obra: Núcleo de Pesquisas Teatrais – Encontros Possíveis 2014
selecionado: Cia. Pessoal de Teatro

O caminho de Tatiana Horevitch e Juliana Capilé se entrelaça em Curitiba, passa por Ouro Preto, tem uma estadia na Dinamarca e se estabelece em Cuiabá. É na capital mato-grossense que elas iniciam o Núcleo de Pesquisas Teatrais – Encontros Possíveis. Agora em dezembro, o projeto chega à sua sexta edição e reúne pela primeira vez de dois grandes nomes do teatro contemporâneo: Eugenio Barba, fundador e diretor do Odin Teatret, e João Brites, do Teatro O Bando, de Portugal.

Agora em dezembro, o projeto Núcleo de Pesquisas Teatrais chega à sua sexta ediçãoO projeto é a concretização de um trabalho árduo que se iniciou há mais de 20 anos na Faculdade de Artes do ParanáDiretor Tarcísio Ramos Homem, de Belo Horizonte, em oficina realizada pelo Núcleo em 2011

O evento também terá a participação, entre outros, de Julia Varley, do Odin, de Amauri Tangará, representante do teatro de Mato Grosso, e do ator, diretor e professor Luiz Carlos Garrocho.

Outra novidade é que o núcleo se expandirá para o interior do estado. Em novembro, o evento foi realizado no município Primavera do Leste ‒ aproveitando o público que estará presente para participar dos festivais de teatro Velha Joana e da Amazônia Mato-Grossense, que se uniram desde o ano passado.

Para Tatiana e Juliana, o projeto é a concretização de um trabalho árduo que se iniciou há mais de 20 anos na Faculdade de Artes do Paraná. O curso de teatro não foi concluído, porque não as interessava a parte pedagógica. Foi ali, no entanto, que elas se conheceram e tiveram a primeira vivência de grupo de teatro com As Bacantes.

De lá seguiram para Minas Gerais e encontraram a formação que tanto queriam: direção teatral. Tatiana e Juliana integraram a primeira turma do curso na Universidade Federal de Ouro Preto (UFPO) e também montaram a primeira peça – chamada Primeira Pele ‒ do grupo Cia. Pessoal de Teatro. Além das duas, a cantora Karla Izidro era a terceira integrante da iniciativa.

O nome da companhia foi escolhido como representação da linha de pesquisa que elas seguem até hoje: partir do micro para o macro. “Essa busca do indivíduo como princípio de uma grande história”, explica Juliana.

Concluída a graduação, enquanto Karla permaneceu na cidade histórica mineira Tatiana e Juliana decidiram mudar para Cuiabá. Como Juliana já era da capital mato-grossense, elas acharam que poderiam fazer alguma diferença em uma cidade onde a formação e as possibilidades na área ainda eram (e são) escassas. “Cuiabá não tem curso de teatro até hoje, estamos batalhando para conseguir, mas não tem. Não tem graduação em artes cênicas. Nada. A gente estava a fim de trabalhar em um lugar e realmente construir alguma coisa”, explica.

Foi esse mesmo ideal que as impulsionou a começar o Núcleo de Pesquisas Teatrais. “Os grupos de teatro que existem lá são bastante interessantes, mas cada um com seu trabalho. E a gente queria fomentar um estudo mais eficiente das artes cênicas, uma troca entre esses grupos”, explica Juliana. Tatiana acrescenta que a ideia era criar um movimento de teatro para fortalecer o segmento no estado e uma força política que possa exigir melhorias, como a construção de um teatro municipal em Cuiabá.

A primeira edição do evento criado pelo núcleo de pesquisa aconteceu em 2009. Elas começaram convidando amigos, artistas, professores e pesquisadores que conheceram em Minas Gerais e em outros locais Brasil afora para ir até lá e compartilhar seus conhecimentos e suas experiências por meio de palestras e oficinas.

Em 2012, depois de uma residência artística no Odin Teatret, na Dinamarca, referência do teatro contemporâneo mundial, elas resolveram ousar e chamar artistas da companhia internacional para participar do núcleo. O que parecia impossível deu muito certo. O núcleo contou com a presença do ator e músico Jan Feslev e da atriz, professora e escritora Roberta Carreri. E, a partir daí, esse tipo de ação passou a se chamar Encontros Possíveis.

Durante todo esse tempo, elas continuaram com a criação e apresentação de espetáculos à frente da Cia. Pessoal de Teatro. Atualmente, além delas, Daniela Leite também integra o grupo: “A gente batalha para conquistar espaços e dar visibilidade ao teatro mato-grossense”, finaliza Juliana.