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Rincon Sapiência sobe ao palco do Auditório Ibirapuera, acompanhado do DJ Mista Luba e de sua banda – formada por Dudu Ramos (percussão), James Bantu (backing vocal), Kiko de Souza (teclado), Nicolas Carneiro (baixo), Maurilio Santiago (bateria) e Robson Heloyn (guitarra) –, para apresentar o show Galanga Livre, homônimo ao seu primeiro álbum, de 2017.

O disco, composto de 13 faixas, traz composições marcadas por sonoridades de raízes africanas, combinadas com letras politizadas, que abordam a consciência e a valorização da afrodescendência no Brasil contemporâneo, e ritmos que vão da capoeira ao blues, passando pelo coco, pela tropicália, pelo afrobeat e pelo rock.

Galanga Livre tem uma diversidade de gêneros musicais muito grande. Isso sendo executado ao vivo por uma banda, o que demarca mais ainda a linguagem musical que eu chamo de afro rap e ganha uma energia ainda maior”, diz o rapper. “Além das músicas do álbum, vamos apresentar algumas surpresas durante o show. Espero que todos se divirtam.”

No mês de outubro, Rincon Sapiência foi contemplado por seu trabalho com o Prêmio Multishow de Música BrasileiraO Superjúri do evento, composto de jornalistas, músicos, críticos e profissionais da indústria fonográfica, elegeu o artista o vencedor em três das cinco categorias às quais fora indicado – Artista Revelação, Melhor Produtor de Disco e Melhor Capa de Disco.

“Esse reconhecimento é importante por eu ser um artista independente e por mostrar não só como nós estamos participando do atual cenário da música brasileira, mas também que é possível deixar contribuições mesmo quando não se está ligado a grandes selos”, diz Rincon. “Estava confiante de que levaríamos alguns dos prêmios. Eu me sinto honrado por estar rodeado de tantas pessoas legais e talentosas trabalhando comigo.”

Nascido e criado na Cohab 1, na Zona Leste de São Paulo, Danilo Albert Ambrosio iniciou a sua carreira em 2000, cantando em grupos do bairro. Em 2004, ganhou destaque como Mc fazendo rimas de improviso e passou a se dedicar profissionalmente ao rap. A projeção nacional veio no ano seguinte, quando venceu, em Porto Alegre, o campeonato de improviso realizado durante o Fórum Social Mundial. A partir daí o rapper não parou mais. Em julho deste ano teve o seu Galanga Livre indicado para a lista da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como um dos 25 melhores álbuns da música brasileira do primeiro semestre de 2017. Recentemente ele voltou de uma turnê realizada pela Europa.

Rincon Sapiência, também conhecido como “Manicongo”, conta que a escolha deste nome – que, segundo ele, era dado aos reis no Império do Congo – se deu pela força que lhe é atribuída e pelas questões históricas que representa. “A cultura do Congo é muito presente aqui no Brasil. Como exemplo disso, temos a congada”, explica. “Quando se fala da história africana, geralmente se fala muito de escravidão. Mas pouca gente se lembra que antes desse período existiam sociedades magníficas, cheias de ouro, com seus impérios e seus conhecimentos em diversas áreas. Então, para nós que nos dispomos a falar de questões raciais e de africanidade, é preciso ressaltar esse período de nobreza”, acrescenta. “Manicongo, além de ser um nome bonito e forte, é algo que representa essa nobreza, que nós precisamos resgatar no povo preto e no brasileiro em geral.”

Rincon Sapiência
sábado 18 de novembro de 2017
às 21h
[duração aproximada: 80 minutos]

ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

[classificação indicativa: 12 anos]

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