VENCEDORES

No dia 5 de dezembro, o Itaú Cultural e o Oceanos anunciaram, em cerimônia na sede do instituto, em São Paulo, os vencedores da edição de 2019 do prêmio. Em primeiro lugar, foi eleito o romance Luanda, Lisboa, Paraíso (Companhia das Letras Portugal e Brasil), da escritora portuguesa nascida em Angola Djaimilia Pereira de Almeida. O romance Eliete – A vida normal (Tinta da China Portugal), da portuguesa Dulce Maria Cardoso, venceu em segundo lugar, e em terceiro ficou o romance Sorte (Moinhos), da brasileira Nara Vidal.

Os três livros foram escolhidos de uma lista de dez finalistas em uma reunião que aconteceu no dia 4 de dezembro, também na sede do Itaú Cultural. Nesta edição, o valor total da premiação foi aumentado de 230 mil reais, em 2018, para 250 mil.

Aberta ao público, a cerimônia de anúncio dos vencedores contou também com um debate entre os jurados sobre o atual momento da literatura em língua portuguesa a partir dos dez livros finalistas. A mediação ficou por conta dos jornalistas e curadores do prêmio Isabel Lucas (de Portugal) e Manuel da Costa Pinto (do Brasil).

 

Conheça os vencedores:

 

1o colocado – Luanda, Lisboa, Paraíso, de Djaimilia Pereira de Almeida

Considerações do júri: “Neste romance que narra o trajeto de pai e filho de Luanda para Lisboa – tendo como destino final, em Lisboa, o ‘bairro de lata’ (favela) de Paraíso –, Djaimilia Pereira de Almeida compõe, através de uma linguagem viva, um relato sensível sobre as ilusões e as desilusões do mundo pós-colonial”.

Sobre a autora: Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Luanda, em Angola, e cresceu nos arredores de Lisboa, em Portugal. Além deste livro, é autora de Esse cabelo, Ajudar a cair, Pintado com o Pé e A visão das plantas. Participou da programação oficial da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2017.

 

 

2o colocado – Eliete – A vida normal, de Dulce Maria Cardoso

Considerações do júri: “Exílio existencial e solidão de uma mulher de classe média estão impressos neste romance acerca do tédio da sociedade contemporânea, do vazio da vida urbana e das redes sociais”.

Sobre a autora: Dulce Maria Cardoso nasceu em Fonte Longa, Trás-os-Montes, em Portugal, em 1964. Aos 6 meses de idade mudou-se para Luanda, em Angola, de onde retornou após a descolonização e com o início da guerra civil no país. Publicou, entre outras obras, os romances Campo de Sangue, Os meus sentimentos e O retorno, e os livros de contos Até nós e Tudo são histórias de amor.

 

3o colocado – Sorte, de Nara Vidal

Considerações do júri: “Com uma linguagem austera, reduzida ao osso da palavra, o romance de Nara Vidal aborda a imigração para o Brasil no século XIX e a degradação da mulher em um ambiente marcado pela escravidão e pelo racismo”.

Sobre a autora: Nara Vidal nasceu em Guarani, em Minas Gerais, em 1974, e vive em Londres desde 2001. É autora de diversos títulos infantojuvenis e do livro de contos A loucura dos outros. Sorte é seu primeiro romance.

 

JÚRI FINAL

Compuseram o Júri Final dois portugueses – o poeta Daniel Jonas e o crítico literário Manuel Frias Martins – e três brasileiras – as escritoras Maria Esther Maciel e Veronica Stigger, e a crítica literária Eliane Robert Moraes.

 

FINALISTAS

No dia 4 de novembro de 2019, o Júri Intermediário, eleito pelos 72 jurados da primeira etapa, definiu as dez obras finalistas entre os 53 livros semifinalistas.

Classificaram-se nove romances e um livro de contos, de autores de três continentes: cinco brasileiros, quatro portugueses e um angolano. Foram eles:

  • A tirania do amor, de Cristovão Tezza – romance – Brasil, Todavia;
  • Alguns humanos, de Gustavo Pacheco – contos – Brasil, Tinta-da-China;
  • Eliete, de Dulce Maria Cardoso – romance – Portugal, Tinta-da-China;
  • Ensina-me a voar sobre os telhados, de João Tordo – romance – Portugal, Companhia das Letras Portugal;
  • Luanda, Lisboa, Paraíso, de Djaimilia Pereira de Almeida – romance – Portugal, Companhia das Letras Portugal;
  • Meio homem metade baleia, de José Gardeazabal – romance – Portugal, Companhia das Letras Portugal;
  • O imortal, de Mauricio Lyrio – romance – Brasil, Companhia das Letras;
  • O preto que falava iídiche, de Nei Lopes – romance – Brasil, Record;
  • Sorte, de Nara Vidal – romance – Brasil, Moinhos;
  • Sua Excelência, de corpo presente, de Pepetela – romance – Angola, Dom Quixote/Texto Editores.

O júri destacou a capacidade das obras finalistas de associar a qualidade literária às questões contemporâneas. Na lista figuraram sobretudo narrativas que tratam dos temas da desterritorialização, da inquietação existencial e da sexualidade.

