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Eu, você e todo mundo somos filhos de alguém, que por sua vez são filhos de alguém, que são filhos de alguém… Somos constituídos da herança de tantas pessoas que recuperar nossa origem nos aproxima de tempos remotos. Entre as poucas coisas que podem nos levar até tais épocas estão os fósseis. Evidências biológicas de seres vivos que não existem mais, eles testemunham que algo um dia viveu ali. É devido aos estudos dos cientistas que se ocupam dessas matérias que sabemos de uma antiga espécie humana, que viveu há mais de 3 milhões de anos – um parente muito distante de todos nós –, da existência de dinossauros e quantos anos aproximadamente tem a Terra. De certa forma, então, os fósseis nos permitem voltar no tempo e reconstituir histórias.

Isso acontece de dois modos: pelos restos ou pelos vestígios, palavras que partilham significados muito próximos, mas que aqui compreendem o vocabulário específico desses cientistas. O primeiro tipo está relacionado a alguma parte que compunha a estrutura de um ser. Alguns exemplos são dentes e pernas, mas também folhas e até conchas, que são casas de diversos animais aquáticos – um fóssil de concha muito comum se chama amonite e constituía, no passado, a morada de um extinto molusco que viveu na época dos dinossauros! O segundo tipo são as marcas deixadas pelos seres vivos, isto é, que não fazem parte de seu corpo, mas são vestígios de sua existência, como secreções, pegadas e mordidas. Para serem considerados fósseis, é preciso que tenham alguns milhares de anos.

(imagem: divulgação)

A natureza tem muitas maneiras de fossilizar. Em grande medida, são preservadas apenas algumas partes de um ser, e os cientistas buscam determinar que partes são essas e de quem. Porém, pode acontecer de uma criatura ser preservada inteira, por meio do gelo, do sal e da resina das árvores, que pode aprisionar insetos inteiros e, com os anos, se torna resistente. Quando já é muito antiga, essa resina fóssil de cor amarelada é nomeada âmbar. É como se o tempo tivesse parado ali.

Por sua antiguidade e capacidade de contar histórias, os fósseis fascinaram muitas pessoas, incluindo nós mesmos, autores deste texto, que os homenageamos criativamente neste episódio. Outra pessoa foi a imperatriz Teresa Cristina Maria (1822-1889), terceira esposa de dom Pedro II. Encantada pela arte e pela história, ela reuniu uma enorme coleção ao longo de sua vida, formada por itens extremamente diversos, como crânios e restos de animais, mas também mapas, revistas literárias, científicas, cadeiras, cerâmicas e fotografias. Patrocinou muitas escavações arqueológicas, e sua coleção constitui boa parte da Biblioteca Nacional e do Museu Nacional, incendiado em 2018.

(imagem: divulgação)

Também a imperatriz Leopoldina (1797-1826), que veio ao Brasil com a Expedição Científica Austríaca, se interessava pelas ciências naturais, em especial a botânica e a geologia, o estudo das rochas. Ela coletava plantas, pedras e até animais, cujo processo de conservação da pele ela mesma fazia. Seu acervo também foi incorporado ao Museu Nacional.

Podemos fazer inferências sobre a aparência e os hábitos de um indivíduo e de toda uma espécie a partir dos fósseis; imaginar como viviam e quais são suas ligações até nós. Será que daqui a milhares de anos nós também seremos fósseis? Afinal, partilhamos com esses seres misteriosos o mesmo fio da vida.

(imagem: divulgação)

Para inspiração, aqui deixamos algumas referências:

Teresa Cristina, a imperatriz e a arqueologia;
Coleção D. Thereza Christina Maria – Álbuns Fotográficos;
Biblioteca Nacional | 200 anos;
Museu Nacional;
Uma homenagem ao Museu Nacional.

Documento baixável.

Expedição Brasiliana: crie e observe fósseis (imagem: divulgação)
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