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Integrar a música a outras vertentes artística, como a dança e a mímica, trazendo novas possibilidades de percepção e criação. Esse é o objetivo da performance In’ Diálogos – Clarinete Solo e Intervenções Artísticas, idealizado pelo clarinetista José Luiz Braz, que também é o diretor-geral do espetáculo. A direção cênica é de Paul Zanon.

Ao lado da bailarina Samira Marana e da atriz Luana Oliveira – que realizam, respectivamente, intervenções de dança e mímica em forma de esquetes durante a apresentação –, o instrumentista interpreta solos que vão do popular ao erudito contemporâneo, criados especialmente para o espetáculo pelos compositores Marcos Pantaleoni (“Espelhos”), Edson Zampronha (“Naturalis”), André Mehmari (“Monodiálogo”) e Gian Correa (“Humildegente”).

In’ Diálogos foi idealizado por mim com o objetivo de levar ao público um repertório pouco conhecido, já que são raros os recitais solo para clarinete nos palcos de música erudita do país. O mais comum é encontrar apresentações com quintetos de cordas, de sopros, com orquestras e grupos camerísticos”, fala José Luiz Braz. “Além disso, sempre tive o desejo de fazer um projeto em que a música e outras formas de arte fossem integradas em um contexto, respeitando as individualidades das composições, de estilo e de estética. E a mímica e a dança são manifestações que permitem isso. O corpo transmite o som de uma forma visual e a expressão dessas peças junto ao público é muito rápida, próxima”.

O clarinetista, que é professor da Escola do Auditório e do Instituto Baccarelli, acrescenta que antes de mesmo terminar seus estudos na Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde fez o curso de bacharelado em clarinete (1998-2001), já havia iniciado um trabalho de pesquisa visando à aproximação da música com outras linguagens artísticas. Mas somente em 2014 resolveu voltar ao projeto e montar a performance – que vem sendo apresentada, desde 2015, em diferentes versões –, chegando ao atual formato que será mostrado no Música no Foyer.

“Estudei os concertos eruditos, mas sempre estive interessado em novas estéticas. Então, conversando com compositores das classes de composição e regência da universidade, passei a receber alguns solos para clarinete”, conta José Luiz. “No ano de 2003 ganhei uma bolsa de estudos de aperfeiçoamento que durou dois anos e, com base nessa pesquisa, passei a encomendar outras peças e a fazer os recitais. Os anos se passaram, segui com outros trabalhos e só em 2014 retomei o projeto”, explica. “Fui pensando quais seriam as intervenções ideais e como integrá-las com a música, quem seriam os artistas que participariam do trabalho, onde deveria apresentá-lo. E assim surgiu o In’ Diálogos.”

Sobre a escolha dos compositores e das peças para a apresentação, José Luiz Braz conta que a decisão levou em conta a estética musical e o formato do espetáculo, além da recepção e interação com o público.

“A performance tem apenas um instrumento, o clarinete, sem nenhuma base harmônica. Daí a ideia de chamar compositores de diferentes estilos de escrita para diversificar a sonoridade”, explica Braz. “O Marcos é amigo de longa data, dos tempos da Unesp. Escrevemos a peça juntos, traduzindo aquilo que de fato funciona para o instrumento. O Edson tem uma grande importância no cenário da música contemporânea mundial e representa essa linguagem de forma exemplar. O Mehmari sempre trabalhou a mistura da música erudita com a popular, sem fronteiras. E o Gian Correa é um legítimo desenvolvedor da música popular instrumental. Ou seja, o In’ Diálogos – Clarinete Solo e Intervenções Artísticas está, de fato, integrando diversos formatos musicais e artísticos. ”

Programa

Abertura 
“Espelhos” (2003) | Composição: Marcos Pantaleoni
Clarinete solo

“Naturalis” (2015) | Composição: Edson Zampronha 
Clarinete solo e dança

“Monodiálogo” (2015) | Composição: André Mehmari
Clarinete solo e mímica

“Humildegente” (2017) | Composição: Gian Correa
Clarinete solo e dança

Música no Foyer | In’ Diálogos – Clarinete Solo e Intervenções Artísticas
sábado 6 de abril de 2019
às 19h
[duração aproximada: 60 minutos]

Entrada gratuita [a apresentação será no foyer do Auditório Ibirapuera]
[livre para todos os públicos]

abertura da casa: 90 minutos antes do espetáculo

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