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Não ter uma única morada, gente que anda para lá e para depois do lá. O detalhe pouco visto, porém, alerta: andante também se fixa, também arma reunião. E festeja. Renato Godá, que é dessa estirpe, lança no sábado 26 de maio Nômade, o seu terceiro álbum.

O projeto, no estúdio ou agora no palco, é uma celebração de duas faces: exalta o encontro com o eu e com o público e, de modo simultâneo, louva o sair pelo mundo, posto que a estrada é grande para quem se entremeia na música. Acompanhado por um sexteto, o cantor traz sonoridades como country e folk, reminiscências de uma estada norte-americana, junto com marcas da música caipira nacional, à la Tonico e Tinoco. Um balaio que bem representa o espírito do ir distante – e saber voltar.

Espontaneidade é outra característica do intérprete e compositor. Na gravação do novo disco, nada de roteiro definido e sem respiro: “Não ensaio, não preparo algo antecipadamente. O arranjo, por exemplo, foi elaborado na hora”, comenta Godá. Trata-se da busca por estéticas fluídas, sem engessamento, mote que o guiou durante os três dias de materialização do CD. Tamanho despojamento reflete, além da seara melódica, um exercício de olhar para si, no íntimo. “Esse trabalho é bastante introspectivo, pessoal, autobiográfico. Aos 47 anos, sinto que estou no meio, no topo da montanha. Qual caminho seguir?”, reflete o artista. O gênero questionador é linha e agulha que perpassam as canções, conjunto definido, pelo criador, como “um acúmulo de experiências, um livro de um autor que já escreveu outros tantos”.

O princípio das composições de Nômade remonta à apresentação no Festival SXSW, em Austin (Texas). A ida aos Estados Unidos, em 2012, possibilitou a Renato uma imersão naquele universo sonoro. A oportunidade deu-lhe inspiração suficiente para que, ali mesmo, no hemisfério de cima, as letras fossem escritas. Depois de um período de inteira dedicação ao filho, o repertório surgiu como erupção: uniu o Bob Dylan escutado pela avó ao estilo narrativo de “O Menino da Porteira” (faixa entoada por Sérgio Reis), herança da família mineira, do campo. “Sou filho do grupo punk, urbano de nascimento e coração. Mas, garoto ainda, colocava a minha bota e, secretamente, ouvia o canto caipira. Sou uma fusão, portanto”, afirma.

O espetáculo, em sua matéria, é, igual ao protagonista, uma mescla, mistura que é princípio-elo, de Renato Godá com a plateia. Ele, que entrou na esfera musical por um acaso, puxado de uma peça de teatro aos 16 anos, faz da diversidade própria a sua arte – obra que é ímã daquilo que é variado, pé fora, pé dentro. E sempre, sempre fincado nas notas orgânicas.

Renato Godá [com interpretação em Libras]
sábado 26 de maio de 2018
às 21h
[duração aproximada: 75 minutos]

ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)

[livre para todos os públicos]

Os ingressos podem ser adquiridos pelo site Ingresso Rápido, em seus pontos de venda e pelo telefone 11 4003 1212. Também estão à venda na bilheteria do Auditório Ibirapuera, nos seguintes horários:
sexta e sábado das 13h às 22h
domingo das 13h às 20h

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