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O rapper Rashid mostra as composições de CRISE (2018), o sétimo trabalho de sua carreira, acompanhado de sua banda – formada por Jhow Produz (bateria), Weslei Rodrigo (baixo), Leandro Wesley (guitarra), Godô (backing vocal) e DJ Mr. Brown –, num show que conta com a participação especial de Luccas Carlos e Ellen Oléria. Durante a apresentação, não vão faltar as novas músicas, como “Estereótipo”, “Se Tudo Der Errado Amanhã” e “Bilhete 2.0” e outras já consagradas da trajetória do artista – “Patrão”, “Virando a Mesa” e “Ruaterapia”, por exemplo –, além de algumas surpresas.

“O Luccas vai participar comigo em 'Bilhete 2.0'. Essa será a primeira vez que vamos cantar juntos essa música num show meu, para o meu público. Ele fez uma versão para 'Bilhete' [lançada por Rashid no EP Hora de Acordar, em 2010] e nós resolvemos juntar as duas. E virou um fenômeno, a ponto de alcançar mais de 9 milhões de plays no Spotify e 5 milhões de views no YouTube, sendo que ela nem tem clipe”, conta o artista. “Luccas está se destacando muito agora, não só na cena do rap, mas na cena da música em geral. Ele é muito talentoso. Já a Ellen vai cantar 'Se Tudo Der Errado Amanhã', uma música bem forte que fizemos juntos. Eu fiquei muito feliz quando ela aceitou o convite para participar da música e do show. Vai fazer bem ao público sentir a energia dela cantando.”

O disco CRISE é resultado da compilação de oito singles lançados por Rashid como parte do projeto serial Em Construção, mais duas músicas inéditas acrescentadas ao álbum no final do processo. Foram oito meses de trabalho intenso, mas muito prazeroso, segundo o próprio rapper, em que ele divulgou cada um dos oito singles e seus respectivos videoclipes – um por mês –, fazendo com que o público ouvisse as canções previamente e construísse junto com ele o futuro CD.

“Eu tinha acabado de lançar A Coragem da Luz [2016] e resolvemos fazer um experimento. Decidimos arriscar, lançar uma música por mês, depois transformar isso num disco novo, observando a reação das pessoas e deixando claro que a opinião delas era importante, chegando ao ponto de deixar de fora do trabalho aquelas canções que não fossem bem-aceitas [o que não aconteceu]”, explica Rashid. “Foi incrível perceber que pedir esses cinco minutinhos de atenção, em vez de uma hora para ouvir um disco inteiro, fez toda a diferença. Conseguimos que o público criasse uma expectativa para os próximos lançamentos, mês a mês. Isso fez com que o meu projeto alcançasse ótimos resultados na internet e nas plataformas digitais. Acabou, de fato, nos surpreendendo.”

A respeito do título do álbum, Rashid explica que a escolha tem a ver com o momento político e econômico vivido no Brasil e no mundo e, ao mesmo tempo, é uma metáfora que aborda questões um pouco mais profundas, como as angústias e as crises internas e pessoais que esse mesmo cenário político, econômico e social pode provocar.

“Nós estamos passando por várias crises humanas no mundo. Por exemplo, vivemos um momento de recorde de jovens e idosos com ansiedade e depressão. Então, eu quis abordar essas crises de diversas formas. Porque às vezes, num mesmo dia, num espaço curto de horas, você fica feliz, bravo, triste e demonstra essas variações de sentimentos”, fala o rapper. “As músicas do disco, embora tenham sido lançadas separadamente, têm uma conexão entre si. E todas se contrariam dentro do próprio disco. A obra de um artista é cheia dessas contradições humanas. Eu quis trazer, de propósito, tudo dentro de um mesmo trabalho para ver se as pessoas enxergam isso.”

Além dos shows com o álbum CRISE, Rashid (ou Michel Dias Costa) anuncia para 2018 um novo trabalho. Trata-se do livro Ideias que Rimam Mais que Palavras (independente), que o rapper acaba de escrever e vai lançar ainda no primeiro semestre deste ano, contando histórias que inspiraram algumas de suas rimas e de suas músicas.

“O livro fala de histórias que me levaram a escrever determinadas músicas. As pessoas geralmente entendem o significado das composições, ou de alguns trechos, mas muitas vezes não sabem o que me levou a escrever aquilo – quão boa ou ruim estava a minha vida naquele momento”, explica ele. “Quando eu tenho alguma coisa para falar, quero e vou falar por meio de música. É o que tenho dentro de mim, querendo sair, provando que para o compositor a música é meio que uma terapia mesmo, para colocar para fora determinadas coisas.”

Rashid [com interpretação em Libras] | INGRESSOS ESGOTADOS
sexta 30 de março de 2018
às 21h
[duração aproximada: 90 minutos]

ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)

[livre para todos os públicos]

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