TEATRO POLÍTICO E TEATRO COLETIVO

Estes ensaios foram escritos para as edições de 2003, 2006 e 2007 do Próximo Ato. Discorrem, sobretudo, acerca do teatro político e do teatro coletivo, além de apresentar conceitos sobre temas como indivíduo, grupo, sociedade e cidadania.


DEMOCRACIA E TEATRO NO BRASIL
(Próximo Ato 2003)

Aimar Labaki (Brasil) é dramaturgo, tradutor, ensaísta, autor de Vermouth, MotoRboy e Cordialmente Teus, entre outras peças, do livro José Celso Martinez Corrêa (Publifolha, 2002) e de ensaios publicados em Odisséia do Teatro Brasileiro (Senac, 2002) e Trilogia Bíblica (Publifolha, 2002), e consultor dos festivais de Curitiba (1992-1993) e do Recife (2002-2003). Além disso, é colaborador das revistas Bravo!, Folhetim e Teatro al Sur (Argentina).

Vivemos hoje a adolescência de uma sociedade civil e de uma produção teatral que começaram a se articular com o fim da ditadura militar, nos anos 80. É difícil definir seus contornos, já que seu crescimento se dá num momento de grande confusão ideológica e estética. Sociedade civil e Estado nacional são conceitos compatíveis com globalização e neocolonialismo? Teremos chegado muito tarde também para a pós-modernidade? Estas as questões que estão no palco. (Leia o Texto na Íntegra)

 

POR UM TEATRO MESTIÇO E COLETIVO
(Próximo Ato 2003)

Antônio Araújo (Brasil) é diretor do Teatro da Vertigem, desde 1991, e criador – com a companhia – da premiada trilogia bíblica O Paraíso Perdido, O Livro de Jó e Apocalipse 1,11. Além disso, é professor do Departamento de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

O teatro bastardo é, pela natureza impura do teatro, tão legítimo quanto qualquer "outro". A sua hibridez, mais do que um sinal de fraqueza ou descaracterização, parece remapear, expandir e potencializar o que há de mais genuinamente teatral. O teatro no coletivo, fruto de múltiplas paternidades e polisseminal, fratura as autorias individuais e ocupa uma terra de litígio, exilando-se do lugar-comum. Fronteiras entre teatro e vida, entre espaço de representação e espaço público, entre o tradicional e o experimental. O teatro mestiço, o teatro-pólis, o teatro periférico, ao se situar entre o "pré" e o "pós", afirma sua condição local e atual, ao revés de teatrocracias globais. (Leia o Texto na Íntegra)

 

CIDADANIA E TEATRO
(Próximo Ato 2003)

Michael Billington (Inglaterra) é crítico de teatro do The Guardian desde 1971 e autor de vários livros sobre teatro, entre eles biografias de Harold Pinter e Peggy Ashcroft e estudos sobre Tom Stoppard e Alan Ayckbourn. Atualmente trabalha com a história do teatro britânico pós-guerra e realiza programas sobre arte para a BBC.

A necessidade de os teatros de se reinventarem constantemente (como vem acontecendo na Grã-Bretanha com o National e o RSC). A centralização da dramaturgia: a fonte contínua de força do teatro britânico. Também o perigo de o teatro ser engolido pela nova tecnologia; e, em particular, o crescimento do uso de filme e vídeo no teatro, que nega sua capacidade para a interação ao vivo. (Leia o Texto na Íntegra)

 

ATITUDE MODERNISTA NO TEATRO BRASILEIRO
(Próximo Ato 2003)

Sérgio de Carvalho (Brasil) é dramaturgo, diretor teatral integrante da Companhia do Latão, pesquisador de teatro e professor de teoria teatral no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Campinas (Unicamp).

A pesquisa em teatro dialético gerou, na história do teatro do século XX, um dos caminhos formais mais avançados de politização da arte. A complexa transposição do modelo de Brecht para o contexto social de um país periférico como o Brasil pede um exame da incerta formação burguesa local e uma verificação do estágio atual do capitalismo internacional. (Leia o Texto na Íntegra)

 

PRÁTICAS TEATRAIS COLETIVAS EM TEMPOS PÓS-DRAMÁTICOS
(Próximo Ato 2006)

Günther Heeg (Alemanha) é professor titular de ciências teatrais da Universidade de Leipzig, vice-diretor da Faculdade de História, Artes e Ciências Orientais da mesma universidade, co-diretor do projeto internacional de pesquisa Mind the Map – History is Not Given, membro da direção da Sociedade Heiner Muller, editor do e-jornal thevis e autor de diversos livros, como Imobilidade e Movimento – Estudos Intermediais sobre a Teatralidade de Texto, Imagem e Música (com Anno Mungen, 2004).

Entendo que o conceito de comunidade é a interface na qual ocorrem as questões estéticas do teatro, do teatro pós-dramático, da sua forma presente, do teatro pós-Brecht – que certamente não é um teatro que deixa Brecht para trás, e sim o perpetua –, um teatro pós-Brecht cujas questões estéticas caminham junto com as questões econômicas, psicológicas, político-sociológicas etc. (Leia o Texto na Íntegra)

 

A TEATRALIDADE E O TEATRO – ESPETÁCULO DO REAL OU REALIDADE DO ESPETÁCULO? NOTAS SOBRE A TEATRALIDADE E O TEATRO RECENTE NA ALEMANHA
(Próximo Ato 2006)

Helga Finter (Alemanha), desde 1991, é professora de teoria, estética e história do teatro no Instituto de Artes Cênicas Aplicadas, do qual foi diretora executiva até 2003, autora de livros sobre o futurismo italiano e as utopias do teatro de Mallarmé, Jarry, Roussel e Artaud, organizadora de coletâneas sobre a obra de Georges Bataille e a relação entre o teatro e as outras artes, integrante do corpo de redatores da revista New Theatre Quarterly e coordenadora, na Editora Peter Lang, da série Theaomai, dedicada ao estudo das artes performáticas. Foi diretora artística de montagens de textos pós-dramáticos, como o de Marguerite Duras.

A espetacularização da vida utiliza estruturas teatrais, mas apenas é efetiva se pressupõe tacitamente uma separação do âmbito da vida, da realidade da esfera das artes e do teatro, já que busca uma recepção de seu espetáculo como natureza, como vida. Essa separação está baseada no pacto simbólico das artes, que confere a seu espaço o estatuto potencial (Winnicott), por exemplo, pelo “como se” do teatro. Esse pacto está, portanto, reconhecido inclusive pelo espetáculo da vida cotidiana e também pelas artes que respondem a essa teatralização. (Leia o Texto na Íntegra)

 

ELEMENTOS PARA UMA CARTOGRAFIA DA GRUPALIDADE
(Próximo Ato 2006)

Peter Pál Pelbart (Brasil) é filósofo, ensaísta, autor de, entre outros, O Tempo Não-Reconciliado (Perspectiva, 2004) e Vida Capital (Iluminuras, 2003), tradutor de obras de Deleuze e professor no Departamento de Filosofia e na pós-graduação em psicologia clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), além de coordenador da Cia. Teatral Ueinzz.

A expropriação do comum numa sociedade do espetáculo é a expropriação da linguagem. Quando toda a linguagem é seqüestrada por um regime democrático-espetacular, e a linguagem se autonomiza numa esfera separada, de modo tal que ela já não revela nada e ninguém se enraiza nela, quando a comunicatividade, aquilo que garantia o comum, fica exposta ao máximo e entrava a própria comunicação, atingimos um ponto extremo do niilismo. Como desligar-se dessa comunicatividade totalitária e vacuizada? (Leia o Texto na Íntegra)