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Fazer seus próprios materiais é uma forma de se conectar com uma prática antiga – de quando não existia tinta industrial. Desde a pré-história, os seres humanos inventam tintas. Continuar a fazer isso nos dias de hoje é citar de alguma maneira essa experiência pré-histórica. É contar de como algo permanece enquanto necessidade humana: procurar no meio em que se vive aquilo que pode ser transformado para servir a um propósito nobre, e permanente, que é o de deixar marcas.

Fazer seus próprios materiais como exercício de autonomia: você conhece por dentro de um fazer como ele funciona. Você conhece o funcionamento dos materiais, das ferramentas. Você não depende de coisas prontas e de uma indústria que, em sua forma de produzir, pode causar danos à natureza, seja pela extração da matéria-prima, seja por outro tipo de impacto ambiental no seu ciclo produtivo. Você se aproxima das potências da natureza. Faz o que você precisa e usa para um desejo seu! Isso pode ser um grande exercício de liberdade.

(imagem: Divulgação)

Conhecer com as mãos é diferente de conhecer apenas teoricamente. Ler, assistir a uma descrição ou demonstração é sem dúvida fonte de muita informação e aprendizado; contudo, quando se trata dos ofícios artesanais, há uma parte dessa prática que é um conhecimento que o corpo apreende. Por exemplo, o olho pode ser uma ótima régua. A mão se acostuma com o movimento preciso para realizar certa tarefa. Além de conhecimento, isso é também uma fonte de experiência e de memória. A lembrança que temos de entrar no mar pela primeira vez, porque ali se passa uma experiência, é certamente diferente de ver a imagem do mar pela primeira vez. Há coisas que precisamos saber com o corpo, além de saber com a mente. E há coisas que, na verdade, nos mostram como nem sempre é possível separar essas duas coisas.

Foi assim que as pessoas descobriram tintas específicas para cada propósito. Os naturalistas, por exemplo, esses cientistas que embarcavam em expedições e se aventuravam na mata, não pintavam com tinta a óleo, pois esse processo leva muito tempo para secar. Eles precisavam de materiais que atendessem à sua necessidade de deslocamento e de rapidez: tintas à base de água, como aquarelas e têmperas, ou então materiais secos, como lápis e gizes, que são leves e ágeis. Muitas vezes esses primeiros registros eram usados como base para a realização de obras que levavam meses no ateliê; e aí sim podia-se usar um material diferente, mais demorado para a secagem e, por isso, melhor para dar acabamentos e detalhes.

(imagem: Divulgação)

Saber do que uma tinta é feita é importante para conservar e guardar obras para as próximas gerações. Esse é um papel de uma área chamada museologia, que identifica, cataloga e estuda esses componentes dos materiais e suportes para saber como guardar e como expor. É por causa disso que podemos ver obras tão antigas quase intactas.

Esses conhecimentos são importantes também para o próprio artista, é claro. E você, de que materiais precisa para expressar suas ideias?

(imagem: Divulgação)

Para inspiração, aqui deixamos textos de referência:

Têmpera;
Cores primárias;

Figures of St Pauls;
Pombal = (Colombier) Plantation de Café d'une Colonie Neuchâteloise au Brésil;
Sauvages Goyanas (à Mar Pequeno);
Guache;
Lápis;
Pastel;

S. Pedro d'Alcantara.

Documento baixável.

Expedição Brasiliana: experimente tintas e faça arte (imagem: Divulgação)
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