por Alexandre Ribeiro e Nayra Lays

Após uma disputa entre museus e bancos pelos direitos de expor o seu trabalho, nasce uma das mais incríveis oportunidades de São Paulo: ver e sentir a obra de Jean-Michel Basquiat.

Curioso é aliás o fato de que agora, entre todos os problemas contra os quais lutamos e as pautas que foram levantadas, mais e mais instituições abracem essa causa do empoderar. SAMO.

Early Moses, 1983 | Artestar/divulgação

A arte possibilita encontros que ultrapassam até o tempo e o espaço. 

Tivemos o privilégio de ver e vivenciar explosões de vida, cores, texturas e textos pulsantes de Jean-Michel Basquiat. Reconhecemos, em alguns aspectos ainda vivemos a “mesma merda de sempre” (uma tradução livre da tag SAMO). 

Mas a possibilidade de refletir sobre as responsabilidades que nossa arte e nossa luz trazem dá uma refrescante certeza: somos rainhas e reis. Basquiat nos fez sentir de um jeito único e livre como as ruas.

Loin, 1982 | Artestar/divulgação

Um dos objetivos dele: retratar pessoas negras como protagonistas em suas obras. Olhando o agora, nós noss perguntamos não só como, afinal, lidamos e lidaremos com o reconhecimento, mas também de que forma escolheremos os traços como autores principais de nossas histórias. É um fato, muito diferente da arte: na vida os jovens negros têm poucas chances de errar.

Não somos educados a delegar funções, nós fomos ensinados a fazer.

Quando o trabalho chega, queremos o nosso jeito em cada pequena parte do processo. E é aí que reside um dos piores perigos.

A vida vinda do outro lado tem a possibilidade de assimilar e escolher um foco. A vida que vem do nosso lado é bombardeada de informações o tempo todo.

É necessário ser o melhor artista, o jovem exemplo, o empreendedor, administrador, sorridente e motivacional do mundo. 

E quem de nós sabe lidar com isso?

A estrela radiante que foi o Basquiat me faz perguntar até quando eu também vou conseguir.

Jean Michel Basquiat, 1985 | foto: Lizzie Himmel

Mas é pokas ideia. Pé na porta e arte dos nossos nas galerias.

Jean-Michel Basquiat, muito obrigado, meu mano! 

Com você eu pude sentir ecoar as camadas de um pensamento. 

Os seus ecos voaram tanto, mas tanto, que chegaram antes dessa ideia de “empoderar”. Comigo foi em 2012, na Casa do Hip Hop, em Diadema. Ouvi o seu nome e o seu legado das coroas de três pontas pela primeira vez. 

Eu não sabia que algum dia eu estaria em frente a algo que você criou, tive de me fortalecer bastante até conhecer um pouco de você. Mas alguma coisa me transborda ao sentir tudo isso. 

Eu me enxergo no seu traço, eu me faço por recortes igualzinho aos seus quadros, igualzinho à nossa história. Os nossos samples.

Eu queria mesmo era ter pichado um monte de lugar de playboy com SAMO do seu lado, mas já que não deu fica aqui um muito obrigado.

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