artur gomes: soldado da palavra
por Thiago Rosenberg Quando Artur Gomes, então aos 18 anos de idade, foi convocado a servir aos Dragões da Independência, sua futura ocupação com a escrita estava determinada. Sentia-se deslocado, angustiado, e passou a escrever cartas para seus conhecidos e familiares de Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro. “Era a forma que tinha para falar com os outros”, lembra.
Poeta, ator e arte-educador, Gomes escreve e recita poemas desde os anos 70. Em 1983, criou o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira, que, 10 anos depois, venceu o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), na categoria realização do ano.
Depois de muito ler as obras de Mário de Andrade, especialmente Macunaíma , o artista idealizou o projeto musical Fulinaíma. Criada em 2000, a banda apresenta um diálogo entre a poesia e diversos estilos musicais. O CD Fulinaíma Sax Blues Poesia , lançado em 2002, conta com Gomes na voz, Dalton Fleire no sax e Luiz Ribeiro na guitarra, em um trabalho mais voltado ao rock e, logicamente, o blues.
Em Fulinaíma: Outras Vozes/Outras Falas , programa apresentado em Outros Bárbaros , o poeta explora o rock, o blues e outras sonoridades e diz ter atingido o verdadeiro propósito da banda. “O significado do termo é algo como um ‘caldeirão de misturas', e a nossa intenção é justamente misturar sons, influências”, explica Gomes.
Poeta que começou a escrever com a intenção de fugir da solidão e da angústia no exército, diz que “todo artista, de certa forma, vive a barbárie do mundo, mas os seus discursos devem ser justamente a favor da anti-barbárie”. |