Classificação indicativa: Livre

Não é difícil compreender o encanto de Ana Menezes por viver embrenhada em relatos: quando garota, seu pai lhe contava um tanto de fábulas (e, finda uma das peripécias, ela chorava, chorava – e ele recomeçava a cantilena); crescida, formou-se em teatro e foi ali, na arena cênica, que descobriu o gosto pelo lúdico. Hoje, contadora de histórias apaixonada, mescla suas influências em prol do contato, próximo e afetuoso, com as crianças. Nos dias 25, às 14h50, e 26 de agosto, às 12h, a atriz apresenta, como programação do Cantinho da Leitura, uma prosa sobre Zé João, a parentada inteira, Iasmin… E a fantasma Berenice.

Intitulada Aventuras em Cordel, a atividade traz o movimento migratório de Jão, moço que saiu da Paraíba e veio para São Paulo. Pernambucana, a narradora reside na capital paulista há 11 anos e, por isso, bem sabe, intimamente, dos percalços da tal caminhada. “Quero que os pequenos entendam um pouco dessa travessia do nordestino”, afirma Ana, que enfatiza ainda uma observação: o trabalho é para todos. Nada de o adulto ficar de fora.

            Boa tarde, minha gente
            Minha gente querida
            Essa história não é grande
            De quem fez uma partida

            [...]

Boas-vindas colocadas, inicia-se um fiar que é o curso de um migrante, migrante igual a muitos outros. O personagem falador é a matéria para que a contadora ponha em palavras o amor por aqueles que estão na infância. Em 2007, ao chegar à metrópole do avesso, desejava ser dubladora, profissão que, para ela, carrega uma quase linguagem própria, um jeito único de esmiuçar a língua. Esse campo, porém, não vingou e foi a intérprete parar em um ambiente recreativo. “Tive, então, convívio com crianças e decidi transmitir a elas histórias. Passei também a inventar, a improvisar, atitude fundamental nesse ofício. E aprendi que, acima de tudo, tem de ter verdade nesse exercício”, recorda Ana.

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Guiada pela fidelidade ao compromisso do narrar, a atriz fascina-se com a capacidade que as crianças têm de lidar com problemas, situações tortuosas – qualidade estimulada pelo universo dos livros e dos ditos orais. A leveza pueril é, na opinião da mediadora, na maioria das vezes perdida no ser maduro em razão de fatores vários, em razão da sociedade. “Acho que o adulto deve resgatar a esperança sempre: não perder esse elemento que a criança tem, esse se jogar nos braços do outro de modo confiante. Aplicar essa crença aponta que a vida pode ser melhor”, conclui a amiga de Jão, Iasmin… E da fantasminha. Aliás, Berenice é do tipo que assusta: a moça do além transita por aqui pois, mesmo depois de ter falecido, continua a acreditar na vida. Assim como Ana. Assim como pessoa miúda.

Contação Aventuras em Cordel [com interpretação em Libras]
sábado 25 de agosto de 2018
às 14h50
domingo 26 de agosto de 2018
às 12h
[duração aproximada: 60 minutos]

Entrada gratuita – distribuição de ingressos a partir das 14h

[livre para todos os públicos]

Cantinho da Leitura e Feirinha de Troca
sábado 25 de agosto de 2018
das 14h às 16h30
domingo 26 de agosto de 2018
das 11h às 16h30
piso térreo

Entrada gratuita

[livre para todos os públicos]

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