Surgidos nos anos 1980 em Chicago, nos Estados Unidos, os campeonatos de poesia falada, hoje disseminados por países de todo o mundo, incluindo o Brasil, vêm se firmando como pontos de encontro da livre expressão e da escuta. A força e o crescimento dessa cena são testemunhados no documentário de longa-metragem Slam: Voz de Levante (2017), eleito pelo público o melhor entre os seis filmes da Mostra Competitiva Nacional da primeira edição do Festival Internacional de Mulheres no Cinema, que aconteceu de 4 a 11 de julho deste ano em São Paulo.

“Acredito que o slam tenha tanta adesão porque vem com o viés dessas vozes que querem e precisam ser ouvidas; é um jeito de estar falando de política e outras questões atuais de maneira poética”, observa a pesquisadora, poeta e MC Roberta Estrela D’Alva, que dirige e roteiriza o filme com a diretora, fotógrafa e montadora Tatiana Lohmann. O prêmio é o terceiro recebido pelo longa, que também foi vencedor do Prêmio Especial do Júri e da categoria de Melhor Direção de Documentário no Festival do Rio de 2017.

Roberta foi quem trouxe, em 2008, junto com o coletivo paulista Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, o primeiro slam realizado no Brasil, o ZAP! Zona Autônoma da Palavra, que neste ano completa uma década de existência. Responsável por conduzir o filme, a artista conta que a ideia de registrar o cenário das batalhas de poesia surgiu tempos depois, em 2011, ano em que ela representou o país na Copa do Mundo de Slam, promovida anualmente na França. “A ideia era fazer apenas uns registros, mas, quando a gente viu o material gravado e a proporção que o movimento estava tomando aqui, entendeu que esse era um tema muito potente para fazer um documentário e começou a querer gravar mais coisas”, lembra.

Além de mostrar a evolução da cena brasileira, o filme viaja ao país de origem da competição e acompanha a campeã nacional de 2016, Luz Ribeiro, até o campeonato mundial desse gênero – a terceira edição do Slam BR, evento de abrangência nacional do qual Luz Ribeiro saiu vencedora, foi realizada no Itaú Cultural entre os dias 15 e 18 de dezembro daquele ano.

Inicialmente chamado Valendo a Vida!, o documentário leva em seu nome o termo que, para as diretoras, traduz a atualidade. “A gente está acreditando no levante como uma palavra importante para o momento que estamos vivendo. Já se falou muito em revolução, mas depois dela vem sempre um novo poder estabelecido. O levante é como uma zona autônoma circular, que não se estabelece. Não dá tempo de ninguém se apropriar”, conta Roberta. Ainda sem data definida de estreia, a previsão é que o filme chegue aos cinemas brasileiros no segundo semestre deste ano.

FICHA TÉCNICA
Direção e roteiro Tatiana Lohmann e Roberta Estrela D’Alva
Direção de fotografia Tatiana Lohmann, Sergio Roizenblit e Humberto Bassanelli
Montagem Tatiana Lohmann
Produção-executiva Marina Puech Leão, Roberta Estrela D’Alva e Tatiana Lohmann
Produção Marisa Reis
Consultoria de roteiro Miguel Machalski
Som direto Bruno Lohmann Soares
Trilha sonora Roberta Estrela D’Alva e Eugênio Lima, com músicas de MV Bill, MC Marechal, Liniker e os Caramelows, Ellen Oléria, Lurdez da Luz e Alexandre Basa, Karina Buhr, Frente 3 de Fevereiro, Jessica Care Moore, Raphão Alaafin, MC Daleste, Metá Metá, Avante o Coletivo, Aláfia e Inquérito
Edição e mixagem de som Pedro Noizyman
Arte gráfica Tide Gugliano, Murilo Thaveira e Sato do Brasil (casadalapa)
Produção e finalização Beto Bassi
Pós-produção Zumbi Post
Realização Exótica Cinematográfica
Coprodução Miração Filmes e Globo Filmes/GloboNews
Apoio Itaú Cultural
Distribuição Pagu Pictures e Bretz Filmes

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