obra: Na Esquina – Itinerante Minas
selecionados: Coletivo na Esquina

O embrião de Na Esquina – Itinerante Minas surgiu em um ambiente de emoção, acaso e festa. Em agosto de 2012, a Spasso Escola Popular de Circo, de Belo Horizonte, comemorava 15 anos de atuação. Formados na instituição, seis artistas circenses se reencontraram e começaram a pensar ali, de forma bem despretensiosa, em desenvolver um projeto juntos. No meio do processo criativo, Diogo Dolabella deu a ideia: por que não abordar exatamente isso, como se dá a construção de um espetáculo? Os outros gostaram e, em pouco tempo, um primeiro rascunho de Na Esquina ganhava corpo na lona da própria escola mineira.

Em 2015, com o apoio do Rumos, o espetáculo excursiona pelo interior de Minas GeraisEm Na Esquina todos os artistas estão sempre em cena em ações que correlacionam as técnicas circenses com a movimentação cotidiana e a dança contemporânea

O objetivo da criação coletiva era também compartilhar e dividir conhecimentos e experiências. Quatro dos seis integrantes brasileiros se aprimoraram fora do país ‒ o casal Liz Braga e Pedro Guerra na Académie Fratellini, em Paris, e Diogo e Pedro Sartori na Escola Superior das Artes do Circo (Esac), de Bruxelas. Lá conheceram a francesa Poline Hateche, que desde o primeiro encontro, em Belo Horizonte, integrou o grupo. Clarice Panadés e Roberta Mesquita completam o coletivo.

“Os desejos de aproveitar e dividir as diferentes experiências e vivências, de construir e de se reunir, foram os motores da criação do projeto – que, em um plano emocional, comemora essas viagens entre o Brasil e a Europa”, pontuam.

O próprio Na Esquina teve também parte de sua formatação realizada no Velho Continente. Foi depois do início espontâneo em Minas Gerais, já em 2013. Primeiro, eles passaram uma semana de residência de criação na Académie Fratellini, na capital francesa, e depois duas semanas no espaço Jolis Bois, em Bruxelas.

Em todas essas etapas, tiveram a colaboração de Maurício Leonard, um olhar externo que serviu como mediador e colaborador com críticas e sugestões. Na Esquina ficou pronto pouco tempo depois, onde tudo começou, no Spasso, em Belo Horizonte. Desde então eles se apresentaram em festivais realizados, entre outros lugares, na capital mineira, em Ouro Preto, no Rio de Janeiro e no Recife.

Em 2015, com o apoio do Rumos, excursionam pelo interior de Minas Gerais. É uma forma, destaca Pedro Guerra, de levar o espetáculo para um público que tem pouco acesso a esse tipo de produção e também há um lado saudosista para os integrantes, que poderão relembrar a época que estudavam na Spasso e se apresentavam nessas cidades.

Uma pequena excursão pela Europa também está prevista. Por conta da agenda atribulada e do envolvimento em outros projetos, em algumas oportunidades Pedro Sartori é substituído por Philippe Ribeiro, que também está envolvido com o trabalho do coletivo.

O espetáculo

Na Esquina é dividido em três atos: ensaio, preparação e o espetáculo em si. Não é, contudo, algo improvisado ou criado na hora. Nem uma simples sequência de números. “O espetáculo está todo escrito, estamos o tempo todo interpretando, buscamos uma linguagem cotidiana, natural e espontânea”, frisa Lisa.

Todos os artistas estão sempre em cena em ações que correlacionam as técnicas circenses com a movimentação cotidiana e a dança contemporânea. O título surgiu lá no primeiro rascunho e é uma referência também ao que as esquinas das cidades representam: ponto de encontro, movimento contínuo. “É ponto de partida para outros lugares, entre o circo, a cidade e outras artes.” Na Esquina também nomeia o coletivo que, num futuro próximo, já pensa em propor outros projetos artísticos. “Ainda não temos nada de concreto, mas várias ideias em gestação”, conclui Pedro Guerra.

Veja aqui o teaser do espetáculo Na Esquina.