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Da infância Rafael Carneiro recorda um ponto com nitidez: a professora a trazer novos compositores para o conhecimento dos alunos. Desde pequenino, canções de diferentes locais, é bem verdade, sempre o acompanharam. Porém, foi no período universitário, quando cursou o ensino superior na Irlanda, que ele, por saudades, começou a ouvir muita, muita música brasileira – de Djavan a Chico Buarque. Na Europa, distante de casa, saudoso assim, entre 2011 e 2012, teve a ideia fundadora: criar um grupo com influências do jazz. Em 2014, o plano ganhou corpo, virou um trio. Tempo passa, tempo voa, integrantes entram, integrantes saem: a reunião tornou-se, hoje, um sexteto – Sambaranda. Além do articulador primeiro, Cristiano Santos, Diego de Jesus, Fredson Torres, Nani Valente e Penélope Celano apresentam o espetáculo consequente do seu primeiro álbum, Delírios Vol. 1, lançado em 2017.

Sambaranda | foto: Patricia Cruz

Tanto o disco quanto o show formam uma homenagem a nomes nacionais de grandeza certa, representados por faixas como “Cascavel” (Antonio Adolfo) e “Lamento Sertanejo” (Dominguinhos e Gilberto Gil). Tem-se ainda um título autoral de Rafael, “Na Varanda”. “A escolha do repertório foi baseada em uma sensação: ir para outro lugar ao ouvir a música. Um espaço imaginário. Uma espécie de delírio”, explica ele. No amálgama ao vivo, há a inclusão de obras que não entraram no CD – é o caso de “Bananeira” (João Donato) e “Deixa” (Baden Powell).

Fora a referência à percepção almejada (o tal sair da terra do agora), a alcunha do projeto é inspirada em “Delírio Carioca”, canção de Guinga e Aldir Blanc, parte também da lista que é levada ao palco – de forma diferente. E aqui está o cerne maior do conjunto: há um recriar frequente, uma busca por um modo distinto do original, uma reinvenção de obras consagradas. Em “Água de Beber”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, ocorre, por exemplo, uma troca: a introdução bossa-novista é substituída por um ritmo outro. “Modificamos acordes, aceleramos ou deixamos o tempo mais lento, trazemos novos arranjos”, elenca Rafael, que assina a direção do trabalho. O frescor sonoro colocado a serviço de uma produção já afamada é o solo da identidade do sexteto, o qual deseja que o público aceite o convite por ele proposto: esquecer boletos, problemas, intempéries, aflições; ressignificar o entorno – das músicas à vida. E, claro, experienciar o show.

Sambaranda [com interpretação em libras]
sábado 30 de junho de 2018
às 21h
[duração aproximada: 60 minutos]

ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)

[livre para todos os públicos]

abertura da casa: 90 minutos antes do espetáculo

Os ingressos podem ser adquiridos pelo site Ingresso Rápido, em seus pontos de venda e pelo telefone 11 4003 1212. Também estão à venda na bilheteria do Auditório Ibirapuera, nos seguintes horários:
sexta e sábado das 13h às 22h
domingo das 13h às 20h 

 

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