Obra: Festival Comida de Favela
Selecionado: Mariana Aleixo e Shirley Villela

O fortalecimento do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, é o objetivo nuclear do Festival Comida de Favela, selecionado do Rumos 2013-2014. Nascido dentro do Maré de Sabores, um projeto da organização não governamental Redes da Maré, o evento ocorrerá de 17 de setembro a 17 de outubro com uma seleção das melhores receitas inscritas por comerciantes da região.

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A Maré é um bairro formado por 17 comunidades e favelas à margem da Baía de Guanabara. Com uma população de cerca de 130 mil pessoas, tem um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade do Rio – em 2000, estava na 123º posição entre 126 bairros. É nesse cenário que o Maré de Sabores atua. Segundo Mariana Aleixo, sua coordenadora de gastronomia, o projeto quer “contribuir para a autonomia e a qualidade de vida das mulheres da região”, com oportunidades de qualificação profissional e geração de renda, além de formação sobre a condição feminina na atualidade.

A partir dessa iniciativa, Mariana e a coordenadora geral Shirley Villela pensaram o Comida de Favela. Publicado em 2014, o Censo Maré – documento da Redes em parceria com o Observatório de Favelas – demonstra a oportunidade. Sabe-se que, dentre os 2.953 empreendimentos participantes da pesquisa, há 1.118 que trabalham com alimentos e bebidas. “Além dos números”, diz Mariana, “o setor impressiona pela variedade. Várias tradições culinárias estão bem representadas no bairro, que abriga migrantes nordestinos e nortistas e imigrantes africanos”.

Com o festival, pretende-se “motivar a qualificação e a melhoria da qualidade do serviço de alimentação” nas comunidades da área, assim como “incentivar que os habitantes do Rio descubram a complexidade e a riqueza da Maré”. Duzentos comerciantes se inscreveram. Neste momento, a equipe escolhe quais deles vão compor a mostra. “O principal critério é a tradição e a identidade do estabelecimento com o bairro. Restaurantes e bares familiares, que representam a cultura comercial e econômica local”, esclarece Mariana.

Ainda mais, o Comida de Favela “estimula a reflexão sobre o direito à cidade e o intercâmbio de experiências”. Nesse sentido, será disponibilizado transporte em três pontos da cidade (Centro, Zona Sul e Zona Norte) aos fins de semana, com a intenção tanto de trazer visitantes de outros bairros quanto de fazer com que os moradores circulem entre as comunidades da Maré para votar nos pratos.

Os organizadores do evento, durante o festival, apoiarão os selecionados quanto à organização, com consultorias gastronômica, de estética, de higienização e de serviço. Para divulgação, trabalha-se na montagem de uma rede de comunicação.

Para Mariana, o que mais a surpreendeu no projeto até agora “foi ter acesso às histórias dos moradores da Maré, como construíram seus estabelecimentos, sua superação pessoal e familiar. Sempre histórias que partem de muito trabalho, baixa qualificação, muita intuição e o mínimo de investimento. A partir disso, esses moradores desenvolveram uma lógica própria de serviço, bem particular do território, ergueram uma carreira de sucesso”.

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