Gira S.O.L.

Gira S.O.L. (Sistema de Observação da Luz) é um projeto desenvolvido pelo grupo SCIArts de São Paulo que engloba diversas áreas: física, astrofísica, matemática, engenharia, mecânica , além das artes. Este sistema foi baseado no girassol que sobrevive buscando a luz do sol. O grupo então resolveu imitar a natureza e criou um protótipo que segue a mesma estratégia. Feito de material inteligente, o dispositivo se movimenta em busca da luz. Essa movimentação é possível graças a um material que volta sempre a sua forma original, previamente memorizada, quando é aquecido. Por isso ele é considerado inteligente.
Esse sistema interage com outras obras, com pessoas e com o ambiente. Essa memória que é injetada no material faz com que o girassol reaja diante das mudanças do ambiente, como se ele assumisse uma postura própria diante da vida.
Esta utilização poética da energia solar eleva o giras sol à categoria de arte.

Demolindo a Articulação de Espaço e Tempo como Dimensões Processionais
Chris Speed

A palestra de Chris Speed questionou as noções de tempo e espaço. Com todo o envolvimento nas redes , passamos a repensar onde estamos, quando estamos, e nos vemos obrigados a mudar nossa maneira de ver as coisas.
Os homens estavam acostumados a se expressar de maneira linear e o espaço e o tempo eram tomados como partes a serem analisadas separadamente.
Speed deu exemplos de como se perder no espaço e no tempo. No Reino Unido, se você está na Irlanda e quer mandar uma carta para a Irlanda do Norte, sua correspondência terá que ir até Londres para somente depois ser encaminhada ao seu destino. Esta é a hierarquia que sempre foi obedecida. Com a rede isto não precisa mais ser seguido.
Quando você viaja a um país estrangeiro, você gasta seu tempo com duas coisas: pensando que horas são no seu país e na relação do seu dinheiro com o do país visitado. A questão do tempo é muito importante para as pessoas. Todos vivem num mundo controlado pelo tic tac do relógio, enquanto deveríamos fazer a máquina funcionar a nosso favor. Com o uso das tecnologias, surgem estados alternativos de dimensão, através da realidade virtual podemos estar em qualquer parte , podemos criar novos sistemas de medida de tempo ou de distância.



Plugado, molhado e úmido: arte na beira da net
Roy Ascott

Para Roy Ascott a arte dos próximos 30 anos será a arte da consciência. Mas uma consciência dupla, uma mente aberta à ciberpercepção. Ascott usa o termo technoetic, que significa consciência + tecnologia. Ele engloba o antigo e o moderno, o espiritual e o artificial, o cósmico e o cultural. O corpo humano e os seres artificiais passam a ter um habitat em comum. É o desenvolvimento pós biológico. Uma troca entre o humano e o eletrônico, a moistmedia (mídia úmida). E com o surgimento desta nova realidade torna-se necessário um novo meio, uma nova arquitetura.Uma arquitetura onde o que importa não é o que sentimos sobre os lugares, mas o que os lugares sentem por nós, não o que as construções parecem para nós, mas o que nós parecemos para elas. Uma arquitetura capaz de se auto organizar, de se auto restaurar e até de perceber quais reformas são necessárias.
Pode-se questionar se este processo não fará com que o ser humano perca sua identidade e seu significado. Há uma preocupação em estar envolvido no nosso processo de desenvolvimento e tanto a identidade como o significado podem ser nossa criação.
A ciberpercepção nos permitirá entrar nos mundos interior e exterior de maneira profunda e rica, muito mais que através dos nossos sensos naturais. É possível estabelecer paralelos entre estes dois mundos. Roy Ascott considera que os avatares e agentes eletrônicos, por exemplo, correspondem no mundo natural às entidades de Candomblé e Umbanda.

textos e fotos: Fabia Fuzeti