por Cassiano Viana

Maria Isabel Oliveira (Diamantina, Minas Gerais, 1990) mora, desde 2009, no Rio de Janeiro. A fotografia surgiu na sua vida através do cinema, apresentado pelo pai. “Lembro de viajar com ele até Belo Horizonte para irmos ao cinema, como quem vai até a esquina comprar cigarros. Dos meus 8 aos 12 anos de idade, fazíamos essas viagens porque não havia mais cinema na minha cidade”, conta.

foto: Maria Isabel Oliveira

Ela cresceu vendo tudo enquadrado, mas sem saber como canalizar aquilo. Até que, aos 13 anos, ganhou a primeira câmera fotográfica, uma digital da Polaroid, que sempre puxava para o ciano. “Era como reencontrar um amor de vidas passadas. Ela era péssima, mas eu fazia milagres com ela”, lembra.

foto: Maria Isabel Oliveira

Com a palavra, Maria Isabel Oliveira:

“Venho buscando, por meio das minhas imagens, explorar a fragilidade humana, tentar transformar os mártires da alma em sopro, trazer leveza através do peso. Na maioria das vezes, há sempre uma drama queen fazendo piada de si mesma e, por essa razão, digo: não me leve tão a sério. Quase como arquétipos que, ao criarem vida na matéria, não precisam mais de mim, se desprendem e vão para outros cantos. Liberto-os para que possam ser reconhecidos em outros rostos, outras peles. E, talvez, neste exato momento, aquilo não seja mais meu, só passou por mim. Como diria o fotógrafo Duane Michals, isso é para lembrar a mim mesma que estou viva. É o que me resta fazer. Como manifesto da angústia que sonha em ser poema.”

foto: Maria Isabel Oliveira

 

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