chacal: contra a hegemonia da palavra escrita
por Thiago Rosenberg

Em 1971, um jovem poeta carioca mimeografou 100 cópias de seu livro de estréia, Muito Prazer . Ricardo de Carvalho Duarte, ou Chacal, então com 20 anos, passava de bar em bar, tentando vender a obra. Hoje, reconhecido como uma das figuras centrais da poesia marginal, o artista tem 13 livros publicados. Cronista, diretor artístico e produtor cultural, já trabalhou em parceria com músicos como Lulu Santos, Fernanda Abreu e Roberto Frejat.

A grande influência de Chacal foi a poesia de Oswald de Andrade. “Gostava muito de seus poemas curtos, bem humorados, poemas Kodak, como ele definia”, conta.

“A poesia sobrevoa tudo desde quando a palavra foi inventada”, diz, referindo-se à relação do trabalho poético com as novas tecnologias. Tal afinidade, na opinião do poeta, é produtiva, já que possibilita “quebrar a hegemonia da palavra escrita”.

Em parceria com o guitarrista Mimi Lessa, Chacal faz parte dos Irmãos Abdalla, que se apresenta esporadicamente há 20 anos, mesclando música e poesia no palco. Os dois se conheceram quando Lessa participava do grupo Liverpool Sound, pioneiro no cenário do rock porto-alegrense. Em Outros Bárbaros, levadas de rock embalam obras da carreira de Chacal, com citações dos Rolling Stones e Lou Reed.

Quanto à posição dos poetas diante da barbárie do mundo, Chacal crê que eles “se colocam tanto como observadores de alta sensibilidade quanto gladiadores, tentando modificar alguma coisa”. Ele diz que “a principal função do poeta, e da palavra, é registrar, alertar e modificar”.