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Filmes e Vídeos de Artistas na Coleção Itaú Cultural

˜Cinema˜, de Eder Santos, obra exibida na exposição (Foto: Frame de vídeo)

O audiovisual para além das salas escuras dos cinemas: outros modos de estar no espaço, outros modos de experimentar um filme, outros modos de ver. De 18 de fevereiro a 29 de abril de 2017, a mostra Filmes e Vídeos de Artistas na Coleção Itaú Cultural é exibida em Ribeirão Preto, em São Paulo, em uma parceria do Itaú Cultural e do Instituto Figueiredo Ferraz.

A abertura, no dia 18, ocorre das 16h às 19h30. Nesse dia, o curador da exposição, Roberto Moreira S. Cruz, fará uma visita guiada, a partir das 17h30. O horário de visitação nos demais dias é das 14h às 18h, de terça a sábado.

Filmes e Vídeos de Artistas na Coleção Itaú Cultural reúne obras na interseção entre cinema e artes visuais, abrangendo os pioneiros do gênero – como Nelson Leirner, Regina Silveira e Anna Bella Geiger – e criadores mais recentes, como Paulo Bruscky, Rafael França e Letícia Ramos.

Na aba Vídeos, assista a entrevistas com os artistas da exposição.

A Coleção Itaú Cultural compõe o acervo de obras de arte do Itaú Unibanco, que reúne cerca de 13 mil pinturas, gravuras, fotografias, esculturas, instalações e outros itens. Reunidos por cerca de 60 anos, delineiam a arte nacional e integram a maior coleção artística de uma companhia privada na América Latina.

Veja também os textos do fôlder da exposição:

Por que Vídeo?

Ao alcance da mão, você provavelmente tem um dispositivo capaz de exibir e gravar vídeos. Com a mesma probabilidade, você dedica boa parte do dia a ver conteúdo audiovisual em sites cómo o YouTube. O video hoje é um meio de se informar, de se comunicar, de se divertir. Constrói a nossa memória e é um modo de nos colocarmos no mundo.

Essa condição, essas possibilidades você compartilha com o artista. Por isso, as obras exibidas em Filmes e Vídeos de Artistas na Coleção Itaú Cultural são próximas da nossa experiência.

Gravamos, fotografamos e registramos também porque é simples. Na década de 1970, a facilidade de uma tecnologia nova estimulou os artistas a experimentar –são os casos de Regina Silveira e Anna Bella Geiger. Na atualidade, criadores cómo Cao Guimarães falam a respeito da gravação livre e de cómo ela cria oportunidades para que algumas obras surjam do acaso.

Nesse sentido, o que pode ser interessante nas obras exibidas é o modo como extrapolam o contato cotidiano com as imagens em movimento – desde a escolha do que filmar, passando pela forma cómo é filmada, até o equipamento usado. Cada jeito de usar a tecnologia tem um sentido.

Já a disposição dos trabalhos em uma sala é uma quebra com um formato conhe­cido – no cinema, ficamos imersos na escuridão, grudados à cadeira, olhos fixos à frente. Em uma exposição, vamos e voltamos; a visita tem duração e percursos sugeridos mais do que predeterminados. Também falta a urgência das notificações das redes sociais. É outra relação entre corpo, espaço e tempo.

O que mais é diferente entre as suas experiências anteriores e as possíveis na exposição?

A Arte é uma Troca

“A obra de arte não tem uma função exata, como, por exemplo, uma pasta de dente”, comenta o artista visual Cao Guimarães em entrevista ao Itaú Cultural. “Não tem uma função objetiva direta e você não sabe o que mudou.” Com a pasta, lembra ele, você pode notar se o seu dente ficou limpo. Mas, com a arte, “você não sabe se o seu cérebro ficou mais limpinho ou se o seu curacao ficou mais aberto. Alguma coisa mudou em você, mas você não sabe o que é isso exatamente”.

Algo parecido expressa Letícia Ramos, outra artista que compõe a mostra. Diz ela que um trabalho artístico “vai causar estranhamento, vai causar várias sensações, vai se comunicar com você, ou não vai se comunicar com você ou vai se comunicar com você dois meses depois, um ano depois”. É uma experiência, portanto, duvidosa, difícil de delimiter e, em muitos sentidos, diferente para cada pessoa.

Mais do que funções, parece que as obras criam relacionamentos; é o que se percebe nas palavras de Leandro Lima. Segundo ele, não se trata tanto de ter disciplina, porém, cada contato tem suas possibilidades: “A gente quer que você consiga se relacionar com a obra já nos primeiros dez segundos. E que você tenha conteúdo para dois minutos. Se você tiver 20 minutos, ainda vai poder ter mais alguma coisa com esse trabalho”.

Desse modo, o que importa é como você faz o seu percurso pelas obras. De acordo com Thiago Rocha Pitta, “Nada é de graça, tudo é uma troca. Você dá alguma coisa para receber”.

Filmes e Vídeos de Artistas na Coleção Itaú Cultural

abertura
sábado 18 de fevereiro de 2017
das 16h às 19h30

Visita guiada
com o curador Roberto Moreira S. Cruz
às 17h30

Visitação
terça 21 de fevereiro a sábado 29 de abril de 2017
terça a sábado
das 14h às 18h

Entrada gratuita