| frederico barbosa: poesia contra o caos
por
Thiago Rosenberg
A poesia é uma forma de ordenar o caos do mundo. Ela deve ser realizada de forma consciente, racional. É assim que pensa o poeta Frederico Barbosa. Não é à toa que, na sua opinião, “o surrealismo é a maior enganação da história da arte”.
Grande admirador da poesia concreta, Barbosa considera Augusto de Campos “o maior poeta vivo do mundo”. Mas sua obra não é um mero reflexo desta admiração. “Não trabalho com poesia visual”, diz o poeta, que já ganhou o prêmio Jabuti pelo livro Nada Feito Nada (ed. Perspectiva), de 1993.
O autor participa, ao lado da professora Clenir Bellezi de Oliveira e do músico Marcelo Ferretti, do grupo Viva Voz. O projeto, iniciado em 2003, apresenta recitais de poesia contemporânea, com o objetivo de dar destaque a novos talentos, como Ademir Assunção e Ricardo Aleixo – ambos presentes na programação do Itaú Cultural.
Em Outros Bárbaros , o grupo exibe o recital Pedras de Raio . “O termo tem significado duplo”, diz, “no dicionário, significa meteorito , mas também é utilizado em rituais afro-brasileiros, como expressão que remete à idéia de magia ”. O que difere este dos outros recitais do Viva Voz é que, aqui, os textos e canções apresentados são todos de autoria de Barbosa.
O poeta considera fundamental o emprego das novas tecnologias na poesia. “Mas essa utilização não pode ser gratuita, o artista deve dominar o meio”, afirma, após citar novamente Augusto de Campos como um poeta à frente do seu tempo. “Ele realizava trabalhos que, na época, não eram executáveis. Produzia poemas coloridos na década de 50 e hoje faz obras com Flash [software de criação da Macromedia].”
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