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Mario Cau é um dos convidados da terceira edição da Banca de Quadrinistas e expõe seu trabalho no evento nos dias 15 e 16 de setembro.

Quadrinista e ilustrador, acredita nas histórias em quadrinhos como forma poderosa de comunicação, expressão e arte: são sua linguagem e sua voz. Iniciou a carreira em 2004 e participou de diversos títulos no Brasil e no exterior. Autor da série Pieces, com nova edição em 2016, e da graphic novel Morphine. Neste ano está editando e ilustrando o livro de memórias de sua avó: Paschoa – Memórias de Minha Infância. Vencedor dos prêmios Jabuti, HQMIX e Angelo Agostini, também é professor na Pandora Escola de Arte.

Como aquecimento para a Banca, os convidados escolheram alguns de seus trabalhos para publicação no site e comentaram a escolha. Mario Cau enviou duas histórias da série Pieces, “A Distância” e “Líquido”. Confira abaixo:

A Distância

Líquido

Por que você escolheu essas histórias?
Pieces é o nome da série de HQs curtas que produzo desde 2004. Foi meu primeiro trabalho autoral e o primeiro em que me senti realmente fazendo o que mais gosto: mostrar pequenos pedaços de vida, a vida comum que vemos por aí quando prestamos atenção. Existem infinitas histórias acontecendo com todo mundo e para ser contadas. Essas histórias trazem um olhar intimista, poético e sensível sobre nossos pequenos dramas da vida, e nem sempre conseguimos desacelerar nosso ritmo para prestar atenção, ouvir, oferecer um olhar empático.

“A Distância” trata de um casal de garotas que precisam enfrentar um longo tempo longe uma da outra. Há nesse trabalho uma proposta de narrativa e composição de página que sai do senso comum; uso metáforas para criar sensações e interpretações não literais, que considero parte integral do meu trabalho com quadrinhos desde o início. Já “Líquido” traz uma reflexão baseada em Bauman [Zygmunt], sobre a solidez e a transitividade das coisas.

Como foi o processo de criação delas?
Poderia dizer que o processo criativo dessas HQs segue um caminho bastante tradicional na questão técnica: escrevo um roteiro, faço layouts de páginas, rascunho e depois finalizo o traço (no caso de “A Distância” a arte-final é feita em nanquim; em “Líquido” foi digital). Por último, faço os balões – mesmo que, desde o layout da página, eu já saiba onde eles estarão, o que ajuda a compor os desenhos nos quadros. Mas acho que o mais interessante nesse processo relativamente simples é o que vem antes do roteiro. A ideia, esse lampejo de uma história que quer ser contada e que muitas vezes vem de observar o mundo e questionar as coisas. Gosto da ideia de que muitas histórias vêm de tentar responder “o que aconteceria se” a partir de coisas corriqueiras.

A parte do desenho é a minha favorita, onde eu posso elaborar composições de página que ajudem o leitor a entrar na história sem ser totalmente atrelado às estruturas formais de uma página de HQ. Gosto de pensar em alternativas, tanto na diagramação quanto no traço e na interpretação das imagens.

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