| celso borges: pintando poemas
por Micheliny Verunschk
"A césar o que é de
césar;
aos poetas, tudo:
dor, fúria, melancolia."
Celso Borges
Celso Borges, poeta maranhense, estréia em 1981 com Cantanto . Já nesse primeiro trabalho, a preocupação visual se faz presente na obra do artista que é marcada por um diálogo mais estreito com as artes plásticas, com as experimentações com colagens e cópias xerográficas da tradição marginal dos anos 70 do século XX e com a fotografia. Segundo Borges, em seu processo de criação a imagem tem papel privilegiado: ele “pinta” poemas.
Em sua trajetória, passou da influência do Poema Sujo de Gullar (no livro No Instante da Cidade , de 1983) aos ecos da geração beatnik. É dessa época sua “militância” na Academia dos Párias, grupo experimental maranhense. Em 1989, o poeta migra para São Paulo e lança Persona Non Grata , com um olhar concreto sobre a experiência urbana. 21 (2000) é um marco na obra do autor, que partindo da “inauguração” do novo século e do seu aniversário de 21 anos de carreira, escolhe 21 parceiros para este livro-CD, entre eles nomes como Zeca Baleiro, Chico César e Rita Ribeiro: “Em‘21' pude descobrir novas sonoridades para meu texto. A música consolida a minha poética, a relação com os beats e com hip-hop, por exemplo, possibilita a reconquista da palavra pela poesia”, afirma Borges .
Para ele, por mais que a poesia dialogue com os formatos digitais, o livro impresso persistirá no tempo. Seu próximo trabalho, Música, a ser lançado em dezembro pela Editora Medusa, embora tenha como mote interferências sonoras e musicais e brinque com a forma de um antigo compacto de vinil, é essencialmente um livro. Este novo livro-CD conta com a participação de mais de 50 artistas.
Sua apresentação no evento Outros Bárbaros , do Itaú Cultural é resultado de uma experiência quase artesanal, como ele mesmo define, com o DJ Otávio Rodrigues. Poesia Dub foi desenvolvido ao longo dos últimos três anos e foi apresentado na edição 2004 do Tim Festival e do Baile do Baleiro .
Para Borges, o poeta é o bom bárbaro sem ser bonzinho: “O poeta devasta, instiga. Estamos na guerra do mundo.”
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