A arquitetura é uma linguagem que se ocupa, entre outras coisas, da tarefa de organizar cidades por meio do planejamento urbano. Pensar e planejar a cidade levando em consideração as necessidades relacionadas à habitação, ao trabalho e ao lazer são alguns dos princípios da arquitetura moderna, movimento do qual Oscar Niemeyer é uma referência.

A exposição Oscar Niemeyer: clássicos e inéditos traz alguns projetos do arquiteto relevantes para essa discussão. Além disso, o núcleo de educação do Itaú Cultural oferece uma programação que dialoga com a mostra por meio de oficinas e rodas de conversa com os educadores.

A oficina Cidades Imaginárias fez parte dessa programação e aconteceu nos dia 14 e 15 de junho. Inspirado pela leitura de trechos de Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, o público participou de um processo de criação em arquitetura por meio da elaboração de um desenho para um projeto de cidade imaginária. Esse processo de criação gerou nos participantes uma reflexão sobre nossa relação com a cidade.


Uma cidade é sempre mais do que um ponto no mapa geográfico. Ela é fonte inesgotável de significados. Possui um sentido histórico, social, cultural, simbólico, imaginário e, dependendo de nossa relação com ela, um sentido afetivo.


Não é fácil, no entanto, perceber toda essa rede de significados que sustenta uma cidade. Tomemos como exemplo São Paulo: como quase nunca pensamos a respeito da formação de nossa cidade, tendemos a achar que ela sempre esteve aqui, como algo pronto e dado, quando, na verdade, ela está em constante processo de formação a partir da relação entre seus habitantes e nos modos de apropriação dos espaços. E, como São Paulo é a “cidade que não para”, é fácil perceber que no correr das nossas tarefas cotidianas cada vez mais temos menos tempo para parar e nos perguntar: como vemos e experimentamos a cidade?


Tentar responder essa pergunta é prestar atenção na maneira como usamos os espaços públicos. Por exemplo: quando você foi a um parque pela última vez? Qual é seu lugar preferido para encontrar os amigos ou relaxar? E as ruas, para que servem? Apenas para o deslocamento entre a casa e o trabalho?

Se ao responder as perguntas você perceber que passa mais tempo em ambientes fechados do que em abertos e que a função das ruas se limita ao ir e vir do dia a dia, é provável que ainda tenha muita coisa para experimentar na sua cidade.

Queremos saber de você: como a arquitetura e o urbanismo influenciam a relação com sua cidade?