Os ensaios apresentados visam traçar a história da experiência do teatro de grupo em seus diversos momentos na trajetória do moderno teatro brasileiro, com base em suas formas de produção. Para tanto, pesquisadores foram convidados a escrever sobre diversos períodos.
TEATRO DE GRUPO NOS ANOS 1990: UM NOVO ESPAÇO DE EXPERIMENTAÇÃO
André Carreira (Brasil) é doutor em teatro pela Universidade de Buenos Aires, diretor do Grupo Experiência Subterrânea, professor do programa de pós-graduação em teatro da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e autor de Teatro Callejero en la Argentina y en el Brasil en los Años 80.
Essa nova geração de grupos, aparentemente carente de modelos de trabalho, dirigiu sua atenção para espaços de experimentação, mas uma das marcas que nos ajudam a compreender essa tendência foi a relação com a própria noção de “grupalidade”. Isso implica dizer que o grupo, enquanto estrutura organizativa e forma geradora do trabalho criativo, passou a constituir um ponto-chave nesse processo. (Leia o Texto na Íntegra)
A DÉCADA DO RENASCIMENTO DOS COLETIVOS TEATRAIS
Beth Néspoli (Brasil) é repórter e crítica especializada em teatro, atualmente escreve no Caderno 2, do jornal O Estado de S. Paulo.
A década de 1990 dá início ao renascimento do teatro de grupo, entendido aqui como um coletivo com projeto artístico, pesquisa permanente e busca de inserção social, algo que havia sido pulverizado a partir de 1968, com o acirramento da censura, a perseguição política durante o golpe militar e o conseqüente exílio de muitos criadores da área teatral. (Leia o Texto na Íntegra)
GRUPO DE TEATRO, UM PERCURSO HISTÓRICO
Edélcio Mostaço (Brasil) é professor universitário, pesquisador, ensaísta e, entre outros trabalhos, autor de Teatro e Política: Arena, Oficina e Opinião. Foi um dos redatores da Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro.
Nos anos de 1970 duas correntes se manifestam: uma ligada à militância, atuando na periferia das grandes cidades, levando a resistência até seu limite; outra adepta de novos formatos de linguagem, egressa de escolas de teatro ou cursos de formação. Em comum, ambas posicionam-se como grupos teatrais fora do mercado, embora professem ideários sociopolíticos e estéticos bastante diversos. (Leia o Texto na Íntegra)
O TEATRO DE GRUPO E ALGUNS ANTEPASSADOS
Iná Camargo Costa (Brasil) é professora do Departamento de Teoria Literária da Universidade de São Paulo (USP), ensaísta, pesquisadora e autora dos livros A Hora do Teatro Épico no Brasil (1996), Sinta o Drama (1998) e Panorama do Rio Vermelho (2001).
Como os demais tópicos do nosso cardápio ideológico, no Brasil o naturalismo foi durante muito tempo uma idéia fora do lugar. Com isso quero dizer que, além de ter sido neutralizado teoricamente por adeptos e adversários, principalmente no campo da literatura, no teatro nunca passou da condição de objeto de desfrute para freqüentadores de teatro que nunca tiveram muito interesse por seus pressupostos sociais e estéticos. (Leia o Texto na Íntegra)
DO ARENA AO ATO INSTITUCIONAL Nº 5
Mariangela Alves de Lima (Brasil) é crítica de teatro do jornal O Estado de S. Paulo.
O Ato Institucional Nº 5, em dezembro de 1968, reconhecerá no conceito de “grupo teatral” a fagulha insurgente que efetivamento o anima. Mas, então, um pouco mais longe, ergue-se outra labareda. (Leia o Texto na Íntegra)
GRUPOS DE TEATRO NOS ANOS 70
Silvia Fernandes é professora do Departamento de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP), autora dos livros Memória e Invenção: Gerald Thomas em Cena (1996) e Grupos Teatrais, Anos 70 (2000) e organizadora do livro Teatro da Vertigem. BR-3 (2006). Fez pós-doutoramento na Universidade de Paris 8.
Pois é exatamente no período em que o país atravessa a repressão ditatorial, com o desmantelamento das universidades, dos movimentos sindicais, dos focos de resistência da sociedade, com o assassinato, nos porões da tortura, de operários, professores, jornalistas e militantes, e com a asfixia das potencialidades criativas, que esses pequenos núcleos de teatro, formados por jovens inexperientes em técnicas e repertório, recém-saídos de cursos livres ou de departamentos de artes cênicas, em geral egressos das classes médias urbanas, iniciam a prática da criação coletiva. São eles os responsáveis pela abertura, ainda tímida, de uma oposição teatral produtiva à situação de arrocho econômico e paralisia criativa. (Leia o Texto na Íntegra)
CADA QUAL EM SEU QUINTAL SOB O CÉU DO OUTRO
Valmir Santos (Brasil) é jornalista e mestrando em artes cênicas.
Há pouco mais de seis décadas do início da moderna fase da produção teatral brasileira, é com alento que deparamos com coletivos formados nestes anos 2000 e, nem por isso, em seus verdes anos, menos imbuído de consistência nos discursos e resultados artísticos. (Leia o Texto na Íntegra)