gabriel Casacuberta
Violão: Roberto Elissalde
Gaita: Gonzalo Gravina
Percussão: Eduardo Elissalde
Percussão: José Bazán


Néstor Vaz Tango Trío

O uruguaio Gerardo Matos Rodríguez (1897-1948) compôs, em 1917, em Montevidéu, La Cumparsita como peça instrumental. Com o passar do tempo, a composição tornou-se a obra artística mais famosa desse país e a mais reconhecida internacionalmente. Referência ineludível ao falar de tango, teve milhares de versões. Esta que é executada pelo tocador de bandônion Néstor Vaz, pelo violonista Julio Cobelli e pelo contrabaixista Néstor Castro, três instrumentistas notabilíssimos, mantém um equilíbrio entre a bela simplicidade melódica original da obra e a necessidade de expressão dos intérpretes. O clima "de câmara" permite também que se desfrute o som tradicional do gênero

La Cumparsita
(Gerardo Matos Rodríguez)
ISRC: UYA130900012/(p) Sob licença da Orión
Bandoneon: Néstor Vaz
Violão: Julio Cobelli
Contrabaixo: Néstor "Cono" Castro


Jorge Lazaroff

A possível originalidade ou singularidade que se pode encontrar no cancioneiro uruguaio também está relacionada à capacidade de alguns de seus músicos de aprofundar e ampliar o conceito do "formato canção", geralmente a contracorrente e desafiando modelos estabelecidos. O "Choncho" Jorge Lazaroff (1950-1989) foi um apaixonado explorador de novos caminhos, como mostra esta obra. Os militares uruguaios, em tempos de ditadura, mantiveram fechados durante anos vários "reféns" de guerra em cisternas (poços construídos para armazenar água), sem luz nem contato humano. O "olho da cisterna", visto de dentro, do fundo do poço e do ponto de vista do prisioneiro, leva a esta viagem pungente e alucinada, minimalista em seus recursos e absolutamente isolada das estruturas habituais do que conhecemos como "canção".

El Ojo
(Jorge Lazaroff)
UY-A13-85-00001/(p) Sob licença da Ediciones Ayuí/Tacuabé
Voz, violão: Jorge Lazaroff


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