A 23a edição do É Tudo Verdade divulgou os filmes ganhadores desse festival. Na competição brasileira, o curta-metragem vencedor é Nome de Batismo – Alice, de Tila Chitunda. Já no quesito longa-metragem, o eleito é Auto de Resistência, produção de Natasha Neri e Lula Carvalho. Ambas as obras serão exibidas, na Sala Itaú Cultural, na terça-feira 24, às 19h.
No grupo latino-americano, o longa Roubar Rodin, de Cristóbal Valenzuela Berríos, é o premiado. Na seleção internacional, Nicolas Khoury é coroado com o curta Ressonâncias. Quanto às obras mais extensas, o destaque é O Distante Latido dos Cães, de Simon Lereng Wilmont.

 

Auto de Resistência, obra de Natasha Neri e Lula Carvalho

Tiros de ontem, tiros de hoje

Nome de Batismo – Alice é um retornar às origens. Alice viaja a Angola pela primeira vez, instigada pelo desejo de conhecer as histórias que motivaram seus pais a lhe dar tal nome. Única brasileira em uma família angolana, clã que encontrou um refúgio do outro lado do Atlântico, a protagonista caminha para um chão que é muito dela, terra que a pertence antes mesmo de seu nascimento. A imigração dos parentes, importante salientar, retoma o contexto da declaração da independência de Angola, em 1975, bem como a guerra civil que se instaurou a partir de então – conflito que durou, com intervalos, até 2002.

O trabalho é de autoria de Tila Chitunda, documentarista que estreou, em 2004, com Histórias do Lado de Lá e já dirigiu os títulos Safe (2008), O Sertão de Zé do Mestre (2010), Luiza (2011), Mestre Nando: a Terra, a Água, o Fogo e o Sopro (2013) e FotogrÁFRICA (2016).

Já o longa-metragem destacado também aborda um cenário de mortes: Auto de Resistência trata da violência policial no Rio de Janeiro. Panorama contemporâneo e cruel, as situações apresentadas são aquelas que inicialmente ganharam o selo de legítima defesa por parte dos policiais – agentes que com frequência agrupam as vítimas sob o estereótipo de traficantes. No entanto, devido ao surgimento de vídeos e aos questionamentos das mães agora sem filhos, as versões da PM são confrontadas. Julgamentos nas varas dos Tribunais do Júri e bastidores de investigações tomam, assim, a tela, jato cortante em prol do repensar as bases nas quais servidores da polícia estão assentados.

O filme é o primeiro de Natasha Neri, início que conta com a parceria de Lula Carvalho, profissional envolvido em realizações como Atrocidades Maravilhosas (2002), Alô, Tocayo (2004) e Multiplicadores (2005).


Exibição dos Vencedores de Curta e Longa Brasileiros | Festival É Tudo Verdade
terça 24 de abril de 2018
às 19h
Sala Itaú Cultural (piso térreo) – 224 lugares
[duração aproximada: 130 minutos]

Entrada gratuita

distribuição de ingressos
público preferencial: duas horas antes do espetáculo | com direito a um acompanhante – ingressos liberados apenas na presença do preferencial e do acompanhante
público não preferencial: uma hora antes do espetáculo | um ingresso por pessoa

[indicado para maiores de 16 anos]

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