A Ocupação Laura Cardoso pode ser visitada até dia 30 de abril, no Itaú Cultural, e durante esse período – além das intervenções cênicas O Direito de Cantar, que acontecem às terças-feiras – o espaço expositivo recebe uma série de leituras dramáticas. Diretoras de diferentes gerações foram convidadas para trabalhar cada um dos textos que serão apresentados às sextas e aos sábados, às 19h. Todos estes são de peças em que Laura Cardoso atuou: A Casa de Bernarda Alba, Casa de Bonecas, Vereda da Salvação, Vem Buscar-Me que Ainda Sou Teu, Antígona, Outono, Inverno e Terra Estrangeira.

Nos dias 10 e 11 de março, com direção de Gabriela Mellão, será apresentada a leitura de Casa de Bonecas, texto de Henrik Ibsen com tradução de Aderbal Freire Filho e Karl Erik Scholhammer. A peça, escrita em 1879, foi encenada nos principais teatros escandinavos e gerou muitas polêmicas, já que denunciava a exclusão das mulheres na sociedade burguesa.

Na semana seguinte, nos dias 17 e 18, Luciana Lyra comanda a leitura de Antígona, de Sófocles, com texto traduzido por Millôr Fernandes. A tragédia grega foi escrita por volta de 442 a.C. e é cronologicamente a terceira peça de uma sequência de três, embora tenha sido a primeira a ser criada. Na tragédia, Antígona, filha de Édipo e Jocasta, quer enterrar de acordo com a religião o seu irmão Polinice, mas entra em choque com Creonte, rei de Tebas, que havia determinado que o corpo deveria permanecer insepulto.

O texto Outono, Inverno, de Lars Norén – com tradução de Leon Rabelo –, é apresentado nos dias 24 e 25, com direção de Denise Weinberg. A comédia conta a história de uma família à beira de um colapso coletivo, tentando desesperadamente recuperar a solidariedade de uns com os outros.

Em A Casa de Bernarda Alba, com dramaturgia de Federico García Lorca, a personagem central é uma matriarca dominadora que mantém as cinco filhas – Angústias, Madalena, Martírio, Amélia e Adela ¬– sob vigilância implacável, transformando a casa onde vivem em um caldeirão de tensões prestes a explodir a qualquer momento. Com direção de Maria Thaís, a leitura dramática acontece nos dias 31 de março e 1o de abril.

Nos dias 7 e 8 de abril, a diferença fica por conta do tipo de texto trabalhado: um roteiro cinematográfico. A leitura de Terra Estrangeira ganhou direção de Naruna Costa. Originalmente escrito por Daniela Thomas, Walter Salles e Marcos Bernstein, o roteiro tornou-se longa-metragem em 1996, com a participação de Laura Cardoso. O filme trata da solidão vivida pelos imigrantes e conta a história de Paco, que deseja conhecer a terra de sua mãe. Após a morte desta e sem dinheiro por causa do confisco promovido pelo presidente Fernando Collor de Mello, Paco aceita entregar um pacote misterioso em Portugal em troca do custeio da viagem.

Nos dias 14 e 15, com direção de Malú Bazán, será apresentada a leitura de Vereda da Salvação, de Jorge Andrade. A peça revela a história de trabalhadores que estão prestes a participar de uma peregrinação religiosa. Para que a viagem seja bem-sucedida, é necessário que todos confessem seus pecados. Antes da partida, um embate entre o líder comunitário e o religioso questiona a fé de todos os personagens. O espetáculo foi encenado em 1993 por Laura Cardoso, Luís Melo e elenco.

Finaliza a série de apresentações, nos dias 21 e 22 de abril, a leitura de Vem Buscar-Me que Ainda Sou Teu, texto de Carlos Alberto Soffredini que ganhou direção cênica de Renata Soffredini, filha do autor. Baseado num trecho da peça Coração Materno, escrita por Alfredo Viviani, o enredo fala sobre o dia a dia de uma quase falida companhia mambembe de circo-teatro, que tem em seu repertório de representações justamente a peça de Viviani. Por sua atuação no espetáculo, Laura Cardoso recebeu seu primeiro Prêmio Shell, em 1990.

Para mais informações sobre as leituras, como classificação indicativa, horário e duração, acesse a aba Programação. Saiba mais sobre a exposição e as outras atividades que integram sua programação aqui.