Contemplado pelo Rumos 2015-2016, o projeto Um Duo para Minha Mãe investiga a relação entre mulheres, especialmente a que existe entre mãe e filha. Qual é a parcela de feminismo que existe nas tradições passadas de uma para outra? Há uma ação política que envolve a criação de uma mulher por outra? Essas são algumas das questões que fundamentam o espetáculo de dança contemporânea realizado pela bailarina Izabelle Frota e que conta com a participação de sua mãe, Conceição Frota. O trabalho estreou em junho de 2017, durante o festival internacional de dança Junta, que aconteceu na galeria Nonato Oliveira, em Teresina, no Piauí.

Cena do espetáculo de dança contemporânea "Um Duo para Minha Mãe" - foto: Jacob Alves / Itaú CulturalCena do espetáculo de dança contemporânea "Um Duo para Minha Mãe" - foto: Jacob Alves / Itaú CulturalCena do espetáculo de dança contemporânea "Um Duo para Minha Mãe" - foto: Jacob Alves / Itaú CulturalCena do espetáculo de dança contemporânea "Um Duo para Minha Mãe" - foto: Jacob Alves / Itaú Cultural

“É sobre o desejo de criar um mundo além do permitido, do programado pela bancada evangélica do Congresso Nacional e dos mecanismos de poder impostos sobre as identidades de gênero”, explica Izabelle. “Um mundo onde mulheres não sejam coadjuvantes, onde todas sejam suas próprias mulheres ideais.” De acordo com ela, hoje em dia o corpo feminino é público na política, na publicidade, na mídia, e a luta contra essa realidade acontece na relação de mãe para filha, de prima para prima, de professora para aluna.

Izabelle acredita que o espetáculo se justifica propondo uma maneira subjetiva e amorosa de pensar o feminismo, uma maneira subjetiva e amorosa de fazer política. Um Duo para Minha Mãe surgiu da experiência de outras três obras de cunho feminista criadas pela bailarina: Você Compra Inteiro ou Quer por Partes? (2009), What Can I Do?/Bucetário (2012) e Maquiada: Ação Performativa no Projeto 1000 Casas (2013).

 

 

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