Por André Bernardo

Você calcula quantos aviões estão voando neste exato momento? Quantas aeronaves, pelo mundo afora, estão transportando passageiros de seus países de origem para outras culturas totalmente diferentes? Mil, 2 mil, 5 mil? “Cerca de 9 mil”, responde a artista plástica Anaísa Franco Nascimento. Desde criança, essa mineira de Uberlândia é fascinada por voar. “Vejo os aviões como uma das máquinas mais visionárias da contemporaneidade. Eles conectam culturas, encurtam distâncias e aproximam pessoas”, explica.

Vista da bola inflável com as rotas aéreas projetadas

 

O fascínio por aviação é tanto que em 2003 Anaísa resolveu fazer um curso para tirar brevê de piloto. Ao longo de dois anos, estudou tráfego aéreo, meteorologia e até mecânica. Foi lá, no Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, que teve a ideia de bolar o projeto Sistema Circulatório, um dos selecionados do programa Rumos Itaú Cultural 2015-2016. “O projeto nasceu da vontade de capturar um instante de tudo o que está acontecendo na atmosfera terrestre e transformá-lo em escultura de luz”, afirma.

Mas, afinal, o que o sistema circulatório do corpo humano tem a ver com o tráfego aéreo? Na opinião de Anaísa, tudo. “O projeto cria uma metáfora entre a circulação do corpo humano e o transporte aéreo. No ser humano, o sangue circula, transporta e entrega os nutrientes e o oxigênio necessários para as células. Já o transporte aéreo produz um fluxo contínuo de acontecimentos, afetos e energias”, compara. Conclusão: sem eles, não existiria vida.

Radar em tempo real

Famosa por criar obras que exploram a relação entre arte e tecnologia, Anaísa explica que para o seu projeto alçar voo são necessários três componentes: um programa de computador, uma bola inflável e seis projetores.

O software, explica ela, está sendo desenvolvido por um programador de dados. É esse aplicativo que vai monitorar, em tempo real, o tráfego aéreo internacional. Os dados serão coletados de diversas fontes, como a Agência Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) e a Agência Nacional de Aviação Civil (MLAT).

Foto: divulgação

 

Uma vez rastreadas, todas as rotas de todas as companhias aéreas do mundo inteiro serão projetadas, por meio de seis refletores conectados à internet, em uma bola inflável de dois metros de diâmetro. Para diferenciar um voo do outro, cada rota – desde o seu ponto de partida até o destino final – será representada por uma cor. Nesse emaranhado de fios coloridos, alguns nós: os aeroportos, como o JFK em Nova York (Estados Unidos), o Charles de Gaulle, em Paris (França), e o Fiumicino, em Roma (Itália).

“O projeto é relativamente simples”, garante Anaísa. “No momento, estamos desenvolvendo o software e adquirindo, entre outros materiais, pacotes de dados aéreos. Em breve, vamos testar a bola inflável e os seis projetores. Se tudo der certo, pretendo fazer os testes finais em junho”, estima. Além do projeto em si, Anaísa pretende dar workshops para ensinar, entre outras técnicas, video mapping (ou projeção mapeada), que consiste em projetar vídeos sobre superfícies não convencionais, como ruas, prédios ou monumentos.

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