Grupo Corpo: aulas gratuitas para profissionais da saúde...

De modo a apoiar quem atua na saúde, o Grupo Corpo – uma das mais destacadas companhias de dança do país, que em 2020 completa 45 anos de trajetória – oferece aos profissionais dessa área aulas de dança on-line e gratuitas. A cada semana são duas sessões, que podem ser vistas por um número limitado no momento da transmissão e depois acessadas no site do Corpo. A ideia é proporcionar meios de aliviar a tensão do trabalho, partindo de referências do repertório do grupo. Saiba mais nesta postagem e se inscreva no curso aqui.

... e uma entrevista com o fundador da companhia, Paulo Pederneiras

Ao longo do ano, o Corpo deve ter outras atividades; acompanhe as ações no blog. No momento, impactada pela crise da covid-19, a companhia lida com a interrupção de projetos – montagens no Brasil e no exterior estão suspensas – e conversa sobre como atuar nesse cenário. “A gente está um pouco perdido”, diz Paulo Pederneiras, diretor artístico e fundador do grupo, “vendo o que se pode fazer nas redes sociais – coisa que vamos ter de aprender – e como a gente pode rever o nosso trabalho. A diretoria tem feito reuniões constantes para pensar as ações.”

Uma dificuldade é a passagem de uma atividade forjada no movimento, na relação com lugares, no contato entre as pessoas para o âmbito on-line. “A gente sente que essa diferença é imensa, e estamos tentando entender um pouco mais isso”, fala Paulo. “Nosso trabalho é de conjunto, de toque, de interagir fisicamente. E isso tudo está interditado agora. Tem de pensar.” Comenta também o diretor: “O espaço que a gente tinha era outra coisa. A gente vai ter de aprender a lidar com essas plataformas”. Como descobrir outro modo de criação?

A questão não é de adaptação – “Não gosto da palavra adaptar”, anota ele –, mas sim de construir coisas novas. “Que trabalho a gente faz para essas redes, que linguagem utilizar, o que vamos ter de aprender para estar conectados com esse público? Não sei, tudo é muito excitante, a gente fica com cara de ‘meu Deus!’.” Paulo enfoca essas questões pelo viés da possibilidade: “Não vejo isso de uma maneira ruim, não”, afirma. “Vejo como um desafio. A gente sabe que nesses meios há um alcance muito maior. É diferente, mas chega a muito mais pessoas.”

Ao lado dessa postura atenta ao que se abre para o processo criativo, Paulo reconhece o que há de problemático para o futuro da atuação artística. “É claro que, para a arte, tudo o que é novo é instigante, mas para que isso possa acontecer é sempre muito importante que haja uma estrutura e a parte financeira bastante estável”, diz. “E a gente sabe que os próximos tempos aí vão mexer muito com essa estabilidade. Ninguém imagina o que vai acontecer daqui para a frente. Infelizmente a gente sabe que o nosso trabalho vai ser dos últimos a voltar, e isso nos preocupa muitíssimo.”

Desse modo, aos 45 anos, o Grupo Corpo tenta se situar na problemática dos dias de hoje e tem de se repensar, o que se alinha a outra fala dita por Paulo ao Itaú Cultural: “O presente está todo impregnado de tudo o que a gente foi. A gente está sempre olhando para o presente e para o futuro”. Nesse sentido, no que se refere ao grupo, o diretor diz ficar “pretensiosamente feliz por saber que o Corpo é totalmente contemporâneo e desperta muito interesse no Brasil e fora dele”, e que “a cada dia a gente está descobrindo coisas novas”. No que se refere a todos nós, “gostaria de ser otimista. Espero que todo mundo saia diferente, que a sociedade ganhe nova forma”.

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Conheça mais sobre o Grupo Corpo no site do programa Ocupação, com materiais da exposição dedicada à companhia – entre dezembro de 2016 a janeiro de 2017 – na sede do Itaú Cultural. Além de parte do material da mostra, o site apresenta conteúdo exclusivo, como entrevistas.

 

A série Por Aí divulga ações e atividades de instituições e projetos parceiros do Itaú Cultural espalhados Brasil afora. Você pode acompanhar em nosso site, por meio da tag Por Aí, e nos destaques do nosso perfil no Instagram (@itaucultural).

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