Mercado Iaô é um equipamento cultural localizado no bairro da Ribeira, em Salvador, na Bahia, que reúne música, artesanato, gastronomia, entre outras expressões artísticas, e que envolve comunidades locais e estimula a economia criativa da região. Responsável por dirigir o espaço, Teresa Carvalho conversa com o Observatório sobre suas atividades.

Teresa Carvalho é graduada em pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), mestre em estudos de linguagens pela mesma universidade e mestranda em administração e gestão social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Tem experiência de pesquisa em educação não formal e de ensino nas áreas de metodologia da pesquisa em educação, fundamentos da educação e política e gestão educacional. Atua como diretora de projetos na Associação Fábrica Cultural.

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Qual a proposta do Mercado Iaô e como ele surgiu?

O Mercado Iaô é um dos programas da Fábrica Cultural, uma organização com 11 anos de atuação em Salvador, na Península de Tapajipe. A gente trabalha basicamente com cultura, educação e desenvolvimento local. Começamos com uma pesquisa sobre as cadeias produtivas de Tapajipe e deparamos com um ativo social muito grande – muitos agrupamentos de costura, artesãos, produtores culturais – e, ao mesmo tempo, uma necessidade de reinventar esse espaço físico e simbólico. Então surge esse triplo desafio: circular essa economia local, dinamizar o território e estimular o espaço enquanto equipamento cultural. Fazemos uma gestão compartilhada com o Detran, que utiliza o espaço de segunda a sexta, sendo que o mercado funciona como centro de economia criativa nos fins de semana. Montamos e desmontamos a estrutura nesse ritmo. É um grande desafio.

E sobre a programação?

Recebemos shows com artistas locais e mais renomados, eventos de gastronomia (promovendo intercâmbio entre culinaristas), espaço infantil, desfile de moda, recital de poesia, exposição de arte e fotografia. É um multiespaço com uma programação bastante diversificada.

Como o Mercado Iaô, enquanto experiência de economia criativa, tem enfrentado esse momento de cortes de orçamento no setor da cultura?

Para que as pessoas entendam o Mercado: ele é um evento que se pretende sustentável. O seu primeiro passo foi um incentivo via Faz Cultura pelo qual a gente conseguiu aproximar dois parceiros privados. O nosso grande desafio agora, em tempos de crise, é pensar estratégias com as quais a gente consiga ter a participação de todas as pessoas envolvidas, desde os produtores de cultura e artesãos até público e consumidores. O financiamento é uma das opções e formas de sustentar uma ação cultural. Mas a gente acredita que, de maneira participativa, conseguimos fazer funcionar essa economia da cultura.

Em 2015, você participou do Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult) realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, e trouxe a experiência do Mercado Iaô para o evento. Como foi essa conversa com a universidade?

Foi extremamente positivo. A troca com a academia é sempre positiva, porque ela tem essa condição de sistematização de processos e compreensão de fenômenos contemporâneos. Minha própria trajetória universitária sempre foi voltada para a prática e instância do fazer e a economia criativa tem muito disso. Pude encontrar com a Claudia Leitão [ex-secretária nacional de economia criativa], que, além de debater a economia criativa no campo intelectual, também tem um ativismo muito grande nesse sentido e essa preocupação da busca por um modelo para o setor. Algumas das questões que surgiram no Enecult são perguntas que eu também tenho e também me faço: “O que era o Mercado Iaô enquanto projeto e o que é o Mercado Iaô hoje?”. Uma coisa é o que nós propomos e outra é a maneira como as pessoas se apropriam dele.

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