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Subtraia o céu:
discutindo a estética científica e os aspectos filosóficos do desenvolvimento
interdisciplinar de um sistema colaborativo e suas interfaces interativas.
Mark Barthett, Sharon Daniel, Puragra Guhathakurta
O projeto Subtraia o Céu foi desenhado para a internet. É um sistema colaborativo que
estabelece uma nova forma interativa de arte pública. Através dele, os usuários
poderão acessar on line, um vasto arquivo de mapas, cartografias, sons e outros
instrumentos para que através deles possam criar seu próprio mapa. Poderão também
acessar as criações dos outros usuários e trocar informações.
O site ainda está em desenvolvimento, mas logo entrará em fase de testes. Há planos
também de disponibilizar telescópios com controle remoto que poderão ser manipulados
pelos usuários, assim eles terão a chance de observar o que desejarem.
O conceito de subtrair o céu significa eliminar todas as interferências para que
possamos nos concentrar apenas no nosso objeto de observação. O olho humano tem
dificuldade de enxergar as luzes mais fracas, principalmente contra uma luz brilhante. Se
excluirmos todo o céu, as interferências, restará apenas o objeto, que poderá ser
visto claramente.
O telescópio pode ser usado como máquina do tempo. Porque a luz que enxergamos foi
emitida no passado e levou muito tempo para chegar até nós. Quando vemos uma estrela,
percebemos o que ela foi há cerca de quatro anos atrás, pois este é o tempo necessário
para que sua luz chegue até nós. Ao observar uma galáxia estaremos fazendo uma viagem
no tempo de vinte, trinta milhões de anos! |
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Pensando o
espaço do artista
Maria Luiza Fragoso
Com a chegada dos meios eletrônicos o artista precisa adaptar seu modo de trabalhar.
A formação artística ainda está presa às antigas tradições de atelier, museus e
estúdios.
Mas há uma necessidade urgente de abandonar estes lugares que se tornaram inviáveis.
Produzir no atelier não é mais possível, pois é muito difícil levar para dentro dele
toda a tecnologia necessária. E também pela questão financeira.
Os museus e as galerias expunham e comercializavam as obras, mas a arte tecnológica não
tem muita rotatividade. Sua exposição acabou se deslocando para os institutos, centros
culturais e mostras especiais. Outra questão é que a arte é elitista, não é
usufruída por todos.
A arte contemporânea não visa representar, ela acontece.
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E o público
acontece junto com ela, ele participa. A obra tecnológica pode ser de dois tipos:
material e imaterial. Na material existe um corpo físico que interage com o público,
causando senseções. Já na imaterial as sensações são mediadas por máquinas, elas é
que interagem com as pessoas.
O corpo é essencial. E na era pós biológica há uma exaltação dele. Temos que ter
noção de corpo e nunca esquecer que ele está ali sentado em frente ao computador.
Maria Luiza acredita que nem todas as formas de arte podem se realizar plenamente com o
uso do computador. Ela mediou uma performance via internet onde duas artistas iriam
interagir de cidades diferentes, mas diversos problemas não permitiam que o contato
acontecesse. E quando aconteceu, a frustração foi grande, do ponto de vista artístico.
A interface era feia, o tempo não era real e não havia emoção. Na verdade o que
importa é o contato entre as pessoas, o desejo de se encontrar com alguém. |
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Mundos
possíveis: a ciência e a surpresa dos mundos artificiais
John Casti
Um dos paradoxos da vida é que o homem conhece mais sistemas científicos do que os
sistemas da sua vida diária, como sistemas bancário, de trânsito, de saúde ou médico.
A ciência avançou muito porque é possível realizar experiências repetitivas que nos
ajudam a entender como a coisas funcionam, como podem ser modificadas e aprimoradas. Mas
estes sistemas não têm muito a ver com os problemas que temos que resolver no dia-a-dia.
E os sistemas diários não podem ser experimentados. Não é possível devastar uma
floresta, por exemplo, para estudar as consequências disso. Os sistemas complexos são
compostos por agentes individuais, os componentes do sistema, que são inteligentes,
adaptativos e seguem regras. A informação é local. Isso significa que os agentes não
sabem tudo o que acontece em toda parte, apenas o que está ao redor. A essência destes
sistemas é a interação entre todas as partes e até então não adiantava dividi-los em
partes individuais para entender como eles funcionam separadamente.Mas com tantas novas
tecnologias, já se pode pensar em construir réplicas dos sistemas diários no
computador, que seriam equivalentes a verdadeiros laboratórios de pesquisa, e estudá-los
como um todo. Isso poderia ser muito útil no caso da construção de uma ponte visando a
melhoria do trânsito, por exemplo. |
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| Uma
simulação poderia mostrar se a ponte iria realmente melhorar o problema antes que uma
grande quantia de dinheiro fosse gasta inutílmente. |
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textos e fotos: Fabia Fuzeti |