Vox Populi: computação evolucionária para a evolução da música
Jonatas Manzolli, Artemis Moroni, Fernando Van Zuben, Ricardo Gudwin

O programa Vox Populi permite aos usuários compor ou modificar sons utilizando um sistema algorítmico e computação evolucionária que usa um vocabulário relativo à genética natural. Indivíduos são elementos da população e no programa eles correspondem a quatro notas ou a um grupo de quatro vozes composto por soprano, contralto, tenor e baixo e podem ser chamados de cromossomos. Eles são casualmente gerados e representados por 28 bits, divididos em quatro grupos de sete.
Cada acorde é avaliado em relação a três parâmetros: harmonia, melodia e oitava. Somando a pontuação total, os melhores são classificados e selecionados para serem usados na criação de sons (músicas, samples, ruídos, timbres etc). Quando um grupo é formado, ele é executado em forma de MIDI ou cantado em coro, e se repete até o momento que um novo grupo seja formado.
Pode ser feito crossover (troca de posição das notas na escala musical) ou mutação (introdução de novo elemento na escala) para compor novas melodias. O usuário tem controle sobre a forma da população. Ele pode mudar toda a configuração dos indivíduos, mudando o tom, o ritmo, criando algo novo.

Nota-Anna: uma visualização dos movimentos do corpo humano
Analívia Cordeiro

O trabalho de Analívia consite em testar os efeitos comportamentais dos novos instrumentos tecnológicos. Quem trabalha sentado na frente do computador, geralmente sente muitas dores. Normalmente os novos instrumentos causam dores e afetam o sistema emocional. Um indivíduo jogando videogame ou trabalhando no computador sofre de rigidez física, imobilidade e tônus muscular. Analívia propõe o desenvolvimento de instrumentos que proporcionem prazer, despertem a auto confiança e respeitem o funcionamento biológico do corpo. É preciso ficar alerta com produtos que são lançados no mercado somente com o intuito de gerar lucro, sem terem sido testados antes.
O movimento já era visto por antigos povos como um desenho no ar e com o advento das novas tecnologias tornou-se possível concretizar este desenho.
O software Nota-Anna visualiza todo o caminho do movimento no tempo e no espaço, mostrando toda sua expressão emocional. O movimento é captado por uma câmera que envia a imagem para o computador e a leitura é feita quadro a quadro tridimensionalmente. A liguagem usada é JAVA, podendo ser lida por qualquer máquina.

Infocorpos: desdobramento e potencialidades
Rejane Cantoni, Fernando Fogliano, Denise Garcia, Barbara Rauch, Daniela Kutschat, Lucila Tragtenberg, Milton Sogabe, Rafael Vasconcelos, Renato Hildebrand, Rosângella Leote


O Simpósio Invenção foi encerrado com a apresentação multimídia Infocorpos: desdobramentos e potencialidades, uma espécie de ópera eletrônica que uniu projeção, canto, vozes robotizadas e computadorizadas e um texto que funcionou quase como um resumo dos últimos quatro dias, pois englobou grande parte dos conceitos discutidos nas exposições.
Como explica o folder do trabalho: "um sistema fragmentado é agregado como um corpo líquido nas multi-sedimentadas realidades do evento. A capacidade do corpo líquido de transferência de dados pretende estimular múltiplas percepções dos sistemas mutáveis em tempo real e provocar associações e pensamentos não conhecidos."
Em seguida Otávio Donasci apresentou uma de suas videocriaturas. O trabalho já havia sido mencionado por Eduardo Kac na palestra de abertura como um dos mais importantes na história da arte eletrônica brasileira. Uma tela ajustada ao corpo do artista cria um ser híbrido, meio humano, meio eletrônico. Esse projeto começou a ser desenvolvido nos anos 80 antes de haver essa preocupação em se discutir esse possível caminho a ser trilhado junto pelas artes, ciência e tecnologia.

textos e fotos: Fabia Fuzeti