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Navegando pela Enciclopédia: Elza Soares | INSCRIÇÕES ENCERRADAS

O músico, compositor, historiador e pesquisador Salloma Salomão (Foto: Grazii Ribeiro)

>>INSCRIÇÕES ENCERRADAS

Em 23 de junho, a cantora Elza Soares faz 80 anos e é homenageada no Navegando pela Enciclopédia. O programa, criado com o apoio da Enciclopédia Itaú Cultural, tem como objetivo dialogar com a obra de grandes artistas brasileiros. A atividade será conduzida pelo músico, compositor, historiador e pesquisador Salloma Salomão.

Elza cresceu na periferia do Rio de Janeiro e carrega consigo a história de muitas mulheres negras. Casada pela primeira vez na adolescência, enfrentou grandes dificuldades para seguir a carreira de artista. Ao longo dos anos, realizou parcerias com grandes nomes, como na canção “Língua”, ao lado de Caetano Veloso. Além disso, interpretou músicas de Lupicínio Rodrigues, Dorival Caymmi, Tom Jobim, Chico Buarque – mas apenas recentemente se formou como autora-compositora.

Em 2015, Elza lançou o disco A Mulher do Fim do Mundo, o primeiro de sua carreira com músicas inéditas. A produção foi vencedora em mais de uma premiação, levando inclusive o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de MPB. Mas a trajetória da carioca não se restringe ao meio musical, e esse foi um dos motivos que mais chamaram atenção do condutor do Navegando pela Enciclopédia. “A memória que eu tinha da Elza era recente, cantando ‘Malandro’, já marcada por uma história bem forte da sua relação com o Garrincha. Uma imagem muito estigmatizada”, conta Salloma. “Estou encontrando agora produções anteriores dela – no cinema, por exemplo. É muito impressionante, é uma carreira com performance de rosto, de movimento, de expressão para a câmera que eu não tinha dimensão.”

Nesse sentido, a produção artística de Elza se multiplica em pontos de destaque e merece dedicação para ser compreendida. Salloma pretende, no encontro, abordar algumas questões em relação à artista. Qual tem sido e qual pode vir a ser o lugar da mulher negra na constituição da cultura musical no Brasil? Pensando de forma geral, qual é o lugar de Elza nesse universo? E, por último, uma abordagem sobre a figura da cantora: o que é fato, o que é mito, o que é estigma e o que é autoconstrução? O que ela construiu e o que a mídia fixou sobre ela?

Os eixos trazem uma linha de condução para a atividade, mas não se fecham em si. A observação sobre a obra de Elza é ampla e por vezes traz outras discussões pertinentes. Salloma destaca, por exemplo, a potência de técnica vocal da cantora, que apesar dos anos perdeu pouco da potência de emissão e timbre quando comparada a outras vozes da música brasileira. “A postura e a força de palco, recentemente, são de um mote mais contundente e assertivo, dizendo o que o mercado uns tempos atrás não aceitava”, diz ele. “Isso traz duas análises: uma politização crescente da sociedade sobre a questão negra, da diversidade sexual, da politização da afetividade. A segunda é sobre um desprendimento natural de uma velhice saudável. Não preciso mais fazer tanta concessão, querer agradar todo mundo. Falo o que penso, crio minha pauta sobre o mundo, o sexo, a beleza, o racismo.”

Navegando pela Enciclopédia: Elza Soares | INSCRIÇÕES ENCERRADAS
sexta 23 de junho de 2017
às 20h
[duração aproximada: 90 minutos]
Sala dos Pôsteres – 40 vagas

[livre para todos os públicos]

Acessível em Libras