obra: Trilhas Musicais de Moacir Santos para o Cinema Brasileiro – Publicação de Partituras Transcritas
selecionado: Lucas Bonetti

Lucas Bonetti estava no início da graduação em instrumento popular na Faculdade Santa Marcelina quando, durante uma aula de percussão com o professor Edu Ribeiro, ouviu pela primeira vez uma música de Moacir Santos (1926-2006). Era “April Child” (ou “Maracatu, Nação do Amor”). O jovem estudante ficou impressionado. “Foi um baque. Pensei: meu Deus, como eu não conheci isso antes? É difícil colocar em palavras. O que me chamou atenção foi a abordagem rítmica, a composição dos arranjos”, relata.

Lucas Bonetti é o responsável pelo projeto que vai publicar as partituras das trilhas musicais compostas por Moacir Santos para o cinema brasileiro no início da década de 1960Caderno de apontamentos de Moacir Santos

A partir daí, Bonetti foi conhecer mais a fundo o trabalho de Santos, considerado um dos principais compositores e arranjadores brasileiros. Ficou tão envolvido com o que encontrou que focou o seu trabalho acadêmico no assunto. Agora, com o apoio do Rumos, ele publica o resultado de parte importante dessa pesquisa: as partituras das trilhas musicais compostas por Moacir Santos para o cinema brasileiro no início da década de 1960.

O site http://trilhasmoacirsantos.com.br, com esse material inédito, entra no ar ainda no segundo semestre de 2015 e contempla os filmes Seara Vermelha (1964), de Alberto d’Aversa; Ganga Zumba (1964), de Carlos Diegues; Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra; e O Beijo (1964), de Flávio Tambellini.

Todo esse trabalho de transcrição das partituras é um subproduto da dissertação de mestrado de Bonetti, intitulada A Trilha Musical como Gênese do Processo Criativo na Obra de Moacir Santos, realizada no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

No vídeo a seguir é possível conhecer algumas das trilhas compostas pelo músico.


Cinema

A obra de Santos passou anos desconhecida, até que em 2001 os músicos Mario Adnet e Zé Nogueira iniciaram um processo de resgate das músicas do compositor. A partir daí, CDs e songbooks foram relançados, nomes da atualidade gravaram as suas músicas e uma série de trabalhos acadêmicos começou a ser produzida. As trilhas dele para cinema, porém, continuavam desconhecidas, até mesmo pela dificuldade de encontrar as gravações dos filmes e pela qualidade ruim dos áudios.

Essas composições foram realizadas antes de Moacir Santos lançar o seu primeiro disco, Coisas, de 1965, considerado um marco na sua carreira. Ao pesquisar o assunto, Bonetti descobriu que as trilhas para os filmes já antecipavam o que o músico iria apresentar, anos mais tarde, de mais importante na sua obra. “Você encontra vários motivos e ideias que irão aparecer nos discos posteriormente, que já estavam ali com outra roupa, outra cara, outro processo composicional. Foi bem interessante perceber isso”, sublinha.

Além do projeto Rumos, Bonetti trabalha em uma nova pesquisa da obra de Santos. Como parte do seu doutorado, ele vai atrás da produção do compositor nos Estados Unidos, especialmente no período de 1967 a 1985, quando Santos foi requisitado pelas indústrias de cinema e televisão norte-americanas.