Outra vez no palco, porém com um corpo mais consciente e convicto. Marzipan – grupo em atuação nas décadas de 1980 e 1990 – se reuniu novamente em maio, no Auditório Ibirapuera, 25 anos depois da sua separação. Com apoio do Rumos 2013-2014, os bailarinos Cacá Ribeiro, Hermes Barnabé, Lucia Merlino, Michele Matalon, Renata Melo, Rose Akras e Zeca Nunes apresentaram o resultado de um entrosamento reconstruído e de um grupo renovado pelo tempo e pelo aprendizado.

Espetáculo no Auditório Ibirapuera em 15 de maio de 2015Espetáculo no Auditório Ibirapuera em 15 de maio de 2015Espetáculo no Auditório Ibirapuera em 15 de maio de 2015Espetáculo no Auditório Ibirapuera em 15 de maio de 2015Espetáculo no Auditório Ibirapuera em 15 de maio de 2015Espetáculo no Auditório Ibirapuera em 15 de maio de 2015Espetáculo no Auditório Ibirapuera em 15 de maio de 2015Espetáculo no Auditório Ibirapuera em 15 de maio de 2015

Renata Melo conta que o desejo de voltar sempre existiu. Mas “cada um tomou o seu rumo, alguns saíram do Brasil, alguns mudaram de cidade, outros mudaram de profissão – parecia impossível”. Mesmo com a distância, continuaram amigos. Em 2013, eles se encontraram no aniversário de um dos integrantes, sem combinar – “isso já foi um sinal”, diz Renata – e a vontade criou consistência.

“Um desafio”, lembra ela. “Cada um se formou de maneira diferente, em modos distintos de trabalhar – como seria o processo artístico depois de uma história de vida múltipla?” Começaram um ciclo de integração: fizeram oficinas e viajaram juntos; além disso, um dava aula para o outro a partir do seu ponto de vista. “Todo mundo se inteirava sobre como o colega pensava o corpo – e a gente percebeu que tinha um pensamento muito parecido”.

Se antes a produção do grupo se fincava mais no campo do balé clássico e de uma formação atlética esportiva – “um corpo mais mecânico”, como Renata explica –, a concepção que partilham atualmente é “mais orgânica”, pensa “o corpo como um todo”. Ainda mais, “é dançar com os órgãos, com o sangue, com os músculos, de acordo com uma forma de se movimentar e de coreografar baseada nas técnicas mais contemporâneas, razoavelmente novas”.

Essas mudanças de entendimento vieram não só com a formação – a maturidade alterou possibilidades e posturas. Segundo Renata: “Somos pessoas mais maduras, menos ansiosas, mais experientes. O corpo não faz mais o que fazia há 25 anos, é menos resistente, mais sensível. Entramos com menos exigência de si, com mais serenidade e confiança – não se tem de provar nada para ninguém”. Os dançarinos todos estão na faixa dos 50 anos; a exceção é Hermes, com 68.

Foi dessa compreensão que surgiram os temas do espetáculo: o passar do tempo, o reencontro, a relação de amizade, o corpo maduro. “Não pegamos um assunto ‘de fora’ – decidimos falar sobre a gente”, resume ela.

Após essas fases de elaboração, o desafio foi, enfim, ultrapassado. “Correspondeu às expectativas, até mais. Foi um prazer muito grande, uma alegria imensa, o fato de o público ter se identificado e se emocionado, de pessoas de gerações mais novas terem apreciado, da resposta incrível das crianças.” A marca do amadurecimento foi percebida pela plateia: “Comentaram que a peça está na medida, leve”.

A partir de agora, ainda segundo Renata, o objetivo é avaliar todo esse percurso e procurar possibilidades de outras apresentações. Acompanhe os passos do grupo no seu perfil no Facebook.

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