por Milena Buarque Lopes Bandeira

“A ideia é fazer algo para ficar bom na maior tela possível e no melhor som possível. E que também fique magicamente bom no celular. Eu, por exemplo, não me imagino vendo série em celular, mas me orgulho se alguém vê uma série minha nessas condições”, diz Pedro Aguilera, sobre como tem encarado a produção audiovisual hoje. Criador de 3%, que chegou a ser a série não inglesa mais vista do serviço de streaming Netflix, o roteirista prepara um novo trabalho. Com estreia aguardada para 2020, Onisciente trata de um mundo distópico onde todos são vigiados, não por Deus, mas por drones.

Apesar de ter sido lançada pela Netflix em 2016, a trajetória de 3% não é nada recente. Da participação em um edital até o primeiro contato com a plataforma, a série chegou a ter três episódios-pilotos disponibilizados no YouTube com a descrição: “Buscamos um canal de TV interessado em viabilizar a temporada completa”.

“Nós nos inscrevemos em um edital de TV, o FICTV/Mais Cultura, e o piloto foi exibido na TV Brasil. Talvez ninguém tenha visto. Um ano se passou e nós já podíamos, por contrato, colocar no YouTube. Começamos a mandar para as pessoas e elas passaram a dar feedbacks positivos”, conta.

Ainda em fase embrionária, a websérie foi parar no site da revista norte-americana Wired. “A gente conseguiu uma matéria na Wired e alguém da Netflix viu e mandou uma mensagem pelo Facebook, que caiu na caixa de solicitações [uma caixa de entrada secundária da rede]. Só depois de alguns meses conseguimos nos falar.” Quando estreou no aplicativo, em 190 países, foi um sucesso absoluto.

Entusiasmado com quem acompanha séries e filmes pelo celular, muitas vezes em deslocamentos que envolvem a vozearia do transporte público, Pedro confessa que costuma assistir a tudo pelo próprio computador. “Só conecto à televisão às vezes.”

Ao site do Itaú Cultural, durante o evento Encontros de Cinema, o roteirista contou o que tem visto – e ouvido – recentemente.

 

FILME | Temporada

Com direção de André Novais Oliveira, o longa conta a história de Juliana (Grace Passô), que deixa a cidade natal para trabalhar como agente de combate à dengue. O filme se passa em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, e acaba de entrar para o catálogo da Netflix.

 

DOCUMENTÁRIO | Free Solo

Aclamado pela crítica, Free Solo venceu o Oscar de Melhor Documentário em 2019. Sem nenhum tipo de equipamento de segurança, o norte-americano Alex Honnold escala os mais de 900 metros do paredão de El Capitan, localizado no Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia (Estados Unidos).

 

SÉRIE | Arrested Development

Lançada em 2003 pela FOX, a série cômica criada por Mitchell Hurwitz conta a história de uma família rica que perde toda a fortuna e luta para se manter unida. Com um intervalo de sete anos, em 2013 a Netflix retomou a produção com duas novas temporadas (a 4ª e a 5ª). No entanto, Pedro indica as três primeiras. “Um clássico. Uma das melhores coisas que tem. As temporadas antigas estão lá [na Netflix]. São sensacionais”, diz.

 

SÉRIE | Killing Eve

Série dramática produzida pela Sid Gentle Films para a BBC America, Killing Eve tem segunda temporada prometida ainda para o primeiro semestre deste ano. A trama acompanha o jogo de gato e rato entre Eve, agente de operações de segurança que deseja se tornar uma espiã, e a assassina Villanelle.

 

PODCAST | Punch Up the Jam

Comandado pelos melhores amigos Miel Bredouw e Demi Adejuyigbe, e disponível no serviço de streaming Spotfy, Punch Up the Jam é um podcast de comédia que tenta rever e reescrever hits amados e odiados. “Eles falam sobre uma música e depois fazem uma paródia. Achei sensacional o episódio da canção “You Oughta Know”, da Alanis Morissette. Clássico dos anos 1990.”

 

*Texto produzido durante a terceira edição do evento Encontros de Cinema, que reuniu no Rio de Janeiro, nos dias 15 e 16 de abril, diretores, pesquisadores, roteiristas, produtores, jornalistas e gestores desse setor.

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