Do conjunto dos livros finalistas, três deles foram editados em dois países: Alguns humanos, do brasileiro Gustavo Pacheco, e Luanda, Lisboa, Paraíso, da portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida, publicados no Brasil e em Portugal, e Sua Excelência, de corpo presente, do Prêmio Camões Pepetela, publicado em Angola e Portugal. Além disso, a lista contou com um estreante: Gustavo Pacheco.

 

JÚRI INTERMEDIÁRIO

Os jurados da primeira etapa elegeram também os membros do Júri Intermediário, que leram e avaliaram os 53 livros semifinalistas.

Do Brasil, participaram Eliane Robert Moraes, Ítalo Moriconi, Maria Esther Maciel e Veronica Stigger; de Portugal, Ana Sousa Dias, Daniel Jonas e Manuel Frias Martins; de Moçambique, Francisco Noa.

 

SEMIFINALISTAS

No dia 8 de agosto de 2019, o Oceanos anunciou os títulos semifinalistas da edição de 2019, escolhidos entre as 1.467 obras concorrentes por um corpo de jurados de 72 profissionais.

Conheça aqui as obras semifinalistas.

Entre os 53 semifinalistas estavam 26 romances (de 446 inscritos ao prêmio), 16 livros de poesia (de 690 inscritos), 7 livros de contos (de 225 inscritos), 3 de crônica (de 82 inscritos) e 1 de dramaturgia (de 24 inscritos), com autores de 3 continentes: 33 brasileiros, 18 portugueses e 2 angolanos.

Desde a ampliação do prêmio para todos os países de língua portuguesa, em 2017, esta foi a edição que apresentou maior número de editoras entre os semifinalistas: 23 do Brasil, 12 de Portugal e 1 de Angola, totalizando 36 editoras.

 

JÚRI DE AVALIAÇÃO

Na primeira etapa de avaliação, compuseram o corpo de 72 jurados – escritores, poetas, professores universitários, jornalistas da cultura e críticos literários – 1 membro de Angola, 51 do Brasil, 1 de Cabo Verde, 2 de Moçambique e 17 de Portugal.

Conheça aqui os membros do Júri de Avaliação.

 

CONCORRENTES

As inscrições para o Oceanos 2019 ficaram abertas de 20 de março a 14 de abril de 2019. Os 1.467 livros participantes foram inscritos por 314 diferentes editoras, de 10 países. Neste ano, as publicações independentes, com edição do próprio autor, somaram 49 livros e representaram 3,3% do total de inscrições.

Concorreram ao prêmio autores de 11 diferentes origens publicados em 10 países. Entre os países de língua portuguesa, tivemos, do continente africano, quatro autores angolanos (todos publicados em Portugal); dois cabo-verdianos (um publicado em Cabo Verde e um em Portugal); nove moçambicanos (sete publicados em Moçambique, dois em Portugal) e um autor de São Tomé e Príncipe (publicado em Portugal). De Portugal, foram inscritos 145 autores; do Brasil, 1.300.

Entre os dez países onde os livros inscritos foram publicados, estão cinco de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal) e cinco cujo idioma oficial não é o português (Alemanha, Estados Unidos, Irlanda, Ilhas Maurícias e Holanda).

 

Entre as categorias avaliadas pelo Oceanos, poesia – com 690 livros – correspondeu a 47% das inscrições. Os romances somaram 446 obras e representaram 30,4% do total; os livros de contos – 225 inscrições – perfizeram 15,4%, seguidos por 82 volumes de crônicas (5,6%) e 24 obras de dramaturgia (1,6%). Todos os livros concorreram entre si, uma vez que o Oceanos 2019 premiou as três melhores obras publicadas no ano anterior ao da premiação sem distinção de gênero literário.

Conheça aqui a lista completa de obras concorrentes

 

PARCEIROS

Celebramos neste ano o primeiro acordo oficial estabelecido entre uma instituição do continente africano, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, e o Oceanos. A parceria reforçou a presença do prêmio em cada vez mais países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), bem como estimulou o intercâmbio entre as literaturas nesse idioma.

Além dos novos parceiros, o Oceanos seguiu com o patrocínio do Banco Itaú, da República de Portugal (por meio do Fundo de Fomento Cultural Português) e da CPFL Energia, e com o apoio do Itaú Cultural e do Instituto CPFL.

 

CURADORES

O corpo curatorial do Oceanos 2019 também foi ampliado: participaram a linguista Adelaide Monteiro, curadora da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, a escritora e jornalista Isabel Lucas, de Portugal; a gestora cultural Selma Caetano e o crítico literário Manuel da Costa Pinto, ambos do Brasil.

Conheça aqui os curadores do Oceanos 2019.

Nesta edição, o Oceanos passou a contemplar três livros (as edições anteriores premiavam quatro), de modo a valorizar a singularidade de cada prêmio. O livro vencedor receberá 120 mil reais; o segundo colocado, 80 mil; e o terceiro, 50 mil, sendo que livros de diferentes gêneros literários concorreram entre si.