obra: Residência Artística em Arraias – Formação para o Teatro de Rua
selecionado: Palmas Ativa

Foi durante o curso de odontologia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que Doralice Mota descobriu o que realmente gostaria de fazer profissionalmente. E não tinha nada a ver com ser dentista. A então estudante ficou encantada com o alcance social da arte ao ver como as campanhas de saúde bucal surtiam efeito ao utilizar teatrinho de bonecos para conscientizar crianças carentes. Da decisão de trabalhar com cultura até a concretização do sonho, porém, foram mais de dez anos e duas mudanças de Estado.

proposta prevê a capacitação de 30 artistas da cidade que farão o curso de formação para o teatro de ruaArraias, localizada no estado do TocantinsA iniciativa receberá ainda o grupo Spatium Arte e Cultura, com a apresentação de A Caixa e com a oficina O Corpo na Comédia

Foi apenas em Palmas, no Tocantins, que ela iniciou a trajetória de produtora cultural, coroada agora com a realização de seu primeiro projeto selecionado em um edital: a Residência Artística em Arraias – Formação para o Teatro de Rua.

Embora tenha ficado completamente fascinada pela experiência artística enquanto ainda fazia odontologia, Dora se formou dentista e chegou até a atuar em consultório. Aos 26 anos, no entanto, ela largou tudo para investir no que era a sua vocação. “Eu gosto muito de arte/cultura. Vou estudar para fazer isso”, decidiu na época, meados dos anos 1990.

O primeiro passo foi ingressar na faculdade de educação artística da UFPE. Depois de seis semestres, contudo, Dora teve que abandonar o curso para acompanhar o marido, que conseguiu uma oportunidade de trabalho em Campina Grande (PB).

Apenas em 2003, em uma nova mudança impulsionada mais uma vez pela carreira do marido professor, Dora chegou a Palmas (TO). No município, ela passou em um concurso público e logo conseguiu transferência para trabalhar na Fundação Cultural, que anos depois foi absorvida pela recém-criada Secretaria da Cultura do Estado do Tocantins.

Com foco na artes cênicas, foi a partir daí que Dora ganhou experiência. Em 2012, em um dos projetos desenvolvidos pelo Estado, ela foi até Arraias, já na divisa com Goiás, e ficou impressionada com a atuação de artistas e grupos locais. “Eu fiquei encantada com a produção teatral realizada na cidade, especialmente pela força de vontade, porque quase nunca eles têm acesso a produtos culturais, a oficinas. Eles mesmos estudam cenas na internet e colocam em prática”, comenta.

Fundada na primeira metade do século XVIII, Arraias se destaca pelas manifestações e tradições populares. “São de lá as comunidades quilombolas de Lagoa da Pedra e Mimoso, o Ponto de Cultura Associação Cultural Chapada dos Negros (que tem como atividade principal a capoeira), sítios arqueológicos, o entrudo de Carnaval, a paçoca, o Museu de Arraias e significativo patrimônio arquitetônico colonial, que compõem o inspirador cenário da cidade, pronto para ser explorado”, salienta.

Em 2013, Dora viu no edital do Rumos a oportunidade de fomentar a cultura teatral do município por meio de um projeto de residência artística. Em contato com o grupo Solarys, um dos principais de Arraias, ela escreveu a iniciativa, que foi aprovada e será desenvolvida a partir de 2015.

A proposta prevê a capacitação de 30 artistas da cidade que farão o curso de formação para o teatro de rua com o professor e ator Ronaldo de Araújo. Também serão realizadas oficinas e, como resultado final, haverá a criação de um espetáculo pelos participantes do projeto. A iniciativa receberá ainda o grupo Spatium Arte e Cultura, com a apresentação de A Caixa e com a oficina O Corpo na Comédia.

Para Dora, o projeto é apenas o primeiro de muitos que ainda pretende concretizar como produtora cultural independente. “A gente tem que utilizar das diversas formas de patrocínio. Há muitos outros mecanismos que a gestão pública não consegue alcançar”, conclui.