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100 Paulo Emílio

O Grande Ditador (1940), um dos clássicos de Charles Chaplin

No domingo 18 de dezembro, às 20h, o Auditório Ibirapuera – em parceria com a Cinemateca Brasileira e a Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo (FapUnifesp) – exibe para a plateia externa da casa o filme O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940), um dos clássicos de Charles Chaplin. A sessão especial faz parte das comemorações do centenário de nascimento de Paulo Emílio Sales Gomes (1916-1977), militante político, fundador da Cinemateca Brasileira e do curso de cinema da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), professor, historiador, escritor e crítico de cinema.

Segundo Olga Futemma, coordenadora-geral da Cinemateca Brasileira, a ideia das homenagens a Paulo Emílio e dos eventos realizados durante este ano surgiu no final de 2015, quando, em uma iniciativa do professor Carlos Augusto Calil, foi estabelecida uma parceria entre o Cinema da USP (Cinusp), a Cinemateca e o Instituto de Políticas Relacionais (IPR). O projeto 100 Paulo Emílio, que desde o início foi pensado para ser realizado por jovens da universidade e da Cinemateca, previu um conjunto de atividades – como exibição de filmes, debates, cursos e seminários, em diversos locais de São Paulo – que permitissem abordar a personalidade do intelectual em suas várias atuações.

“A ideia é reconhecer a atualidade do pensamento de Paulo Emílio”, explica Olga. “A força de sua atuação institucional, comprovada pela ECA/USP e pela Cinemateca Brasileira, que lhe devem a existência e suas feições; a grandeza de sua presença como professor e crítico de cinema que levou, entre outros resultados positivos, a uma profunda valorização da produção e da percepção do cinema brasileiro. É uma influência que, felizmente, tem acompanhado as gerações.”

A coordenadora-geral da Cinemateca acrescenta que o homenageado faz parte de um grupo de intelectuais – como Décio de Almeida Prado e Antonio Candido de Melo e Souza – que deixaram uma contribuição marcante para a cultura brasileira, sendo impossível falar de cinema brasileiro sem se referir ao trabalho de Paulo Emílio, às suas reflexões e ao seu incentivo constante à pesquisa e aos estudos históricos sobre a produção, o mercado, o ensino e a preservação do audiovisual brasileiro.  

“Ele mostrou que o cinema é uma expressão artística para muito além do entretenimento e, como tal, deve ser analisado, refletido e mantido (isso em um tempo em que os filmes eram considerados nada além do que divertimentos descartáveis)”, diz Olga. “Ele empreendeu uma luta enorme em prol do reconhecimento do cinema brasileiro […] Foi quem primeiro identificou a necessidade de salvaguardar a memória do audiovisual brasileiro que habita em rolos de filmes, na documentação relacionada à nossa filmografia, na difusão qualificada do cinema, na permanência desse acervo para conhecimento das futuras gerações.”

A escolha do filme O Grande Ditador para a sessão especial no Auditório Ibirapuera, segundo a coordenadora-geral da Cinemateca, se deu porque Paulo Emílio dedicou diversos textos aos grandes nomes do cinema do século XX, como Jean Vigo, Erich von Stroheim, René Clair, David Griffith, Jean Renoir, Sergei Eisenstein, Federico Fellini, Orson Welles, Alain Resnais e Charles Chaplin. “Decidimos por Chaplin por causa de sua grande popularidade e por O Grande Ditador porque se trata de um dos mais belos filmes do universo chapliniano”, explica.

Uma boa notícia, de acordo com Olga, para os amantes do cinema e admiradores de Paulo Emílio é que está prevista para este ano ainda a disponibilização on-line de documentos de seu arquivo pessoal e para o início de 2017 a publicação de um livro, organizado pelo Cinusp, com textos de jovens pesquisadores e críticos, sobre sua vida e obra.

100 Paulo Emílio
domingo 18 de dezembro de 2016
às 20h
[duração aproximada: 130 minutos]

Entrada gratuita [plateia externa]

[livre para todos os públicos]