Classificação indicativa: Livre

No domingo 3 de novembro, às 19h, mais de 80 participantes com diversos tipos de deficiência e em situação de risco social do Instituto Olga Kos (IOK) sobem ao palco do Auditório Ibirapuera com o espetáculo Dança que se Dança. Inspirada na relação do artista Hélio Oiticica (1937-1980) com a dança, a montagem tem como proposta evidenciar uma dança que se constrói “fora dos padrões”, mas que tem força para dialogar com circuitos diversos e que evidencia autonomia, liberdade e respeito à diferença. 

A apresentação faz parte do encerramento do projeto Corpos em Luz, do IOK, realizado por uma equipe multidisciplinar do instituto – formada por pedagogos, psicólogos e instrutores de dança, entre outros profissionais – em seis organizações parceiras espalhadas pela cidade de São Paulo, e que desde fevereiro trabalha no processo de criação do espetáculo, por meio de oficinas de dança. 

“A questão principal para a construção de Dança que se Dança foi a da autonomia”, fala Gustavo Paulino, artista do corpo, diretor e dramaturgista do espetáculo. “Durante os encontros com os participantes do instituto, que acontecem uma vez por semana, fomos percebendo que para eles, que operam por lógicas muito diversas, o fato de se sentirem aptos a realizar suas atividades, de forma autônoma, e dentro de suas próprias escolhas, era algo urgente e necessário”, diz. “Fomos então inserindo esse processo de autonomia durante as conversas e atividades com eles e construindo esse trabalho – que também foi feito junto dos familiares.”

Gustavo acrescenta que apesar de o espetáculo ter como ponto de partida a obra de Hélio Oiticica, as provocações que ela desperta e a relação do artista com a linguagem da dança, a montagem não fica presa a ele.  A ideia foi deslocar algumas das questões levantadas pelo trabalho de Oiticica e adaptá-las à realidade dos participantes do IOK, aproveitando o que cada um deles traz naturalmente dentro de si, sem utilizar um modelo pronto de movimento ou de dança.

“Cheguei ao Oiticica com o imaginário do senso comum em relação ao parangolé*, essa roupa que personaliza e permite que a pessoa dance livremente. Inclusive, levamos isso para nossas oficinas. Os participantes ajudaram na produção e na escolha das peças que vão usar no dia do evento como mais um passo para dar vazão à construção dessa autonomia desejada. Depois entendemos que para além do Parangolé outras relações poderiam ser feitas com o artista e seus interesses”, conta. “Hélio Oiticica vem de uma experiência complexa em relação à teoria da academia, e quando chega ao morro e começa a ver as pessoas sambando isso o fascina. Ele se aproxima dessa realidade e passa a produzir a partir desse contato com a dança, dessa dança que cada um dança à sua maneira. E é justamente essa dança com liberdade, com autonomia e com respeito à diferença que queremos mostrar durante a apresentação.”

Fundado em 2007, o IOK é uma associação de inclusão cultural, sem fins lucrativos, que desenvolve projetos artísticos e esportivos para atender, prioritariamente, crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual e em situação de risco social. Nas oficinas de artes, o instituto busca divulgar a diversidade cultural e artística do país, incentivar o exercício da arte e ampliar os canais de comunicação e expressão dos participantes.

 

*Parangolé foi criado pelo artista Hélio Oiticica no final da década de 1960, como resultado de suas experiências com a comunidade da Mangueira, escola de samba do Rio de Janeiro.

 

Instituto Olga Kos
domingo 3 de novembro de 2019
às 19h
[duração aproximada: 90 minutos] 

ingressos: gratuito. Distribuição de ingressos na bilheteria do Auditório, uma hora e meia antes da apresentação. Limite de dois ingressos por pessoa. Sujeito à lotação da casa].

[livre para todos os públicos]

abertura da casa: 90 minutos antes do espetáculo

Veja também