por Cassiano Viana

Realizado pelo Itaú Cultural (IC) a cada três anos, com coordenação conjunta com o curador Iatã Cannabrava desde 2007, o Fórum de Fotografia de São Paulo vem se consolidando como um dos principais – se não o principal – eventos da imagem na América Latina.

A partir desta semana, o site do Itaú Cultural (IC) passa a compartilhar os registros de mesas e vídeos com depoimentos dos participantes do V Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo, realizado em junho de 2019, em São Paulo. Será lançado um vídeo por semana, sempre às quartas-feiras, que poderá ser encontrado neste texto e no YouTube do IC.

O fórum carrega o sentimento dos colóquios que acontecem desde o final de 1970 no México, na Venezuela e em Cuba – reuniões dedicadas à construção da identidade latino-americana a partir da imagem fotográfica.

Com curadoria de Iatã Cannabrava desde sua criação, o encontro ajudou a reestabelecer a conexão do Brasil com a América Latina e possibilitou a construção de um espaço para a discussão da fotografia na região. Uma vez que em sua essência o fórum busca um meio para juntar pessoas e gerar possibilidades, projetos, publicações, fluxo de informação e amizade, ele se mostrou fundamental para a multiplicação das redes de trabalho e para a internacionalização da produção fotográfica da região.

Todas as suas edições contaram com a participação de artistas, curadores e editores referência em seu campo; diversos deles, inclusive, desenvolveram projetos a partir de parcerias estabelecidas no próprio fórum ou a partir dele.

Um espaço para encontro, discussão e reflexão e conexões

É ponto pacífico a importância do fórum para a fotografia brasileira contemporânea. Ao longo de 12 anos, o evento evoluiu e foi se transformando em um espaço de encontro, discussão e reflexão. Os temas propostos nas inúmeras mesas de debates traziam a possibilidade de tratar de questões de importância não só para a fotografia, mas para os diversos cenários culturais, dialogando diretamente com outras linguagens, como o cinema, as artes plásticas e a literatura.

Em sua última edição, por exemplo, participaram das mesas o escritor, psicanalista e dramaturgo italiano radicado no Brasil Contardo Calligaris, a escritora, jornalista, professora e crítica de arte brasileira Veronica Stigger e a cineasta brasileira Anna Muylaert.

Os temas escolhidos naquele ano iam da realidade e suas narrativas ficcionais, do amor e da arte acima de qualquer algoritmo, ao processo de produção das imagens da exposição Ainda Há Noite, que esteve em cartaz entre junho e agosto no IC, e teve curadoria de Iatã Cannabrava e Claudi Carreras.

Enxergar na noite aquilo que não se está conseguindo enxergar de dia

Com obras produzidas por dez artistas e duplas de oito países latino-americanos, da Espanha e do Reino Unido, as imagens da exposição recorreram às horas noturnas – seja como conceito, seja como cenário – para pensar a América Latina e para pensar a noite como um instante de reflexão.  Uma provocação importantíssima se levarmos em consideração o cenário político e social que se instalava no mundo.

A ideia não foi simplesmente entrar na escuridão. Tinha mais a ver com a esperança, com a elaboração de proposições, construção de propostas e alternativas: se não estávamos conseguindo enxergar as saídas de dia, iríamos procurá-las durante a noite.

A exposição reuniu fotógrafos que já contavam com uma trajetória consolidada e fotógrafos que pela primeira vez participavam de uma mostra internacional fora de seu país. Entre eles, Alejandro Chaskielberg (Argentina), Alejandro e Cristóbal Olivares (Chile), Cristina de Middel (Espanha) e Bruno Morais (Brasil), Gihan Tubbeh (Peru), Ignacio Iturrioz (Uruguai), Jorge Panchoaga (Colômbia), Juan Brenner (Guatemala), Kalev Erickson (Reino Unido), e Luisa Dörr (Brasil) e Yael Martínez (México).

A cada semana um novo vídeo

Contardo Calligaris e o medo do escuro

Na mesa de abertura do V Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo, o escritor, psicanalista e dramaturgo italiano radicado no Brasil Contardo Calligaris falou sobre o medo do escuro.

“O medo do escuro tem uma relação maior do que a gente pode imaginar com o medo da morte”, diz. “O enigma do escuro é onde está o que realmente ignoramos e também o nosso próprio desejo.”  O tema da palestra é uma referência à exposição Ainda Há Noite, realizada durante o fórum e que esteve em cartaz de junho a agosto de 2019 no Itaú Cultural.

Assista abaixo à palestra de Contardo Calligaris na abertura do V Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo.

Assista abaixo ao debate A Realidade e Suas Narrativas Ficcionais, com Azu Nwagbogu (Nigéria), Jaime Abello (Colômbia) e Verônica Stigger (Brasil). e mediação de Claudiney Ferreira (Brasil).

Na quarta-feira que vem, dia 2 de dezembro, será lançado o vídeo do debate Un Abrazo Latinoamericano, com Octavio Santa Cruz (Peru) e Rosana Paulino (Brasil).

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