| ademir assunção: o ser humano no centro de tudo
por Micheliny Verunschk
“O vento frio me mata/ Um beijo me recria/ Quem sabe uma noite inteira/ Ou na metade de um dia/ Ela pise com patas de pantera/ Sobre essas páginas frias/ Elegante como quem volta/ Sem saber onde ia”
Ademir Assunção
Ademir Assunção é poeta, ficcionista e letrista de música. Publicou Lsd Nô (1994), A Máquina Peluda (1997), Cinemitologias (1998), Zona Branca (poesia, Editora Altana, 2001) e Adorável Criatura Frankenstein (2003). Atento à trama sonora da linguagem poética, que Ezra Pound vai chamar de melopéia, Assunção dialoga com os poetas provençais, com Rimbaud, Mallarmè e ainda com o rock de Frank Zappa e o jazz de Miles Davis.
Sua relação com a oralidade e a convivência com a música definiu sua poética: “Para mim, ler os poemas de que gosto em voz alta os torna mais palpáveis. Eles ganham uma outra dimensão” .
Para o poeta, a grande tecnologia será sempre a humana, a inteligência, a sensibilidade e a percepção: “As novas tecnologias apenas como suporte não têm tanto interesse se não fizerem parte de um trabalho rigoroso com a linguagem, coisa que pouca gente, como Augusto de Campos, por exemplo, realiza. A perfumaria tecnológica por si, não diz nada.”
Criador do nome do festival Outros Bárbaros , Assunção opõe artistas que realizaram importantes rupturas em dado momento histórico mas depois foram institucionalizados pela mídia a artistas que hoje expõem seu potencial criativo quebrando regras e normas: “Um pouco de barbárie faz bem ao bom comportamento. Bárbarie como mais força, mais alegria, mais humanidade”, finaliza.
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